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Thread: Pronúncia de bebês no português do Rio de Janeiro

  1. #21
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    Re: Pronúncia de bebês no português do Rio de Janeiro

    Está tudo explicado acima. O /i/ só é normalmente inserido em sílabas finais tônicas. Não acontece normalmente em sílabas não-finais; não acontece normalmente em sílabas átonas. No contexto de final de palavra acentuado, que é onde acontece a inserção, essa ditongação é muito comum e natural, seja no discurso lento, seja no discurso rápido e natural.

  2. #22
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    Re: Pronúncia de bebês no português do Rio de Janeiro

    Quanto à pronúncia do r afinal de sílaba, como se pronuncia no Rio e como se pronuncia no resto do pais? Por exemplo

    Roberto= /xo'bɛxto/ ou /xo'bɛrto/?

    Este hospital é livre... livre para aqueles que podem pagar, e livre daqueles que não podem...

  3. #23
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    Re: Pronúncia de bebês no português do Rio de Janeiro

    Acho que, no Nordeste, no Norte e na maior parte do Sudeste, o padrão é a pronúncia com as fricativas glotais [h] e [ɦ], dependendo daquele mesmo tipo de interferência de sonoridade que acontece com o s.

    porta - ['pɔhtɐ] surdas
    corda - ['kɔɦdɐ] sonoras

    E a pronúncia muda quando o erre é seguido de vogal.

    por tudo - [pʊh 'tudʊ]
    por você - [pʊɦ vo'se]
    por isso - [pʊɾ 'isʊ]

    Numa fala mais tensa, em vez das fricativas glotais, o falante pode usar as fricativas velares: ['pɔxtɐ], ['kɔɣdɐ].

    Observo que alguns paulistas, como a Marília Gabriela e o William Bonner, usam esse mesmo padrão. Mas não sei se isso tem a ver com o fato de eles trabalharem na televisão ou se existe mesmo algum dialeto em São Paulo com essa caraterística.

    No Sul e na cidade de São Paulo, creio que o padrão seja a vibrante alveolar: ['pɔɾtɐ], ['kɔɾdɐ].

    No interior de São Paulo, Paraná e Sul de Minas, usa-se nessa posição o chamado "erre caipira", que é a aproximante alveolar: ['pɔɹtɐ], ['kɔɹdɐ]. Por ser essa a consoante também usada na língua inglesa, muitos gringos acabam adotando essa variante quando aprendem o português.

    Em Piracicaba (SP), o erre caipira é usado também no ataque da sílaba, o que dá aos falantes das outras cidades do interior a impressão de que o erre de lá é "mais puxado".

    Piracicaba - ['piɹasikabɐ]

    No final de verbos e substantivos, acho que é comum em muitas (todas?) regiões simplesmente deletar o erre, o que, contudo, não é um fenômeno obrigatório.

    trabalhar - [tɾaba'ʎa(h)]
    calor - [ka'lo(h)]

    Até pouco tempo, o padrão utilizado pelo William Bonner e a Fátima Bernardes no Jornal Nacional era o do erre fricativo glotal. Com a chegada da Patrícia Poeta, que é do Sul, ouve-se tanto Jo[ɦ]nal Nacional, quando quem fala é o Bonner, quanto Jo[ɾ]nal Nacional, quando quem fala é a Patrícia.

  4. #24
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    Re: Pronúncia de bebês no português do Rio de Janeiro

    Quote Originally Posted by Ariel Knightly View Post
    Está tudo explicado acima. O /i/ só é normalmente inserido em sílabas finais tônicas. Não acontece normalmente em sílabas não-finais; não acontece normalmente em sílabas átonas. No contexto de final de palavra acentuado, que é onde acontece a inserção, essa ditongação é muito comum e natural, seja no discurso lento, seja no discurso rápido e natural.
    Muito obrigada pela sua reposta. Na verdade isso tudo é muito difícil para mim já que eu não estou acostumada a usar esses termos (tônico, átono) e agredeceria muito você se pudesse escrever uns exemplos para que eu possa entender. Aliás, a inserção do "s" acontece só com os substantivos e adjetivos?

    A propósito da pronunciação do "r", é correto dizer que no Rio tem um som de "r" francês"?

    Desde já, obrigada!

  5. #25
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    Re: Pronúncia de bebês no português do Rio de Janeiro

    Quote Originally Posted by babyray View Post
    A propósito da pronunciação do "r", é correto dizer que no Rio tem um som de "r" francês"?
    Não.

    Rio ['hi.ju] (no Nordeste, MG, ES, Norte) ou ['xi.ju] (no resto do país)
    (no Rio se pode ouvir as duas pronúncias)

    Barra em português brasileiro soa como Baja em espanhol.

    O r francês é como pronunciam em Lisboa: Rio/riu ['Riw] (R = vibrante múltipla uvular).

    RIO = como 'he-you inglês mais ou menos
    Last edited by Istriano; 18th January 2012 at 10:35 PM.

  6. #26
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    Re: Pronúncia de bebês no português do Rio de Janeiro

    Babyray, uma ferramenta que pode te ajudar bastante é a Wikipedia. Lá você tem a explicação e a gravação de cada um desses sons que eu mencionei acima. Aqui, por exemplo, você pode ouvir a fricativa glotal surda, que é a que normalmente usamos no Rio. Nosso erre tenso - que usamos quando estamos nervosos, por exemplo -, pronunciamos com a fricativa velar, que já é um pouco mais próxima do erre francês.

    Quanto ao /S/ em final de sílaba, esses são alguns exemplos que eu posso te dar:

    pôs - ['pojʃ]
    após - [a'pɔjʃ]
    pés - ['pɛjʃ]
    bebês - [be'bejʃ]
    capuz - [ka'pujʃ]
    rapaz - [ha'pajʃ]

    Se o /S/ não estiver numa sílaba tônica - que é a sílaba forte, acentuada -, normalmente não há inserção do /i/.

    obras - ['ɔbɾɐʃ] --> aqui a sílaba forte é ['ɔ-], e não [-bɾɐʃ]
    carros - ['kaɦʊʃ] --> aqui a sílaba forte é ['ka-], e não [-ɦʊʃ]

    Se o /S/ não estiver em final de palavra, normalmente não há inserção do /i/, independentemente de estar ou não em sílaba tônica.

    peste - ['pɛʃtʃɪ]
    pasta - ['paʃtɐ]
    bosta - ['bɔʃtɐ]
    ostra - ['oʃtɾɐ]
    músculo - ['muʃkulʊ]

    Se você ainda não entendeu o que é uma sílaba tônica, pensa na palavra inglesa habit.
    Você diz HAbit ou haBIT? HAbit, certo? Isso porque a sílaba tônica é ['hæ-], e não [-bɪt].

  7. #27
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    Re: Pronúncia de bebês no português do Rio de Janeiro

    Quote Originally Posted by Istriano View Post
    Não.

    Rio ['hi.ju] (no Nordeste, MG, ES, Norte) ou ['xi.ju] (no resto do país)
    (no Rio se pode ouvir as duas pronúncias)

    Barra em português brasileiro soa como Baja em espanhol.

    O r francês é como pronunciam em Lisboa: Rio/riu ['Riw] (R = vibrante múltipla uvular).

    RIO = como 'he-you inglês mais ou menos
    Perdão pela minha pergunta tão confusa. Queria saber se no sotaque carioca o "r" dentro de uma palavra como nos casos de "porta" e "carta" e ao final dos verbos, sustantivos e adjetivos tem o som do erre francês. Obrigada!

  8. #28
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    Re: Pronúncia de bebês no português do Rio de Janeiro

    Quote Originally Posted by Ariel Knightly View Post
    Babyray, uma ferramenta que pode te ajudar bastante é a Wikipedia. Lá você tem a explicação e a gravação de cada um desses sons que eu mencionei acima. Aqui, por exemplo, você pode ouvir a fricativa glotal surda, que é a que normalmente usamos no Rio. Nosso erre tenso - que usamos quando estamos nervosos, por exemplo -, pronunciamos com a fricativa velar, que já é um pouco mais próxima do erre francês.

    Quanto ao /S/ em final de sílaba, esses são alguns exemplos que eu posso te dar:

    pôs - ['pojʃ]
    após - [a'pɔjʃ]
    pés - ['pɛjʃ]
    bebês - [be'bejʃ]
    capuz - [ka'pujʃ]
    rapaz - [ha'pajʃ]

    Se o /S/ não estiver numa sílaba tônica - que é a sílaba forte, acentuada -, normalmente não há inserção do /i/.

    obras - ['ɔbɾɐʃ] --> aqui a sílaba forte é ['ɔ-], e não [-bɾɐʃ]
    carros - ['kaɦʊʃ] --> aqui a sílaba forte é ['ka-], e não [-ɦʊʃ]

    Se o /S/ não estiver em final de palavra, normalmente não há inserção do /i/, independentemente de estar ou não em sílaba tônica.

    peste - ['pɛʃtʃɪ]
    pasta - ['paʃtɐ]
    bosta - ['bɔʃtɐ]
    ostra - ['oʃtɾɐ]
    músculo - ['muʃkulʊ]

    Se você ainda não entendeu o que é uma sílaba tônica, pensa na palavra inglesa habit.
    Você diz HAbit ou haBIT? HAbit, certo? Isso porque a sílaba tônica é ['hæ-], e não [-bɪt].
    Um grande obrigada pela sua explicação perfeita! A Wikipedia também foi útil. Agora entendo perfeitamente que a sílaba tônica é a que leva acento, seja gráfico, seja uma pronunciação mais forte. Você explicou-me que se o "s" não estiver numa sílaba tônica ou em final do palavra a inserção do "s" não acontece. Mas há algumas excepções? Por favor, seria possível para você escrevê-las?

    Muito obrigada de antemão!

  9. #29
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    Re: Pronúncia de bebês no português do Rio de Janeiro

    Quote Originally Posted by babyray View Post
    Você explicou-me que se o "s" não estiver numa sílaba tônica ou em final do palavra a inserção do "s" não acontece.
    O que não acontece é a inserção do /i/.
    Quote Originally Posted by babyray
    Mas há algumas excepções?
    Acho que não.

  10. #30
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    Re: Pronúncia de bebês no português do Rio de Janeiro

    Quote Originally Posted by babyray
    Mas há algumas excepções?
    Sim


    mas (com o i de apoio) = porém
    más (normalmente sem o i de apoio) = plural de má (as más línguas)

    Eu pronuncio:
    gás [gais] n
    más [ma:s] (sem o i de apoio) adj
    mas [mais] (com o i de apoio) conj

  11. #31
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    Re: Pronúncia de bebês no português do Rio de Janeiro

    É verdade. Eu também sigo esse padrão. Será que essa é a única exceção? Por que será que em más não acontece a inserção do /i/?

  12. #32
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    Re: Pronúncia de bebês no português do Rio de Janeiro

    Quote Originally Posted by Istriano View Post
    Sim


    mas (com o i de apoio) = porém
    más (normalmente sem o i de apoio) = plural de má (as más línguas)

    Eu pronuncio:
    gás [gais] n
    más [ma:s] (sem o i de apoio) adj
    mas [mais] (com o i de apoio) conj
    Muito obrigada!

  13. #33
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    Re: Pronúncia de bebês no português do Rio de Janeiro

    Quote Originally Posted by Ariel Knightly View Post
    É verdade. Eu também sigo esse padrão. Será que essa é a única exceção? Por que será que em más não acontece a inserção do /i/?
    Talvez para que seja mais fácil diferenciá-lo de "mas"?
    Gostaria de saber se nos artigos "as" e "os" é possível usar o i de apoio o não. Aliás, na palavra "horas" a sílaba tônica é "ho" e não "ras", então não há o i de apoio, certo?

    Obrigada desde já!

  14. #34
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    Re: Pronúncia de bebês no português do Rio de Janeiro

    Como vocês no Rio pronunciam pás, aquelas de cavocar a areia da praia? [pajʃ] ou [paʃ]? É que nem paz [pajʃ]?
    Last edited by uchi.m; 22nd January 2012 at 1:05 AM. Reason: tô gostando desse jotinha em cima dos vocóides

  15. #35
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    Re: Pronúncia de bebês no português do Rio de Janeiro

    Quote Originally Posted by uchi.m View Post
    Como vocês no Rio pronunciam pás, aquelas de cavocar a areia da praia? [pajʃ] ou [paʃ]? É que nem paz [pajʃ]?
    Agora já não sei dizer. Não estou mais conseguindo pronunciar essas palavras com naturalidade.

    A propósito, a Babyray descobriu mais um contexto em que ocorre a inserção do /i/:

    horas - ['ɔɾɐʃ]
    horas são - ['ɔɾa
    ɪ̯'sɐ̃ʊ̯̃]
    gatos - ['gatʊʃ]
    gatos são - ['gatu
    ɪ̯'sɐ̃ʊ̯̃]

    Isso também acontece nos outros dialetos?

  16. #36
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    Re: Pronúncia de bebês no português do Rio de Janeiro

    Não, no dialeto soteropolitano: gatos são ['gatu'são].
    No entanto, pode se ouvir sexta [sejʃta], mas acho que isso se deve à neutralização de ê/êi diante x, j: beijo/bêjo ~ carangueijo/caranguêjo, pêxe/peixe ~ sexta/seixta (essa última pronúncia na fala de pessoas que não pronunciam sexta: sêçta que também é possível em Salvador).
    Last edited by Istriano; 23rd January 2012 at 2:24 PM.

  17. #37
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    Re: Pronúncia de bebês no português do Rio de Janeiro

    Quote Originally Posted by Istriano View Post
    Não, no dialeto soteropolitano: gatos são ['gatu'são].
    Então em Salvador horas são teria a mesma pronúncia de oração?

  18. #38
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    Re: Pronúncia de bebês no português do Rio de Janeiro

    Quote Originally Posted by Ariel Knightly View Post
    Então em Salvador horas são teria a mesma pronúncia de oração?
    Depende, nem todo mundo pronuncia óração, córação...Há gente que fecha a vogal ôração, côração.

  19. #39
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    Re: Pronúncia de bebês no português do Rio de Janeiro

    Quote Originally Posted by Istriano View Post
    Não.

    Rio ['hi.ju] (no Nordeste, MG, ES, Norte) ou ['xi.ju] (no resto do país)
    (no Rio se pode ouvir as duas pronúncias)

    Barra em português brasileiro soa como Baja em espanhol.

    O r francês é como pronunciam em Lisboa: Rio/riu ['Riw] (R = vibrante múltipla uvular).

    RIO = como 'he-you inglês mais ou menos
    Sei que já faz um tempinho mas lá vou eu.

    Isso é incrivelmente a coisa mais absurda que já li sobre meu dialeto em toda a minha vida (muito além sobre a palatalização da sibilante coda ser anormal, feia ou incorreta, muito além de dizerem que nossas consoantes pós-alveolares não são alveolo-palatais como as catalãs ou japonesas e sim palato-alveolares velarizadas labializadas como as inglesas, muito além dos paulistas que ficam acusando-nos do traço anormal deles - ditongação excessiva -, muito além de dizerem que nós fechamos [e] e [o] em ambiente átono como os sulistas e paulistas ao invés de deixarem eles médios como os equivalentes espanhóis ou japoneses, muito além de dizerem que nosso /l/ é claro, ao invés de velarizado ou faringealizado, inclusive antes da vogal [i]), tanto que criei uma conta só para corrigir este erro. A pronúncia "pan-fluminense" é geralmente não-uvular-sonora no Distrito Federal, em Santa Catarina, na zona da Mata de Minas Gerais e no Espírito Santo, mas ela é predominantemente uvular na cidade do Rio de Janeiro.

    A minha pronúncia (Niterói de 1 a 5 anos, mãe carioca, bacharel, classe média, pai carioca, ensino médio, intelectual de esquerda, avó paterna carioca, bisavó carioca filha e esposa de português, Nova Iguaçu 5 a 11 anos, avó materna de Cachoeiro do Itapemirim-ES, porém moradora do Rio de Janeiro desde os 9 anos, Rio de Janeiro 12 a 14 anos, pai carioca, bacharel, classe média, madrasta carioca, idem, Nova Iguaçu 14-hoje, mãe carioca) tipicamente alterna fricativa sonora, vibrante múltipla e fricative surda (nessa ordem) tanto velar quanto uvular (sim, eu faço uma vibrante velar com certa naturalidade, como quase todos na minha família, devo dizer que se pudesse não faria porque soa feio riaria), embora eu tenha aproximante/fricativa faríngea em marca e armário, transição glotal em rápido, meSmo e hashi, aproximante retroflexa velarizada em marketing e Mario Kart e tepe em por quê e sem vergonha.
    No caso de Rio de Janeiro, eu uso 1 - fricativa sonora uvular 2 - vibrante múltipla velar 3 - vibrante múltipla uvular

    Na página de Juiz de Fora da Desciclopédia podemos ver que os mineiros revoltz com o sotaque, dentre outras características fluminenses, cujo "erre é pronunciado como se a pessoa estivesse escarrando". É bem o som de uma vibrante múltipla uvular ou velar faringealizada, e isso num lugar remoto e exposto a um dialeto que não é o nosso. Na capital nosso erre é vibrante mais vezes que o lisboeta e que o parisiense. E eu acharia lindo não apenas que nós falantes de línguas europeias inovativas passássemos a ter orgulho do mais bonito dentre os erres guturais, como os falantes das línguas conservadoras (resto do Mediterrâneo e Leste Europeu) passassem a usá-lo também.

    Mas infelizmente, como natural para toda líquida que as vibrantes são, elas tendem a se vocalizarem (daí as pronúncias [u̯ ~ ʊ̯] - vogais /u/ e /i/ tem como alófonos [ʊ] and [ɪ] apenas em dialetos meridio-ocidentais, como o de São Paulo, então acredito que no Rio usemos apenas [u̯] - para o /l/, o ieísmo e o erre caipira, que se trata de uma semivogal roticizada) ou à fortição consonantalizante, óbvia pelo uso de fricativas no português que substituíram as antigas vibrantes tanto no ataque quanto na coda. Sei que isso é natural da evolução e que nenhuma língua ou dialeto é inferior ou superior, mas eu realmente gostaria da boa e velha pronúncia portuguesa (exceto o /l/ pois é muito imprático), quando faço tepe no coda perguntam se estou querendo imitar gauchês ou castelhano.

    Lembrando que isso não é uma batalha ideológica. Falantes de dialetos que não usam esse som geralmente o detestam, já vi até comentários xenófobos de brasileiros com síndrome de vira-lata sobre esse som visto como estereotipicamente europeu. Parece o mesmo que o MALDITO yeísmo do francês e do espanhol (meu nome tem um lh, então sinto-me pessoalmente atacado hehe), tão logo os valores antigos se vão, os indicadores de elite, sejam eles belos ou não, tornam-se odiados. Eu sou anarquista de esquerda, mas eu amo pronúncias e músicas clássicas, acho palidez uma característica muito mais bonita que bronzeamento (ruivos e ruivas *o*), entre outras coisas, mas gente muito mais conservadora e beata que eu iria querer me chamar de nazista por ter esse tipo de opinião, aqui no Brasil como em tantos outros lugares de fato politicamente correto causa uma censura muito forte (vejam bem que não sou oposto a combater linguagem ofensiva, intimidadora e opressiva, sequer sou contra o banimento de discurso de ódio). Triste!

  20. #40
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    Re: Pronúncia de bebês no português do Rio de Janeiro

    Quote Originally Posted by makoto e toshio no rio View Post
    Sei que já faz um tempinho mas lá vou eu.

    Isso é incrivelmente a coisa mais absurda que já li sobre meu dialeto em toda a minha vida (muito além sobre a palatalização da sibilante coda ser anormal, feia ou incorreta, muito além de dizerem que nossas consoantes pós-alveolares não são alveolo-palatais como as catalãs ou japonesas e sim palato-alveolares velarizadas labializadas como as inglesas, muito além dos paulistas que ficam acusando-nos do traço anormal deles - ditongação excessiva -, muito além de dizerem que nós fechamos [e] e [o] em ambiente átono como os sulistas e paulistas ao invés de deixarem eles médios como os equivalentes espanhóis ou japoneses, muito além de dizerem que nosso /l/ é claro, ao invés de velarizado ou faringealizado, inclusive antes da vogal [i]), tanto que criei uma conta só para corrigir este erro. A pronúncia "pan-fluminense" é geralmente não-uvular-sonora no Distrito Federal, em Santa Catarina, na zona da Mata de Minas Gerais e no Espírito Santo, mas ela é predominantemente uvular na cidade do Rio de Janeiro.
    Prepare-se para ser chamado de "português" por uma pessoa neste tópico...

    Quote Originally Posted by ISTRIANO View Post
    ...
    Amigo, até onde eu sei, os baianos são os que mais abrem as vogais pretônicas e postônicas finais (exceto "e" e "u"). "SÍMBOLO" e "TERRÍVEL" (sufixo VEL aberto no sotaque baiano)

    Pronuncio BEBÊS e JESUZ sem a vogal i de apoio, porém concordo com você nos outros exemplos que você deu sobre os dialetos do ES e Brasília. É "mêis", "feiz", "faiz", atraiz" mesmo.

    O que nos diferencia dos cariocas e paulistas é que não temos essa excessiva ditongação nas nasais. Dizemos "bom" e "pronto" sem u de apoio, e "mente" sem o i de apoio, diferente dos cariocas e paulistanos.
    Last edited by Alandria; 16th February 2013 at 5:44 AM.
    I'm BACK, my friends!

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