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'ajudar ele' e língua culta - Brasil

Discussion in 'Português (Portuguese)' started by MTMG, Sep 26, 2010.

  1. MTMG New Member

    Portuguese
    Bom dia.

    preciso de ajuda para perceber se a norma do Português do Brasil permite na escrita este tipo de construção " voltei para ajudar ele", ou se esta é uma construção tipicamente oral.

    Obrigada.
     
  2. Istriano

    Istriano Senior Member

    -
    Já vi nos diálogos. É comum na literatura modernista.
     
  3. dpburn121 New Member

    Brazilian Portuguese
    Não use essa forma. É muito incorreto. o correto é "ajuda-lo". Pessoalmente, eu não acredito em permissões orais ou escrita,baseando-se no fato de que é uma lingua só. Mas sim usam muito essa forma de escrever no oral,não escrita. E sobre a literatura modernista, não acho um exemplo válido já que existe licensa poética no caso
     
  4. Vanda

    Vanda Moderesa de Beagá

    Belo Horizonte, BRASIL
    Português/ Brasil
    Bem-vindo, MTMG , :)

    Depende do contexto em que você quer usar, simplesmente. :) Na linguagem formal, você deve saber que é ''incorreto'', mas na linguagem informal é assim que você lerá e ouvirá da maioria, inclusive dos autores mais modernos... e dos não tão modernos. Machado de Assis usava este tipo de construção quando se referia a personagens não letrados.
    Atualmente, não é o caso de se ser letrado ou não, mas apenas uma questão de contexto, momento. O quê, quando, pra quem deve determinar que tipo de linguagem você deve usar! ;)
     
  5. MTMG New Member

    Portuguese
    Obrigada.:)
     
  6. Denis555

    Denis555 Senior Member

    Cracóvia, Polônia
    Brazilian Portuguese
    Do Dicionário Aulete online:
    3. Pop. Us. no lugar dos pronomes o e lhe: Diga a ele que chego às cinco.: Traga ele aqui. [Este uso pertence mais a uma fase já ultrpassada da língua, sendo considerado não culto, a não ser em determinados casos, com o uso da preposição a (objeto direto preposicionado: ele não me quer, nem eu a ele.) Tb. se usa (raramente) como sujeito imaginário de um verbo impessoal: O dia hoje está péssimo, ele chove sem parar.]

    Fonte.

    Também é considerado correto frases do tipo:
    Eles não me viram mas eu vi a todos eles na festa.

    Esse pronome como objeto direto vem sendo usado desde a época arcaica da língua. Autores quinhetistas portugueses já o usavam. Mas sempre foi considerado como "incorreto". No entanto, na linguagem oral você não soará como um brasileiro se nunca usar tal pronome também com essa função.

    Também é usado em Portugal (mas menos que no Brasil) mas vi na televisão portuguesa uma senhora dizendo sobre a visita do Papa em Portugal: -Sim, eu vi ele!

    Também é usado em Angola. Muito comum lá.

    É interessante que o latim tinha essa possibilidade de pronomes pessoais retos sendo usados como pronomes objetos: "nos" e "vos". Em português fez-se uma pequena diferença: nós - nos, vós - vos; mas em francês já não há essa diferença: nous - nous, vous - vous.

    Em italiano aconteceu o contrário, alguns pronomes objetos passaram para a forma de pronomes pessoais retos substituindo formais originais:
    lui :arrow: egli (=ele) ["lui" substituiu "egli" e hoje tais pronomes são considerados corrretos].
    lei :arrow: ella (=ela)



    Em outras palavras, com os nossos (ajudar) "ele/ela" eu não vejo nenhum motivo para serem terrivelmente evitados.
     
    Last edited: Sep 28, 2010
  7. englishmania

    englishmania Senior Member

    Portugal
    European Portuguese
    ^ Por vezes, em Portugal, verifica-se o uso incorrecto do pronome. Não é comum dizer-se "Eu vi ele". É muito mais provável alguém ter dito "Eu vi ele a acenar" em vez de "Eu vi-o a acenar". Não sei se isso acontece por "incompetência" dos falantes, se por influência (africana ou) das telenovelas brasileiras, com as quais temos contacto há muitos anos, mas a verdade é que se verificam alguns fenómenos. Há situações em que a pronominalização dos complementos (dir. e indir.) não é feita correctamente e saem coisas como "tem de lhe ajudar", "vi-lhe". Soa mal, de facto, mas se repararem, ouve-se de vez em quando.
     
  8. Denis555

    Denis555 Senior Member

    Cracóvia, Polônia
    Brazilian Portuguese

    "incompetência" dos falantes => influência (africana ou) das telenovelas brasileiras

    Observe que você não disse diretamente mas fica subentendido isso.

    O que acontece é que as línguas mudam e uns influenciam os outros nessa mudança. Nada fica como foi uma vez.
    O próprio português de Camões é uma aberração aos olhos dos falantes de latim.
    Seria "incompetência" de todo o povo português por não ter preservado o latim como era e o ter simplificado e mudado para essa forma que chamamos hoje de "língua portuguesa"?

    É essa "incompetência" dos falantes (não só dos africanos e brasileiros) é que faz com que as línguas mudem e evoluam.
    Não conseguimos falar como os nossos país e nem nossos filhos conseguem falar igual a nós.

    Para se pensar...
     
    Last edited: Jun 15, 2011
  9. Alentugano

    Alentugano Senior Member

    Português - Portugal
    Relativamente a este uso tão generalizado no Brasil, especialmente na fala, não creio que seja correto falar em incompetência linguística, mas sim um facto linguístico, que é distinto da realidade portuguesa.
     
  10. machadinho

    machadinho Senior Member

    Ancient Brazilian Portuguese
    Sim e não. Sim, na fala brasileira. Não, na escrita brasileira, exceto em literatura.
     
  11. marta12 Senior Member

    Portugal
    português
    Olá Dennis555

    Embora a Englishmania não precise de defensores, acho que você fez um processo de intenções, que não foi escrito.

    O que a frase quer dizer é que em Portugal tanto pode falar-se de uma maneira incorrecta por incompetência dos falantes, e isso existe, ou por influência Africana (e não é dito, nem sugerido que seja uma incompetência do falante), ou pela influência das telenovelas brasileiras (e também não é dito, nem sugerido que seja uma incompetência do falante).

    Acho mal processos de intenções, sejam eles quais forem.
     
  12. Carfer

    Carfer Senior Member

    Paris, France
    Portuguese - Portugal
    Independentemente de estar de acordo consigo nas considerações que faz, acho que isso não está sequer subentendido no que a english disse, Denis. A frase, tal como a escreveu, tem um sentido claramente disjuntivo: por uma razão (a incompetência dos falantes) ou por outra (a influência africana ou das telenovelas brasileiras). O juízo (necessariamente negativo) sobre a incompetência não se alarga às influências referidas. Pelo menos, é como a leio.

    Quero, no entanto, dizer que, tanto quanto me lembro, esse uso já existia antes das telenovelas brasileiras. Diria mesmo que sempre ouvi dizer isso. Até me parece, aliás, que há casos em que essa construção se pode justificar: 'Ouvi ele dizer uma coisa, ela outra', por exemplo.

    P.S. Afinal a marta já tinha vindo à liça sobre a questão do post da englishmania.
     
  13. machadinho

    machadinho Senior Member

    Ancient Brazilian Portuguese
    Calma, gente, foi só uma formulação infeliz. (Mas que foi infeliz, foi.) Longe de mim defender telenovelas, quanto mais as brasileiras, mas pessoalmente acho que expressões tupiniquins como chama ele aí pra mim são simplesmente mais fáceis de dizer e cansam menos do que chame-mo ou seja lá como os lusos falam nas ruas.
     
  14. marta12 Senior Member

    Portugal
    português
    Nas ruas, Machadinho, pode ouvir dizer:

    Chama lá esse gajo, pá!:)
     
  15. Denis555

    Denis555 Senior Member

    Cracóvia, Polônia
    Brazilian Portuguese
    O meu raciocínio é simples:
    Se você coloca "incompetência", influência africana ou influência brasileira no mesmo patamar.
    Para mim, isso significa o seguinte:
    Você só fala assim se for um falante português incompetente ou um africano ou um brasileiro, logo:
    falante português incompetente = falante africano = falante brasileiro

    Essa não é a ideia principal do minha postagem anterior, é apenas o ponto de partida.
    Por favor, não quero que os portugueses sintam a necessidade de justificar o ponto de vista de ninguém, nem quero que os brasileiros tentem justificar o meu...

    Não vamos tornar isso uma "guerrinha" linguística inútil na qual você defende não necessariamente quem tem razão, mas quem acidentalmente está mais perto de você.
    A ideia nesse fórum é justamente de respeitar a diferença, seja ela de onde quer que venha.
     
  16. Istriano

    Istriano Senior Member

    -
    Eu considero Eu ajudo ele uma redução de Eu ajudo-o a ele (forma tônica, usada em Portugal).
    -o-o a e- causa cacofonia, por isso, umas vogais são suprimidas. :)
    Na fala formal Eu ajudo ele não se usa, mas Eu ajudo-o / Eu o ajudo também não (a não se tratar de leitura, em voz alta, de um texto escrito).
    O mais comum é usar o objeto nulo: Eu ajudo; ou repetir o substantivo/nome: Eu ajudo o menino. Esse filme, eu já vi.

    Se no caso de vi ela temos cacofonia, também temos no caso de eu o ajudo (que soa como eu ajudo) ou eu ajudo-o (que soa como eu ajudo). ;)
    E nem se fala de peguem-nos que pode significar 1. peguem a gente; 2. peguem eles :)
    As formas ''erradas'' são mais precisas. :) A forma padrão defende ambiguidade. :)
     
    Last edited: Jun 15, 2011
  17. machadinho

    machadinho Senior Member

    Ancient Brazilian Portuguese
    Apoiado. Basta ajudo a ele, não?
     
  18. Denis555

    Denis555 Senior Member

    Cracóvia, Polônia
    Brazilian Portuguese
    Concordo plenamente. Tudo depende do contexto.
    No contexto da sua frase só seria verdadeiro se a gramática normativa dissesse que é considerado "pedante" falar "vossos comboios" e a única forma correta fosse "os trens de vocês", logo, mesmo conhecendo a forma correta eles tendessem a dizer "vossos comboios", então eles seriam pedantes.

    "vi ela" parece cacofonia pois lembra "viela" (=rua estreita) da mesma forma que "vi-a" seria cacofonia pois lembra "via" (= caminho, estrada; forma do verbo "ver" -> eu via).:D
     
    Last edited: Jun 15, 2011
  19. joaosilva Senior Member

    Madrid, Spain
    Portugal Portuguese and Spanish
    Denis, o seu raciocinio neste caso não foi simples, foi muito simples.
    Gostava que tentasse desentranhar a maldita frase que é verdade que não esteve muito feliz, mas que não merecia a sua resposta, e deixasse de alimentar a "guerrinha" que você criou.
    E ainda por cima pretender ficar divina, pondo paz...
     
  20. Joca

    Joca Senior Member

    Florianópolis, Brazil
    Brazilian Portuguese
    Não creio (se bem que não posso afirmar que esteja certo disso) que tenha sido por influência das telenovelas brasileiras. Se assim fosse, então também se ouviria (ouvir-se-ia) dizer, em Portugal, "vi ele" em vez de "vi-o". Não sei que tamanho tem a influência da novela brasileira em Portugal, mas imagino que, se tiver havido alguma "contribuição" (agora uso contribuição em vez de influência, para soar mais positivo, hehehehe), deve ter sido no âmbito da gíria e das expressões informais brasileiras, não na construção gramatical. Ou seja, no vocabulário.
     
  21. Alentugano

    Alentugano Senior Member

    Português - Portugal
    A língua não vive da precisão porque se assim fosse seria uma ciência exata, tipo a física ou a matemática. O contexto é importantíssimo em qualquer língua e é através dele que você consegue destrinçar uma boa parte dos significados. No Brasil, a linguagem coloquial descomplicou algumas coisas mas muitas se mantêm ambíguas, dependendo quase exclusivamente do contexto, e ainda bem que assim é. Em Portugal, simplificámos outras e mantivemos ambiguidade em muitas. Se a língua fosse construída com base na precisão, o que seria da poesia e das figuras de estilo?
    Informação adicional: "Eu ajudo-o", em Portugal, soa diferente de "Eu ajudo". A menos que a pessoa esteja a falar muito rápido, na primeira expressão existe um prolongamento do som do "o", que se lê mais ou menos como se a tónica recaísse no último "o": "u-ú". Mesmo que não exista esse arrastamento, o contexto vai esclarecer tudo.
     
  22. J. Bailica Senior Member

    Portugal
    Português - Portugal
    Sim, concordo, acho que é mais no vacabulário do que na gramática que se nota a contribuição brasileira. E, mesmo assim, parece-me que ela é relativamente pequena, o que até às vezes me surpreende, quando penso nisso, tendo em conta a 'exposição massiva' da novela brasileira há umas décadas (muitíssimo menor, agora). É que apenas me lembro de alguns exemplos, como xau, ou tchau (que penso que chegou cá vindo do ciao italiano, passando pela Globo), expressões como estou-me lixando (eu penso que tem origem brasileira, não tenho a certeza), e... não me lembro de mais nada agora! Mas alguns exemplos mais haverá, não muitos.

    O que ficámos foi com muito mais conhecimento de expressões tipicamente brasileiras do que provavelmente os brasileiros das nossas (recentes). Simplesmente não as usamos.

    Quanto ao uso do pronome, da minha experiência diria que depende (do tipo de verbo, do contexto, do falante...). Por exemplo:
    - ajudar ele (vamos ajudar ele, por exemplo): só por acidente alguém dirá isso, na minha opinião; eu ajudo-o a ele, como diz o Istriano, ouve-se, normalmente para dar mais ênfase; e associada a outra oração (eu ajudo-o a ele, e ele ajuda-me a mim; eu ajudo-o a ele (e não a outro), por exemplo)
    - dizer a ele (diz a ele): parece-me que é mais comum, sobretudo num registo popular\informal; e mais em frases como 'diz a ele que venha cá'; penso que, mais uma vez, resulta mais enfático, mais explícito (por isso, quando se quer ebfatizar a 2ª pessoa, no imperativo, nunca se diz 'diz a ele tu!', ou diz tu a ele!, mas sempre diz-lhe tu!, para realçar o 'tu' (à custa de esvaziar o 'ele' por via do 'lhe'); curiosamente, além disso, parece-me que é mais frequente, mas tamném num registo informal\popular, no plural (diz a eles que agora não posso).
     
    Last edited: Jun 15, 2011
  23. Macunaíma

    Macunaíma Senior Member

    Um ninho de mafagalfinhos
    português, Brasil
    O uso de pronomes oblíquos é a diferença mais irreconciliável, irretratável e definitiva entre o português brasileiro e o de Portugal. Por aqui, dizer "mande ele entrar" não é questão de incompetência - qualquer brasileiro fala assim, seja um banhista na praia ou um Ministro do STF conversando com os netos em casa. Escrever assim em e-mails, chats, blogs, tweets, etc, não é novidade há tempos, e a literatura - que ainda é majoritariamente escrita em português padrão, fique claro - vai incorporando essas formas intencionalmente, como licença ou para melhor reproduzir a fala espontânea. Eu acho engraçado brasileiro vir aqui dizer para um estudante de português que isso é "errado" e pronto. Não seria mais produtivo dizer "a gramática prescreve assim, e isso é cobrado em exames, mas 99,9% das pessoas, incluindo os editores das gramáticas, os tipógrafos e os livreiros, com exceção dos excêntricos por vocação, falam assado"? Aprender o que é certo e errado pela gramática é fácil, para isso não precisa de fórum, só olhar no Google.
     
    Last edited: Jun 16, 2011
  24. joaosilva Senior Member

    Madrid, Spain
    Portugal Portuguese and Spanish
    Quem fala assim não é gago!
    Eu vou ao teu encontro nesse país chamado Bom Senso, não é difícil aí chegar pois não?
     
  25. machadinho

    machadinho Senior Member

    Ancient Brazilian Portuguese
    Acho que todo mundo deveria falar em versos.
     
  26. Audie Senior Member

    Brazil Portuguese
    Parece-me que está a faltar um ponto de interrogação logo após 'assado'. Têm a mesma percepção?
     
  27. Macunaíma

    Macunaíma Senior Member

    Um ninho de mafagalfinhos
    português, Brasil
    É piada, né? Boa!

    Mas bem lembrado, vou por a interrogação lá. Valeu!
     
  28. Joca

    Joca Senior Member

    Florianópolis, Brazil
    Brazilian Portuguese
    Você está querendo insinuar que deveríamos ser como os cantores de ópera? :)

    Por falar nisso - está bem, isso é off-toppic -, como se diz, numa só palavra, cantor(a) de ópera? :)

    Operista?
     
  29. Joca

    Joca Senior Member

    Florianópolis, Brazil
    Brazilian Portuguese
    :) Essa foi ótima!!!

    O problema será como pronunciar o J em italiano.

    Naquela língua essa letra não existe............:D
     
  30. Istriano

    Istriano Senior Member

    -
    Existe em uns topônimos: Lido di Jesolo, uma cidade que fica perto daqui.
    (Jesolo na Itália é como Bahia no Brasil :D )
     
  31. GamblingCamel

    GamblingCamel Senior Member

    USA English CULTA + RUA
    haha you guys are such jocas !
     
  32. Vanda

    Vanda Moderesa de Beagá

    Belo Horizonte, BRASIL
    Português/ Brasil
    ahem... Voltando ao tópico... o Istriano apontou algo interessante no outro fórum sobre a percepção do estrangeiro aprendendo português e nossos ultragramáticos professores de língua. O comentário da estudante estrangeira fala da ultracorreção dos professores e a realidade da fala. Por isso eu sempre digo que tanto ao ensinar quanto ao aprender uma língua devemos ter a opção de conhecer as variantes usadas. O coitado do estrangeiro aprende a mesóclise (quem usa no Brasil?), a ênclise, diabo a quatro, para ouvir diariamente a próclise. Daí quando ele vai perguntar a respeito, todo o mundo, solicitamente, corre para explicar a regra - que o coitado nunca vai ver no uso. Gosto de aprender (e de ensinar) ambos os usos, a opção de qual variante usar vai ficar por minha conta ou da conta do aprendiz em questão. Gosto de ter liberdade e de dá-la (credo! eu disse dá-la?).
    Atenção: pra quem tá pegando o bonde no meio do caminho, falo como brasileira e para o uso brasileiro. Não me entendam mal.
     
  33. machadinho

    machadinho Senior Member

    Ancient Brazilian Portuguese
    Curiosa, a tal Danielle. Fazendo vista grossa para algumas barbaridades, acho que ela foi no ponto.
    Mas bem que eu gostaria de ouvi-la [sic] pronunciar through e out como ela escreve!

    Mas fazer o quê? Dividir o fórum Português em 2?
    O Português Escrito e o Português Falado?
     
    Last edited: Jun 16, 2011
  34. Vanda

    Vanda Moderesa de Beagá

    Belo Horizonte, BRASIL
    Português/ Brasil
    Acho que temos deixado claro aos aprendizes o que se diz e o que se escreve. Eu faço questão de pontuar sempre se é coloquial, formal, informal, etc... É bom saber com que tipo de registros estamos lidando. Quero dizer, eu gosto de saber isso quando estou no inglês.
     
  35. Alentugano

    Alentugano Senior Member

    Português - Portugal
    Ahh..Vandinha, aqui cê tem que concordar que "Gosto de ter liberdade e de dá-la" fica mais bonito (ao menos na escrita) do que "Gosto de ter liberdade e de dar ela." Nem todos os casos são iguais, né? Talvez por isso ainda tenha tanto brasileiro discordando do uso generalizado. Fui Bem? :D
     
  36. Vanda

    Vanda Moderesa de Beagá

    Belo Horizonte, BRASIL
    Português/ Brasil
    Muito bem! Acertou na mosca!
     
  37. Odinilson

    Odinilson Junior Member

    Rio de Janeiro, Brasil.
    Português (Brasil)
    Escreve-se "ajudá-lo".
    Mas caso seja visto "Ajudar ele", com certeza terá também os seus "irmãos": Cê tá bem ?, tu é parceiro etc. Ou seja, reproduções de linguagens coloquiais.
     
  38. Istriano

    Istriano Senior Member

    -
    escreve-se, ajudá-lo, chamo-me (formal)
    se escreve, ajudar ele, me chamo (informal)

    Nem é um assunto de ''falar'' ou ''escrever'', pois também temos a escrita informal (usada nas salas de bate-papo e no MSN, bem como nos roteiros de filmes e novelas) e a fala formal...
     
  39. Denis555

    Denis555 Senior Member

    Cracóvia, Polônia
    Brazilian Portuguese
    O que eu venho dizendo aqui desde o início é que existe uma "máquina" chamada tempo que transfoma tudo! Na língua também!
    Em vez de vermos isso na língua como uma degradação, um desgaste, uma deterioração devemos vê-lo como um processo natural de renovação. Esse processo natural é, em partes, freado pela escrita (mesmo assim, existem as tais "reformas ortográficas").

    Há algumas "tendências" observáveis, por ex. lei do "menor esforço":
    vossa mercê (enorme! já enterrado) -> vos'mercê (arcaico, de vez em quando encontrado sendo falado no interior) vosmecê (continuou encurtando agora visto como uma só palavra) -> você (aceito na escrita e falado, vivo) -> (já falado, já nasceu, mas ainda não tem a maioridade ;))-> ê (num futuro? ainda não concebido:D) -> [....] (nada!:p num futuro distante, agora a "onda" é telepatia! Palavra...Que coisa primitiva! :rolleyes:)

    Algumas dessas formas são piores do que a imediatamente anterior?

    "Ajudar ele" (já é velhinho :p, tem no mínimo uns 500 anos!) como eu disse na minha primeira postagem, é um comentário que está pra todo mundo ler no Dicionário Aurélio sobre o verbete "ele" (entre outros livros de língua).

    "Ajudar ele" é largamente falado no Brasil e em Angola. E por minha própria experiência usado em Portugal. Já tive a oportunidade de falar com 2 portugueses em momentos distintos que usaram "vi ele" (todos os dois da cidade do Porto, Portugal) e a senhora que eu vi (que falou a mesma coisa) na televisão também estava no Porto.
    Os nossos amigos portugueses podem, quiçá, dar uma luz do porquê desse uso nessa cidade em particular...

    Uma ideia equivocada é que "essas coisas" de desvio do padrão só acontece no Brasil. No nosso país irmão Portugal acontece a mesma coisa, numa situação semelhante à nossa ou diferente.

    Ontem mesmo, eu falando com uma colega português, notei que ele dizia "num" em vez de "não" como nós brasileiros :).

    Em termos de menor esforço não pronunciado /nãũ/ é reduzido para num pronunciado /nũ/, ou seja,
    nũ dá menos esforço do que nãũ

    A gramática normativa idealizada é falada APENAS por quem não aprendeu a língua por um processo natural - o estrangeiro!
    Uma vez uma professora minha foi aos Estados Unidos e disse que lhe comentaram: -Ah, eu logo notei que você era estrangeira, não pelo seu sotaque, mas por você falar tudo "certinho". :D
     
    Last edited: Jun 17, 2011
  40. joaosilva Senior Member

    Madrid, Spain
    Portugal Portuguese and Spanish
     
  41. Vanda

    Vanda Moderesa de Beagá

    Belo Horizonte, BRASIL
    Português/ Brasil
    Aconteceu o mesmo com a minha ex-diretora num instituto de línguas em que trabalhava. Foi fazer um curso nos EUA e os colegas dela diziam isto: você fala tudo tão certinho! O negócio é danado, a gente faz tudo pra aprender a língua ''direitinha'' e na hora de comunicar - e a gente não quer errar, dar mancada, nem nada - acaba descobrindo que estamos ''certinhos'' demais. Por isso continuo repetindo: temos que aprender as possíveis variantes para saber navegar em qualquer água. Meu professor de teoria da Língua Portuguesa na faculdade dizia: primeiro vocês têm que aprender o ''certo'' (a língua padrão/culta/formal/sei-lá-que-nome-damos-a-ela) depois você pode dizer o que quiser. Ele falou isso quando arrumamos a maior briga ao saber que Vieira e Camões usavam ''meios mortos''.
     
  42. Joca

    Joca Senior Member

    Florianópolis, Brazil
    Brazilian Portuguese
    Sim, mas uma coisa que me incomoda, por assim dizer, é erro de ortografia.

    Você pode até falar "errado", dependendo do contexo, mas escrever errado, seja formal ou informalmente, para mim é inadmíssivel.

    Estarei sendo rígido? :D
     
  43. machadinho

    machadinho Senior Member

    Ancient Brazilian Portuguese
    Giocca, você considera xô i então para dizer deixe-me ir então erro de ortografia?
     
  44. breezeofwater

    breezeofwater Senior Member

    Living in Paris
    Portuguese (Portugal)
    Sinceramente ensinaram-me a vida toda que o correcto é 'Ouvi-o dizer uma coisa, ela outra' porque não há possibilidade de confusão (de género).
    Se alguma vez tivesse tido o descuido de falar assim 'Ouvi ele dizer, dar a ele, dizer a ela' perto de alguém seria logo considerado, justo ou não!, como portugês incorrecto, baixo nível. Talvez por isso me custe tanto traduzir assim mesmo para PTB.
    Uma amiga brasileira sempre me disse que a professora de português dela (também brasileira) insistia muito para que os alunos utilizassem o pronome tanto na escrita como na oral e ela mesmo fazia-o. Será questão de opinião??
    Mas o certo é que sempre ouvi esse uso falado por brasileiros e isso também ao vivo, não so nas novelas! :p
    BW
     
  45. Vanda

    Vanda Moderesa de Beagá

    Belo Horizonte, BRASIL
    Português/ Brasil
    É, tenho que confessar que meu lado professora também se incomoda muito com os erros de ortografia, enquanto não os corrijo não me sinto bem (caso seja possível corrigir).
     
  46. Joca

    Joca Senior Member

    Florianópolis, Brazil
    Brazilian Portuguese
    Não, desde que tenha sido você quem escreveu assim... :D
     
  47. joaosilva Senior Member

    Madrid, Spain
    Portugal Portuguese and Spanish
    Está sim...:D
    Quando você vê erros de ortografia, pode acontecer a pessoa saber perfeitamente como se escreve, mas por falta de atenção, rapidez... escreve errado (falta de acentos, falta de letras, pontuação incorrecta, etc.) ou uma confusão com outra língua, ou não adecuação a uma nova norma ortográfica... (vai acontecer tanto! comigo, por exemplo: por isso é que eu me vou já desculpando;))

    Quando é por falta da instrução necessária... eu não seria muito rígido... nem toda a gente tem as mesmas oportunidades

    Acho que deve ser mais para os que tendo a instrução suficiente, são pessoas que nunca lêem, não escrevem; nem agradecem a instrução que receberam, são até capazes de a desprezar... mas acabam por obedecer a circunstâncias sociais que de certeza não podem dominar...

    Portanto, acho que se poderia tentar ajudar a quem se deixar ajudar, mas também não se preocupar muito com o resto

    Pode ter acontecido ter dado algúm erro sem ter percebido. Eu deixo-me ajudar.
     
  48. Joca

    Joca Senior Member

    Florianópolis, Brazil
    Brazilian Portuguese

    hahaha

    Eu sabia que estava sendo rígido.

    Mas o fato é que me incomoda mais, muito mais, em pessoas que se dizem cultas. Hoje, com tantos recursos na Internet, só escreve errado quem quer ou é preguiçoso.

    Está bem, pode dizer que continuo sendo rígido... :D


    PS. "Adecuação" - acho que você se deixou levar pelo Castelhano....
     
    Last edited: Jun 17, 2011
  49. breezeofwater

    breezeofwater Senior Member

    Living in Paris
    Portuguese (Portugal)
    Isso aconteceu comigo mesma aquando do meu primeiro semestre de estudos em França.
    Uma estudante francesa disse-me - C’est mignon (Que lindinho!), tu parles comme dans les livres !
    E pensava eu : - Mas isso é mau ?? Grrr :mad:
    Outra estudante espanhola acrescentou: - If faut que tu apprends un peu d’agrot mademoiselle!
    Errinho errãao! O verbo deve conjugar-se no conjuntvo, como em portugues, (il faut que tu apprennes) coisa que lhe escapou, mas eu nao disse nada eu tomei em conta que o meu francês era muito certinho!! :p

    Por isso estou de acordo com o teu professor Vanda e sem querer abrir um debate, discordo de Camões porque eu diria meio mortos! Kkk

    Eu diria que o ideal é saber adaptar o estilo de língua às diversas situações da vida. Por vezes um vocábulo erudito é magistral mas noutros casos uma uma bela asneira (palavrão) é o ideal para exprimir certas ideias em certos contextos.
    Mas como diria o Joca é bom evitar os erros de ortografia, porque esses não ficam bem em nenhuma...

    BW
     
  50. Joca

    Joca Senior Member

    Florianópolis, Brazil
    Brazilian Portuguese
    Ela disse mesmo "agrot", ou este foi um erro de ortografia? :D
     

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