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dona maria loca

Discussion in 'Português-Español' started by dunjtunj, Jun 21, 2013.

  1. dunjtunj Junior Member

    croatia
    croatian
    Hola foreros,

    yo no hablo portugués, pero estoy traduciendo un programa con subtítulos en español y me sale esta frase:

    (una cantante brasileña regresa a su país después de muchos años y le preguntan por qué no regresaba en tanto tiempo)
    "Me fui como María la Loca, no quería llevar ni polvo"


    Sabe alquien qué quiere decir con esto? Creo que en portugués dice Dona Maria Loca. En Google no me sale nada (sólo Juana la Loca).



    Gracias!
     
  2. snoopy82 Senior Member

    Portugal - Portuguese
  3. Carfer

    Carfer Senior Member

    Paris, France
    Portuguese - Portugal
    O único personagem que conheço a quem aplicamos esse epíteto é a rainha D. Maria I, conhecida como 'Dona Maria louca', 'Maria louca' ou 'a rainha louca', porque efectivamente enlouqueceu uns anos antes de a família real se ter mudado para o Brasil, onde morreu e onde suponho que também a conhecem assim. A família real fugiu de facto à pressa, tão à pressa que quando as tropas de Junot entraram em Lisboa ainda se viam no horizonte as velas dos navios da armada anglo-portuguesa que a transportou. Aliás, conta-se que que a rainha, que obviamente não tinha consciência do que estava a ocorrer dado o seu estado mental, teria dito para o cocheiro da carruagem que a conduziu ao porto de Lisboa a grande velocidade "Vai mais devagar, que ainda julgam que vamos a fugir". Talvez seja essa a explicação, se acaso é a essa Maria que a cantora se refere. Se não é, não conheço nenhuma expressão fixa nem é usual dizermos, em Portugal pelo menos, que alguém se vai embora como 'Dona Maria louca'. O que habitualmente dizemos é 'Fui-me embora como uma louca' (como uma pessoa louca, não especificamente como D. Maria I).

    P.S. Tendo demorado muito a escrever este post, por se terem intrometido outros afazeres, dupliquei involuntariamente a informação que já tinha sido dada por snoopy. Pelo menos entre os portugueses parece que estamos de acordo. Resta ver se os brasileiros são da mesma opinião.
     
  4. WhoSoyEu

    WhoSoyEu Senior Member

    Rio de Janeiro
    Español Latam, Português Br
    O texto está confundindo duas figuras históricas, a primeira, Dona Maria, a Louca, mãe de D.João VI como explicado pelo Carfer e Snoopy. E a segunda, Dona Carlota Joaquina, esposa de D. João VI, que ao embarcar no navio de volta a Portugal, jogou os sapatos na água porque não queria levar nem a poeira do solo brasileiro.
     
  5. Vanda

    Vanda Moderesa de Beagá

    Belo Horizonte, BRASIL
    Português/ Brasil
  6. anaczz

    anaczz Senior Member

    À beira do Oceano Atlântico
    Português (Brasil)
    Mesmo porque Da. Maria, a louca já tinha "voltado ao pó" quando a família foi de volta para Portugal...
     
  7. WhoSoyEu

    WhoSoyEu Senior Member

    Rio de Janeiro
    Español Latam, Português Br
    Hmmm, será que a Dona Carlota não queria era levar o pó da sogra de volta? :D
     
  8. Carfer

    Carfer Senior Member

    Paris, France
    Portuguese - Portugal
    O episódio está certamente muito romanceado, mas é verdade que ela odiava o Brasil (portugueses e brasileiros pagavam-lhe na mesma moeda. É, seguramente, a mais odiada das nossas rainhas). Seja como for, não podia de facto ser D. Maria a que não queria levar nem pó com ela, mesmo que porventura fosse isso que a sua loucura lhe ditava. É que a corte, quando fugiu para o Brasil, fez exactamente o contrário, levou tudo o que pôde de mais precioso: pratas, jóias, móveis, louças, livros, manuscritos, mapas. E dinheiro, muito dinheiro: 80 milhões de cruzados, metade do tesouro português, que ficou praticamente exaurido pois a outra metade já tinha sido gasta a tentar apaziguar Napoleão. E é bom lembrar que com a corte e respectiva criadagem seguiu a alta nobreza e muita da gente de posses (calcula-se que cerca de 15.000 pessoas), embora uns tenham conseguido levar os bens de valor e outros foram com o que tinham no corpo. Foi assim que Junot ocupou um país completamente depauperado. Não encontrando meios com que pagar a estadia das suas tropas, saqueou as igrejas e apoderou-se do que a corte tinha deixado para trás. Isso explica a desolação, por exemplo, do interior do Palácio Nacional de Mafra, onde D. João VI vivia na altura, aquelas centenas de metros de corredores e as dezenas de salas sem móveis, decoração e recheio compatíveis com a magnificência do exterior.
     
    Last edited: Jun 21, 2013
  9. Vanda

    Vanda Moderesa de Beagá

    Belo Horizonte, BRASIL
    Português/ Brasil
    SE vocês em Portugal tiverem acesso, é interessante ler o livro 1808 - Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil

    Ah, parece que existe em pdf.
     
  10. Carfer

    Carfer Senior Member

    Paris, France
    Portuguese - Portugal
    Temos, claro. Foi publicado cá há já alguns anos e teve bastante sucesso. Quando o li, há três, já ia na 8ª edição, que é a que tenho. E passou-se o mesmo com o "1822", também do Laurentino Gomes. Mas, se me permitem a digressão, há outro livro absolutamente delicioso (e igualmente um êxito de vendas na edição portuguesa) sobre a estadia da corte no Rio de Janeiro: 'Empire adrift', do australiano Patrick Wilcken (título português 'Império à deriva', Editora Civilização). Divertidíssimo, uma verdadeira ópera cómica, com a vantagem de ao contrário destas, ser construído com personagens reais e factos históricos reais (é um livro de história - e de história séria -, não de ficção). Deixem-me só acrescentar que quando o li há quase dez anos e apesar do imenso prazer que me deu, me deixou um enorme amargo de boca: é que naqueles personagens ridículos e tontos, naquelas políticas absurdas, naquele ambiente de comédia, reconheci o Portugal daqueles dias. O que sentiria se o tivesse lido hoje, dez anos passados, com o país no estado em que está?:eek:
     
  11. WhoSoyEu

    WhoSoyEu Senior Member

    Rio de Janeiro
    Español Latam, Português Br
    Apesar de tudo, para o Brasil esse acontecimento (a vinda da Família Real) foi determinante. Considero esse momento o da verdadeira fundação do Brasil como nação. O Brasil é um país de 205 anos de idade, portanto, e não de quinhentos e fumaça...300 anos perdidos.
     

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