'Chegar a casa', ou 'chegar em casa'?

Discussion in 'Português (Portuguese)' started by Southdown, Nov 26, 2009.

  1. Southdown Junior Member

    Brighton, England.
    English - England
    Olá gente !

    1. 'Chegar a casa' ou
    2. 'Chegar em casa'?

    Suponho que 1. se diga em Portugal e que 2. se diga no Brasil. Pode ser?

    Obrigado por toda ajuda que a gente pode me dar.
     
  2. anaczz

    anaczz Senior Member

    À beira do Oceano Atlântico
    Português (Brasil)
    Está correto. Em Portugal chega-se a casa e no Brasil chega-se em casa.
     
  3. Brass

    Brass Senior Member

    Brazil
    Portuguese (Brazilian)
    Apenas para observar que o "a", no caso de "chegar à casa" deveria levar o acento crase (substituindo por um substantivo masculino, o artigo seria exigido, como, por exemplo, em "chegar ao escritório"). Concordam?
     
    Last edited: Nov 26, 2009
  4. Leandro

    Leandro Senior Member

    Rio de Janeiro
    Brazil - Portuguese
    Olá, Southdown

    Na verdade, o gramaticalmente correto é "chegar a casa" (sem crase) tanto no Brasil como em Portugal. Tudo bem que aqui no Brasil ninguém fala "chegar a casa", mas sim "chegar em casa". Porém isso só é aceito na fala. Em uma prova de português ou em uma redação, escrever "chegar em casa" seria considerado um erro gramatical de regência.

    Brass, "a casa" só vai ter crase se casa tiver um adjunto adnominal (um modificador) como em "chegou/fui/vou à casa de pedro", mas "chegou/fui/vou a casa...."
     
  5. Alentugano

    Alentugano Senior Member

    Português - Portugal
    De facto, também é assim em Portugal.
     
  6. ScarlettK Junior Member

    Brazil
    Brazilian Portuguese
    Sinceramente, aos meus ouvidos, "chegar a casa" soa estranho até mesmo na escrita. Sempre soube que é a forma correta, gramatical, mas além de ninguem usa-la, pra mim, parece até que o sentido muda um pouco. Acho que é o tipo de coisa que só é pertinente em pegadinha de vestibular, prova de regencia, nada mais... porque o "chegar em" já dominou completamente nossa linguagem.
     
  7. Alandria Senior Member

    Brasil - São Paulo
    Português
    Correto, na norma culta é "chegar a" mesmo. E é assim que aparece nos jornais, revistas e em portais importantes da internet.
     
  8. Benvindo Senior Member

    Brazil, Portuguese
    Discordo. No Brasil, mesmo os meios de comunicação usam maciçamente chegar em casa. Ainda ontem o noticiário da TV deu que o paulistano ia ter dificuldade de chegar em casa por causa da chuva forte na parte da tarde. Na internet não é diferente: c. 280.000 ocorrências no Yahoo de chegar a casa (em que se incluem as ocorrências de chegar à casa seguido de algum qualificativo de casa que justifique a crase; o software de pesquisa não faz distinção entre a e à) contra c. de 730.000 de chegar em casa.
     
    Last edited: Nov 27, 2009
  9. almufadado

    almufadado Senior Member

    Earth
    Português de Portugal
    Quando se diz "Chegar à casa " tem de se especificar a que casa :

    "Eu cheguei à casa do João por volta das 8, e tu a que horas chegaste à casa dele ?

    "No jogo da glória quando se chega à casa final ganha-se o jogo ".

    Os Portugueses no "chegar a casa " contentam-se em chegar à porta de casa (nunca se lembram da possibilidade de se terem esquecido da chave :) e não poderem entrar em casa ) e os Brasileiros quando "chegar em casa" chegam lá dentro de casa mesmo. ;)

    Há apenas uma situação que os Portugueses dizem das duas maneiras que é em geral numa condicional:
    "Quando chegares em casa, vê se encontras a minha chave senão não vou conseguir entrar em casa !"
     
  10. Alandria Senior Member

    Brasil - São Paulo
    Português
    Veja que eu NÃO especifiquei sobre o "chegar a casa", e sim, "chegar a". Tal como "O presidente Luís Inácio Lula da Silva chega ao Brasil nesta sexta-feira". Me mostre o contrário com relação ao que poderia encontrar no Terra, Uol ou Estadão, que eu calo a minha boca.
     
  11. Southdown Junior Member

    Brighton, England.
    English - England
    Eu queria agradecer a todos por ter respondido a minha pergunta. Nunca imagenei que seria tao complicado, contestado !
     
  12. Benvindo Senior Member

    Brazil, Portuguese

    O thread é sobre chegar a casa ou chegar em casa, não sobre chegar a. Na minha resposta, supus - acredito que de forma razoável - que esse era o assunto. Ninguém contesta que a regência de chegar - descontado o caso especial de chegar em casa usado no Brasil - é com a preposição a; basta olhar em qualquer dicionário, porém não é este o assunto do thread. Portanto não se sinta obrigada a calar a sua boca, ou melhor, faça o que quiser, não é problema meu.
     
  13. Istriano

    Istriano Senior Member

    -
    Nunca vi chegar a casa. Chegar a casa significaria chegar até uma casa, mas não entrar nela. É chegar em casa. Sempre escrevi assim e nenhuma professora torceu o nariz. Até C.P. Luft aprova.


    Chegar a casa (Portugal) = Chegar em casa (Brasil).
    Entrar en casa (Espanha) = Entrar a casa (México, Argentina, Chile, Cuba...)

    No Brasil é muito comum o uso da preposição EM com verbos de movimento, na fala, e na literatura modernista, como no latim, e no português (e no espanhol) clássico:


    http://www.ciberduvidas.com/pergunta.php?id=15632




    Chegar a significa chegar até: chegar até/a uma conclusão.
    É bem diferente de chegar em (que inclui um movimento p/ dentro).

    Se em inglês (on/in the street) e em espanhol (entrar a/en) se respeita a diversidade linguística, o mesmo deveria se fazer no caso de português.
     
    Last edited: Nov 28, 2009
  14. Madrid-Mesa New Member

    Castilian (spanish) - Colombia/México

    Concordo con o fato da preposição "em" especificar a ideia (ideia = novo acordo ortg) de ingresso e "a" chegada ou passagem só.
    Mas, como pode conferir, minha língua natal é o castelhano (muitos gostamos de chamar assim a língua a nós ensinada pelos espanhóis) das duas culturas nas quais fui criado: a colombiana e a mexicana. Não é certo, porém, que só na Espanha se fale de entrar en casa; mesmo na Espanha convivem as duas formas. No caso da Colômbia prevalece entrar a la casa (seja qual for o caso, geral ou particular, definido ou não); e no caso mexicano as duas formas convivem, tanto assim que às vezes, as traduções dos filmes (a maioria dos filmes são traduzidos no México) preferem a forma entrar en casa.

    Não duvido de seu conhecimento, mas na minha experiência de vida nas duas culturas hispanófonas, nunca a diferencia de usos foi tão evidente como existe no caso brasileiro/português (seja dito de passagem, as diferências/diferenças entre português europeu e brasileiro são muito mais profundas e morfológicas do que o castelhano ibérico e o hispanoamericano).
     
  15. Alentugano

    Alentugano Senior Member

    Português - Portugal
    Entrar em casa e chegar a casa são duas coisas diferentes em português.
     
  16. Istriano

    Istriano Senior Member

    -

    São, e não são. :D

    Para mim sempre com EM: entrar em casa, chegar em casa, ir lá em casa, ir de bar em bar
    (e nunca: com A)

    Para um argentino: é sempre só com A.


    Parece que você não entendeu, tanto ENTREI NO BAR quanto CHEGUEI/FUI NO BAR dão uma ideia de entrar (''movimento para dentro'' como diriam os linguistas).
    Já CHEGUEI/FUI AO BAR tem uma ideia diferente: CHEGUEI/FUI ATÉ O BAR. ;) [Eu posso ter entrado ou não].

    O uso da preposição EM com verbos de movimento é muito comum na fala brasileira, e também na literatura (''Não vim no mundo para ser pedra'' Mário de Andrade).
    Pouco importa se esse uso não apraz aos jornalistas das revistinhas direitistas.
     
    Last edited: Mar 23, 2011
  17. Istriano

    Istriano Senior Member

    -
    google site:es


    ''entrad en la casa'' 3 490
    ''entrad a la casa'' 2

    ;) [Na Espanha convivem LINDO e GUAPO, só que ninguém usa LINDO rs]
     
    Last edited: Mar 23, 2011
  18. Istriano

    Istriano Senior Member

    -
    As diferenças morfológicas e fonológicas são mínimas.
    Acho que você quis dizer: diferenças sintáticas e fonéticas.

    E isso, falando de mesoleto [fala de pessoas de classe média e a língua usada na literatura moderna]

    Mas a língua padrão (acroleto) é a mesma, como o são alemão suíço e o Hochdeutsch.

    Além de português brasileiro, e alemão suiço, há outras línguas europeias com grandes diferenças entre o acroleto (língua formal escrita), e o mesoleto (língua falada usada por pessoas escolarizadas), [ basileto (''dialeto'' rural e ''giria'' urbana) nem se fala]: por exemplo o tcheco e o finlandês...


    Os falantes de espanhol se gabam de ter uma língua unida, mas por exemplo

    1. Ninguém usa na Costa Rica porque consideram feio, todo mundo usa Usted que virou um pronome geral (tanto informal como formal), como você na maior parte do Brasil.
    2. Na Espanha, todo mundo usa , e Usted se usa só com as pessoas muito velhas (>60/65 anos)
    3. Na Argentina, usam vos, e não , e Usted é formal (e não informal como na Costa Rica).

    E o sistema verbal nem se fala.

    1. Se diz Ayer he ido no Norte da Espanha (Cantábria, País Basco, Castilha a Velha), na Bolívia, e no Noroeste Argentino (entre Córdoba e Jujuy).
    Mas é mal-visto em outros lugares (onde só se fala: Ayer fui e nunca Ayer he ido).

    2. e com ya/todavía

    Ya llegué no Noroeste da España (Vigo, A Corunha, Oviedo, Salamanca, Zámora, Leão), nas ilhas Canárias, em Buenos Aires.
    Ya he llegado no Noroeste da Argentina (entre Córdoba e Jujuy), na Bolívia, e na maior parte da Espanha.

    Há muitíssimos usos, muitíssimas interpretações, e muitíssimos ''erros'' (relativos)...

    Em Salamanca e em Buenos Aires: Ya fui. /// Ayer fui.
    Em Valladolid e em Santiago del Estero: Ya he ido. /// Ayer he ido.

    ;) Parece que Buenos Aires recebeu imigrantes galegos e leoneses...E o Noroeste argentino recebeu os imigrantes do Norte da Espanha (mas não do Noroeste)...rs
     
    Last edited: Mar 23, 2011
  19. Alentugano

    Alentugano Senior Member

    Português - Portugal
    Quem é que usa fui ao bar querendo dizer que chegou perto ou à porta do bar? Nunca ouvi esse uso, nem aqui, nem vindo Brasil. Esse argumento não convence. Quer dizer que não seria possível aguém falar, na norma brasileira, fui no bar mas fiquei na porta/fui barrado na porta? Nesse caso você não entrou, mas ainda assim, foi no bar.
     
    Last edited: Mar 23, 2011
  20. Istriano

    Istriano Senior Member

    -
    Convence sim senhor. :)
    Nada na língua é por acaso.



    http://ciberduvidas.sapo.pt/pergunta.php?id=15632
     
  21. anaczz

    anaczz Senior Member

    À beira do Oceano Atlântico
    Português (Brasil)
    Concordo com o Alentugano. Apesar desses diferentes significados para as duas preposições, o uso, tanto em Portugal quanto no Brasil, já criou sentido próprio. Quando, em Portugal, alguém diz:
    -Vou a casa num instante.
    Ninguém supõe que o gajo vá ficar parado à porta de casa. É óbvio que, se ele vai a casa, vai nela entrar.
    Da mesma forma, quando dizemos no Brasil:
    -Passei na casa de Fulano.
    Não está implícito, necessariamente, que eu entrei na casa; geralmente quer dizer isso, mas também posso ter só passado de carro, em frente à casa, ou parado em frente ao portão e conversado com o Fulano ali mesmo, sem entrar.
    Não sei se é geral mas me parece que no Brasil usamos "ir a" algum lugar em frases onde se quer dar a noção de algo que é freqüente, por exemplo, vou ao cinema sempre que posso, vou ao bar do João todos os sábados, etc.
    É semelhante ao uso de em e por.
    Na cidade de São Paulo, pelo menos no meio em que fui criada, diz-se:
    -Passei na casa de Fulano e isso pode significar que fui até lá, entrei, etc.
    No interior de São Paulo, parece que é generalizado usar-se "Passei pela casa de Fulano", com o mesmo significado.
    A princípio, quando ouvia essa frase, estranhava muito e não conseguia admitir outro sentido que não fosse passar em frente à casa e seguir, sem nem sequer parar.
     
    Last edited: Mar 23, 2011
  22. Alentugano

    Alentugano Senior Member

    Português - Portugal
    Meu caro, eu não disse que o uso de "ir em" está errado. A reposta de Ciberdúvidas que você cita baseia-se na realidade da língua que é falada no Brasil, e não na realidade portuguesa. Isso é um facto, e ninguém vai querer - nem iriam conseguir, mesmo que quisessem - mudar a forma como a maioria das pessoas fala e grande parte delas escreve no seu país. Eu também poderia dizer que não, que usando a lógica, "ir em" alguma coisa, é estar em/dentro/em cima de alguma coisa, é assim que eu e quase todos em Portugal interpretamos a expressão. Mas isso não faz a menor diferença.
    No mais, para mim, sentar-me numa mesa é sentar em cima da mesa, tal como sentar-me numa cadeira é ficar em cima da cadeira.
    Vou a casa comporta exatamente a ideia de que vou entrar na casa e não vou demorar para voltar a sair. Vou para casa, à partida, entendo como indo para casa para ficar, por exemplo, até ao dia seguinte.
    Todos têm razão, e não há uma forma, um argumento ou uma explicação que seja mais válida que outra para explicar o fenómeno. Os seus argumentos não me convencem a mim, nem, imagino, os meus a você.

    Ah, e não creio que seja uma questão de ser de direita ou de esquerda que vai fazer diferença... falo pela realidade que conheço no meu país.
     
    Last edited: Mar 23, 2011
  23. Alentugano

    Alentugano Senior Member

    Português - Portugal
    :tick: É isso mesmo, Ana, nada como alguém que conhece as duas realidades. :)
    Também me parece óbvio. Até mesmo aqui já não é tão incomum ouvir dizer "passo lá na tua casa?", "passei lá em casa". Julgo que não se usa assim tanto é passei à tua casa; o mais comum será passei por tua/pela tua casa.
     
    Last edited: Mar 23, 2011
  24. Istriano

    Istriano Senior Member

    -
    Bom, são usos diferentes,
    para muitas pessoas no Brasil existe uma diferença entre
    ir em, ir a/até e ir para.

    Mas muitas pessoas (66% diria eu) usam só ir para:

    Vou pra escola.
    Vou pro cinema.
    Já fui pra Londres, três vezes...

    Eu não sei explicar a diferença entre ir em e ir a/até,
    e sei que muitos portugueses estranham,
    mas para mim também é bem ''diferente'' o uso português de menor e de mais pequeno: irmão menor ~ sapato mais pequeno
    visto que eu uso só menor para as duas coisas.


    No entanto, pode ser que o português brasileiro esteja se aproximando do francês e do italiano, e o uso de EM vs A (e também PARA) varia de acordo com a palavra usada...

    vou ao teatro,
    vou ao/no cinema
    vou na praia
    vou na/pra balada
    vou pro motel

    vou lá em casa
    vou p/casa
    chego em casa
    chego ao/até o fim
     
    Last edited: Mar 23, 2011
  25. Madrid-Mesa New Member

    Castilian (spanish) - Colombia/México
    Tem razão respeito às diferenças fonéticas e sintáticas. Mesmo assim, são maiores no português pois não é usual em castelhano (americano especialmente) situações de falta de entendimento (tirando as diferenças no léxico, seja dito).

    Nós não gabamos-nos de nada, eu saliento o que percebo, não qualifico. De fato, as diferenças do português europeu e brasileiro tornam a língua mais interessante...

    Por outra parte, nunca uso a palavra "ninguém" para me referir aos casos de uso da língua portuguesa. Tem usos gerais, mais aceitos, o que não quer dizer que seja uma imposição, verdade absoluta ou fato incontestável: na Costa Rica (que espero tenha visitado) usa-se tú, embora não é comum. Na Espanha usa-se usted em alguns contextos, nem sempre com velhos, mas a forma comum é tú. Razão sua. Em nenhum dos casos é "considerado feio" seu uso. É pouco usual, só. De novo, as qualificações não fazem jus à riqueza da língua.

    A conjugação em tempos perfeitos (he ido, he venido, he estado) não é comum na América, mas também não ´é "feio" como você disse. Simplesmente não é comum, e é estranho encontrar tal uso. Alias, na língua escrita usa-se, formalmente ou na literatura.


    Você explicou muito bem como a origem dos imigrantes explica parcialmente a adoção de usos e costumes lingüísticos. Daí, não é preciso falar em gabar-se ou em língua "feia". São usos que impõem-se, pois as línguas são dinâmicas.

    (em espanhol, não é correto se gabar de unidade: não adianta, pois trata-se de uma herança espanhola que foi imposta inicialmente através da RAE. Nas últimas décadas, abriu-se o espaço para fazer dessa construção uma tarefa comum de todos os países hispânicos.
    No caso de português, podem-se gabar de ter uma língua combinada pelas partes, pelo fato de tratar-se de um Acordo ortográfico, viu?)
     
    Last edited: Apr 2, 2011
  26. Audie Senior Member

    Brazil Portuguese
    Eu me incluo nos 34% (desse cálculo "istriânico" :D). Intuitivamente emprego "em" (que soa horrivelmente aos meus ouvidos, mas quando falo nem percebo, porque é uso mais comum aqui no Recife) ou "a/até" quando vou e volto "logo":
    Vou no shopping / Vou ao/até o shopping
    Vou na padaria / Vou à/até a padaria
    Vou na casa de tia Maria / Vou à/até a casa de tia Maria


    Quando eu "vou para" eu demoro mais um tiquinho lá:

    Vou pra Cabrobó passar as férias
    Vou (me embora) pra Pasárgada
    Vou pras cucuias (oops, não vou, não!)

    Mas... também vou "pra escola" (ou ia...) :eek:
    e, morando perto da praia (o que significa que posso ir e voltar algumas vezes ao dia), também só digo "vou pra praia", nunca, jamais digo "vou na praia", e apenas repito o que a maioria diz!

    Claro que, na escrita o "vou na" não vai de jeito nenhum!

    Enfim, também não sei explicar!
     
    Last edited: Apr 2, 2011
  27. Alandria Senior Member

    Brasil - São Paulo
    Português
    Uso pra e em na maioria dos casos.
    Isso informalmente, claro.
     
    Last edited: Apr 2, 2011
  28. Istriano

    Istriano Senior Member

    -
    Eu não uso ''vou pra praia'' por cacofonia. ;)
     
  29. Vando New Member

    português
    A despeito dos argumentos monumentalmente erguidos em defesa da chamada "vida da língua", o que é usual não necessariamente serve, de um ponto de vista lógico, etimológico, gramatical etc., a ser posto como regra, pela aclamada "vida da língua". Já diminuímos o termo "prostituta", por exemplo, a "puta"; nem por isso, me parece, cabe tornar normatizado que se escreva "pt"... De maneira similar, argumento de volta ao post originário. O verbo "chegar" rege à preposição "a", independentemente de aonde se chega; quer seja a [artigo] minha, quer seja a [artigo] de fulana, é sempre a [preposição] uma casa que chego, ou a um lugar qualquer; não me é possível, por uma questão de regência verbal, chegar em casa, e se tentar posso ficar perdido pelo caminho, pois "em casa" nunca se chega...
    Aprendi com meus professores, ainda, que não usaríamos crase quando a referência local é a casa do próprio que fala: se chego à casa de Joana, é assim craseado que escrevo, mas se chego aonde moro, não chegaria, assim "à casa", mas "a casa", pelo fato de ser ela íntima a mim, isto é, chego "a minha casa", e o pronome possessivo substitui, portanto ao artigo - o que explicaria o desnecessário acento grave.
    Finalizo dizendo que, contudo, o futuro pode tornar, pela aclamada - digo ainda - "vida da língua", defensável o uso de "chegar em casa"; por agora não me parece viável. A não podemos nos esquecer de que na regência, o termo dependente, no presente caso, a preposição, faz referência ao sentido do termo regente - o verbo. Perder esse elo significa diminuir a clareza semântica dos enunciados lusófonos, das expressões brasileiras, o enraizamento da vitalidade originária da língua, tão bela, mas feita mais inculta que o apontado por Olavo Bilac quando nos deixamos levar meramente pelo uso que dela se faz. Deixaremos que se torne norma o emprego do internetês "vc" para substituir o já de muito reduzido pronome pessoal "você"?
     
    Last edited: Sep 13, 2012
  30. Istriano

    Istriano Senior Member

    -
    CHEGAR EM (CASA) já está correto.
    Eu aprendi na escola: ''quem chega em casa, chega em casa.'' :cool:

    Lhe dou duas fontes (Acabei de começar a frase com um clítico, coisa linda essa língua da gente, né? :cool:):

    (Dicionário de regência verbal; Celso Luft; 1998)

    “Gramática”, de Faraco e Moura (1999, p. 514.)


    Cheguei a casa e vou lá a casa me soam como uma imitação da fala lusitana, tal qual Foi estudar a Londres.
    Gosto de ouvir essas frases só quando são faladas com um bom sotaque luso.
     
    Last edited: Sep 13, 2012
  31. Vando New Member

    português
     
  32. Vando New Member

    português
    Muito obrigado, aprendi muito com seu post! Desde já, bom fim de semana! :rolleyes:
     
  33. Ariel Knightly

    Ariel Knightly Senior Member

    Rio de Janeiro
    Brazilian Portuguese
    Às vezes eu fico maravilhado com os efeitos que um argumento de autoridade pode alcançar. Por que ficar se descabelando para fazer o cego enxergar aquilo que todos conseguem ver quando você pode simplesmente apelar para a autoridade? Está certo porque fulano e beltrano disseram que está. Ponto! E como num passe de mágica, aquilo que era "errado" agora "já está certo". :D
     
    Last edited: Sep 13, 2012
  34. Vando New Member

    português
    O aprendizado a que me referi toca apenas ao fato de que o uso, que ainda critico, é mais antigo do que eu supunha.
     
  35. Ariel Knightly

    Ariel Knightly Senior Member

    Rio de Janeiro
    Brazilian Portuguese
    Certamente. No latim, tanto in (em) quanto ad (a) acompanhavam verbos de movimento, sendo que o primeiro era usado para expressar a noção de movimento com entrada. Passado algum tempo, o uso de a foi ampliado no português de Portugal, com o mesmo acontecendo com a preposição em no Brasil. Nossa escrita padrão, contudo, seguiu a tendência européia, conservando o em apenas em expressões fixas como chegar em casa, onde a substituição por a, seja qual for o veículo, pode soar alienígena.

    quando ele chegar à casa (dos amigos) => padrão escrito
    quando ele chegar na casa (dos amigos) => padrão falado
    quando ele chegar a casa => português de Portugal
    quando ele chegar em casa => português do Brasil
     
  36. Ruca Senior Member

    Grande Porto
    Português Europeu

    Olá,

    Parece-me que estamos perante uma das muitas subtilezas da língua: para mim "cheguei a casa" tanto significa chegar à porta de casa como chegar ao interior da casa. No entanto, admito que cada um de nós perceba esta construção de uma forma subjetiva.

    Em relação às diferenças entre língua formal e língua falada e entre variantes da mesma língua, realmente parece-me que entre os diversos países de língua castelhana existem diferenças significativas, tanto no que diz respeito ao léxico como no que respeita à semântica. No entanto, para todos os "hispanohablantes" parece pacífico que todos falam espanhol/castelhano e que todos se entendem sem problemas de maior. Praticamente não se encontram discussões na internet sobre se o espanhol da Argentina é uma língua diferente do espanhol de Espanha ou do México, por exemplo. E no entanto, particularidades como o "voseo" não são propriamente pormenores despiciendos.
    Já no que diz respeito ao português, a realidade é completamente distinta: basta uma pequena pesquisa na internet para se encontrar imensas discussões sobre se o português do Brasil é uma língua diferente do português de Portugal, já para não falar no batalhão de brasileiros que dizem não entender metade daquilo que os portugueses dizem (muitas vezes até dizem que entendem melhor o castelhano). Parece-me que em toda esta questão há um substrato de atitudes completamente diferentes em relação a esta questão, da parte dos falantes de espanhol e da parte dos falantes de português.
    Recordo-me de uma vez ter visto, na revista Economist, uma inquérito sobre qual a língua que valia mais a pena aprender. Uma das opções era o português brasileiro. O português não aparecia entre as opções. E foi precisamente o português brasileiro que recolheu o maior número de votos. Eu comentei o artigo dizendo que em minha opinião fazia sentido que entre as opções constasse simplesmente o português, e não o português brasileiro. Fui violentamente atacado por uma leitora que veio com a conversa habitual de que o português brasileiro é uma língua diferente do português europeu e que conhecia diversos brasileiros que diziam que não entendiam metade do que os portugueses diziam (alguns não entendiam mesmo uma única palavra). Nunca ouvi este tipo de argumentação da parte dos "hispanohablantes" nem dos falantes de inglês, por exemplo. Já agora, se eu fosse estrangeiro e fosse estudar português brasileiro no Brasil, o que é que me seria ensinado na escola: "cheguei a casa" ou "cheguei em casa"?

    Obrigado.
     
  37. Ariel Knightly

    Ariel Knightly Senior Member

    Rio de Janeiro
    Brazilian Portuguese
    Sinceramente não sei se essa discussão seria levantada na escola; mas respondendo sua pergunta, se a discussão fosse eventualmente levantada, numa boa escola creio que você seria orientado a pesquisar fontes de língua padrão e chegaria à conclusão de que no Brasil a norma é chegar em casa, e não chegar a casa.
     
  38. Carfer

    Carfer Senior Member

    Paris, France
    Portuguese - Portugal
    'Cheguei a casa' e 'vou lá a casa', sim. 'Foi estudar a Londres' não, porque dizemos 'Foi estudar para Londres' ou 'Foi estudar em Londres'. 'Foi estudar a Londres' não faria muito sentido, porque estudar implica alguma permanência e e essa ideia não está presente em 'ir a' que implica curta duração e regresso ('vou à praia', 'vou ao cinema', 'vou a Lisboa'.
     
  39. J. Bailica Senior Member

    Portugal
    Português - Portugal
    Já agora, como se diz em espanhol? Parece-me ouvir frequentemente "llegou en casa", mas não tenho a certeza (e espero que uma frase assim tão curta me salve de agredir gravemente a língua vizinha e irmã, por via otográfica ou gramatical!)
     
  40. Alentugano

    Alentugano Senior Member

    Português - Portugal
    Talvez o professor lhe ensinasse que é "chegar a casa" e depois, ao falar com o Ruca, ele próprio usasse a estrutura "chegar em"... :D
     
  41. Alentugano

    Alentugano Senior Member

    Português - Portugal
    Duvido que você ouça "Foi estudar a Londres" de algum português, só se for de algum brasileiro tentando imitar a norma lusa... :D
    Agora, vai ouvir algo do tipo "Foi estudar para Londres", uma construção que, ao que me tem constado, não é possível na variante brasileira. Uma alternativa, como já apontou Carfer, seria "Foi estudar em Londres". A preposição "a", neste contexto, indica que a pessoa apenas passou em/por Londres...
     
  42. Ariel Knightly

    Ariel Knightly Senior Member

    Rio de Janeiro
    Brazilian Portuguese
    Pronto! Resolvida a questão. :eek:
     
  43. Denis555

    Denis555 Senior Member

    Cracóvia, Polônia
    Brazilian Portuguese
    Queridos colegas portugueses,

    Alguém se atreveria a dar uma explicação da lógica atrás de "Ir estudar para Londres"?

    No Brasil, a lógica parece bem clara. Nunca se quebra a ordem das palavras, a sentença é apenas reduzida:

    Ir estudar em Londres --> ir para Londres +[e depois] estudar em Londres --> Ir para Londres [e depois] estudar em Londres.
    Outro exemplo:
    Vir comer banana na feira --> vir à feira +[e depois] comer banana na feira --> Vir à feira [e depois] comer banana na feira.

    Uma outra alternativa no Brasil seria:
    Ir para Londres + estudar em Londres --> Ir para Londres estudar em Londres
    Vir à feira + comer banana na feira --> Vir à feira comer banana na feira
     
  44. Carfer

    Carfer Senior Member

    Paris, France
    Portuguese - Portugal
    Se as línguas tivessem lógica, Denis...
    Você acha natural aquilo que sempre disse e ouviu dizer, nós igual. Aliás, em termos de lógica, onde você corta é arbitrário. Você corta assim:' Ir estudar em Londres --> ir para Londres +[e depois] estudar em Londres --> Ir para Londres [e depois] estudar em Londres'. Nós fazemos o corte noutro lado: ir para Londres +[e depois] estudar em Londres --> Ir para Londres[e depois] estudar em Londres'
     
  45. Ruca Senior Member

    Grande Porto
    Português Europeu


    Olá,

    Penso que o correto em Portugal é dizer-se "Ir para Londres estudar" e "Vir à feira comer bananas", e há muitas pessoas que falam assim. Também me parecem perfeitamente corretas as frases "Ir estudar em Londres" e "Vir comer bananas na feira". As frases "Ir estudar para Londres" e "Vir comer bananas para a feira" são comuns mas parecem-me mais próprias de um registo popular/informal, e parecem realmente traduzir uma inversão da estrutura da frase. A realidade é que em Portugal também existe um distanciamento considerável entre um registo formal/culto e um registo informal/popular.

    Cumprimentos.
     
  46. Ariel Knightly

    Ariel Knightly Senior Member

    Rio de Janeiro
    Brazilian Portuguese
    Penso que o dialeto brasileiro restringe o complemento de destino a vir necessariamente antes do de finalidade.

    1a. Quero ir para Londres estudar. [omissão do para de finalidade]
    1b. Quero ir para Londres para estudar.

    2a. Quero ir estudar para Londres. :confused:
    2b. Quero ir para estudar para Londres. :eek:

    Observando esses exemplos em 1, tenho a impressão de que para Londres (o destino) satisfaz a necessidade de complementação de ir, o que aparentemente não acontece com para estudar.

    3a.
    — Vou para Londres.
    — Que legal! O que você vai fazer lá?
    — Vou
    (para Londres) (para) estudar.

    3b.
    — Vou para estudar?
    — Huh?
    :confused:

    Mas se em vez de um complemento de destino tivermos simplesmente um local, estudar (sem para) deixa de ser complemento de finalidade e passa a ter ir como verbo auxiliar.

    4a. Quero ir estudar em Londres. [auxiliar + verbo + local]
    4b. Quero ir para estudar em Londres. [verbo + complemento velado + finalidade + local]
    4c. Quero ir estudar lá para a bandas de Londres. [auxiliar + verbo + local]
    4d. Quero ir lá para as bandas de Londres (para) estudar. [verbo + destino + finalidade]

    Então, de duas uma: ou o sentido de para Londres em 2a não é o de destino e sim o de local, com significado semelhante ao de lá para as bandas de em 4c (Quero ir estudar para Londres); ou o dialeto europeu não compartilha da restrição que limita as posições dos complementos de destino e de finalidade.

    A propósito, seria 2b uma possibilidade no português de Portugal? Se for, acho que isso põe por terra a leitura de para Londres como local.
     
    Last edited: Sep 14, 2012
  47. marta12 Senior Member

    Portugal
    português

    2b, nunca.
     
  48. Ariel Knightly

    Ariel Knightly Senior Member

    Rio de Janeiro
    Brazilian Portuguese
    Bom, então o que você acha da leitura de estudar como verbo principal e para Londres como complemento de local em vez de destino? Faz sentido?

    Sobre a restrição, imagino que ela venha do fato (?) de a finalidade complementar todo o constituinte do verbo com o complemento de destino, e não apenas o verbo.

    [Quero [[[ir] para Londres] (para) estudar]]
     
    Last edited: Sep 14, 2012
  49. J. Bailica Senior Member

    Portugal
    Português - Portugal
    Viva Ruca

    Pode estar mais correto, mas a mim não me entra no ouvido sem vírgula: "Vou para Londres, estudar"; não sei se concorda.

    Que questão, esta! Quem diria que uma coisa assim, de nada, de repente desse nisto.
    Nem mal consigo acompanhar os argumentos mais técnicos (Denis, Carfer, Ariel...), para dizer a verdade. Pelo menos servem para puxar pela cabeça num sábado à noite sem graça.

    Talvez a gente tenha ido um pouco demasiado para fora cá dentro (isto é, cá no Portugal), aproveitando frases como "fugiu para longe", "chuta para fora", "vou estudar para médico", "vou estudar para caramba" (esta importada:)) e ido mesmo um pouco para fora, com essa graduaçãozita meio manhosa, esse Erasmus de "Ir estudar para Londres", ou talvez não - afinal pode simplesmente ser tão natural ir dormir a sesta como ir a sesta dormir, que é o que eu vou procurar fazer entretanto :).

    (Aliás, é sexta, e não sesta; ou melhor, sábado (mas à noite!!!, portanto sesta também não é!!!)
     
    Last edited: Sep 15, 2012
  50. Carfer

    Carfer Senior Member

    Paris, France
    Portuguese - Portugal
    Mesmo sem a vírgula, a mim soa-me perfeitamente. De resto, a frase parece-me tão banal, tão comezinha, que o que não consigo evitar estranhar é que alguém a questione (embora, evidentemente, não ponha em causa que os brasileiros o façam por não estarem habituados a ela. Mas tenho de fazer o esforço de racionalizar a coisa, lá isso tenho, da mesma forma que eles estranharão que a mim dificilmente me entre, senão com o maior dos esforços, o 'cheguei em casa')
     

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