mostrá-lo

Discussion in 'Português (Portuguese)' started by abovethelaws, Sep 9, 2009.

  1. abovethelaws

    abovethelaws Senior Member

    Greater London
    British English
    I am going to show you it

    Eu vou te mostrá-lo
    Eu vou lhe mostrá-lo
    eu vou te o mostrar

    qual forma esta correta? anybody know?
     
  2. Carfer

    Carfer Senior Member

    Paris, France
    Portuguese - Portugal
    Eu diria 'Eu vou-to mostrar', 'Eu vou-lho mostrar', 'Eu vou mostrar-to', 'Eu vou mostrar-lho '.
     
  3. Guigo

    Guigo Senior Member

    Rio de Janeiro
    Português (Brasil)
    No Brasil, dizemos (em geral):

    - (Eu) Vou te mostrar isso/isto.
    - (Eu) Vou mostrar-te isso/isto.
    - (Eu) Vou mostrar isso/isto para você.
    - (Eu) Vou mostrar isso/isto a você.
     
  4. abovethelaws

    abovethelaws Senior Member

    Greater London
    British English
    but i'm saying 'it' not 'this'
     
  5. Guigo

    Guigo Senior Member

    Rio de Janeiro
    Português (Brasil)
    A tradução de it/this/that para o português é meio complicada.

    Não temos, em português, o neutro da 3a. pessoa ("it"): ou você define o gênero ou usamos isso/isto/aquilo.

    Na teoria, usamos o isto, quando algo está mais próximo de você e isso, quando está mais próximo da pessoa com quem falamos. Na prática, isso e isto se confundem... e também, na prática, são a tradução mais usual para "it" (visto como um objeto/algo cujo gênero não se pode definir).

    OK, mas se tivermos um objeto ou um animalzinho, cujo gênero possa ser definido, diremos:

    - Vou mostrá-lo/la para você/para ti. (formal)
    - Vou mostrar ele/ela para você. (totalmente informal e a ser evitada em determinados círculos).
     
  6. Carfer

    Carfer Senior Member

    Paris, France
    Portuguese - Portugal
    Já agora, talvez seja bom acrescentar a reserva de que as combinações 'mo' (me+o), 'to'(te+o), 'lho(lhe+o)' praticamente não se usam no Brasil, mas são comuns no português de Portugal.

    PS Também o mesmo se aplica, obviamente, a 'no-lo', 'vo-lo', etc.
     
  7. Denis555

    Denis555 Senior Member

    Cracóvia, Polônia
    Brazilian Portuguese
    Essa é uma das coisas de que não sou de acordo, com a gramática prescritiva. Talvez seja hora de mudá-la, como mudamos a ortografia.
    Ele/ela (como objeto direto) já se usava na forma arcaica da língua, uso que persiste no Brasil. [Dicionário Aurélio]
    Já vi portugueses e angolanos usarem. Um dia desses um amigo meu do Porto(Portugal) me disse da namorada dele: -Quando eu conheci ela,...
    O inglês fez o contrário: "you" que era pronome objeto se tornou também pronome sujeito, ver aqui.
    Em Italiano "lui" , "lei" e "loro" (originalmente pronomes objetos) se usa como pronomes sujeitos em vez de "egli" , "ella" e "essi"[=ele, ela e eles].
    Há muitos outros casos em outras línguas.


    É verdade. Na minha Gramática de Português Cegalla, é dito que são evitadas essas contrações até formalmente na escrita no Brasil pela maioria dos escritores.
     
    Last edited: Sep 10, 2009
  8. Macunaíma

    Macunaíma Senior Member

    Um ninho de mafagalfinhos
    português, Brasil
    Guigo, na língua falada eu desconheço um círculo onde essa construção devesse ser evitada. Professores, escritores, intelectuais, políticos, diplomatas, grã-finos em geral, todo mundo no Brasil fala assim. Os filmes e programas de TV dublados para o nosso português usam essa forma, exceto talvez quando querem marcar um personagem como professoral ou excêntrico ou sei lá o quê. Eu concordo com o Dênis que a gramática não "aceitar" isso, além de outras coisas (como começar frases com pronomes oblíquos, por exemplo) só pesa contra ela mesma; daqui a pouco vão surgir gramáticas paralelas para ensinar estrangeiros a falar o "português de verdade" e a gramática da Academia vai ficar lá para a contemplação do José Sarney e dos escritores de alfarrábios cujos nomes me escapam...
     
  9. Guigo

    Guigo Senior Member

    Rio de Janeiro
    Português (Brasil)
    Hmmm... o Sarney fala assim: "me dá ele (o dinheiro) aí". :D

    Agora falando sério: fica a minha recomendação acima, pois já vi muita argumentação boa ser perdida devido à incapacidade vernacular do narrador. Algumas construções como: vi ela, amo ela, etc, são de uma cacofonia extrema e, em minha modesta opinião, devem ser evitadas mesmo. :)
     
  10. Denis555

    Denis555 Senior Member

    Cracóvia, Polônia
    Brazilian Portuguese
    Oi Guigo,
    Você não acha que é tudo uma questão de costume em considerar o que é certo ou errado? Nos casos que você citou: vi ela, amo ela, muita gente diz que é cacofônico porque confunde com viela, a moela. Mas vi-a , vi-o também não confunde com via, viu? Ou seja, pra mim é tudo uma questão de aceitação (do que é certo ou errado).
     
    Last edited: Sep 10, 2009
  11. Macunaíma

    Macunaíma Senior Member

    Um ninho de mafagalfinhos
    português, Brasil
    Eu, pessoalmente, não acho cacofônicos os exemplos que você citou, especialmente quando não pronunciados isoladamente. Da minha parte, acho próclises mais cacofônicas, provavelmente pelo motivo que o Dênis citou acima - costume. Mas eu acho válido que cada um seja fiel a seu estilo, só discordei do que você disse sobre não ser aceitável em alguns círculos. É claro que eu concordo com você que não seria natural um juiz falar assim ao proferir uma sentença ou um parlamentar falar assim durante um discurso (mesmo que seja um parlamentar que tenha a pensão da filha com a amante paga por um lobista de empreiteira ou que seja um presidente do conselho de ética com um histórico criminal que inclua lenocínio). Quando falamos da língua falada, coloquial, eu insisto que frases como "eu vi ela passar por mim" ou "eu amo ela desde a adolescência" passariam como perfeitamente normais mesmo entre gente educada.
     
    Last edited: Sep 10, 2009
  12. Guigo

    Guigo Senior Member

    Rio de Janeiro
    Português (Brasil)
    Denis & Personagem do M. Andrade, tenho percebido, em contacto permanente com pessoas que tiveram a oportunidade de educar-se, com mais substância, já adultos, que esses procuram falar o mais corretamente possível, o nosso idioma.

    Até comentei, outro dia, com um colega, como expressões como: nós vai, a gente vamos, são cada vez mais raras, neste ambiente de refinarias, plantas químicas, etc., onde há um programa intenso de profissionalização e especialização de rapazes e moças, que adquirem uma instrução "básica" que é superior ao 1o. grau completo.

    Agora, se vão seguir a norma, dita culta, ou procurar um outro caminho, creio que apenas o futuro dirá.
     
    Last edited: Sep 10, 2009

Share This Page