Nem todo sujeito elíptico é desinencial?

Discussion in 'Português (Portuguese)' started by MugenKaosu, Apr 21, 2011.

  1. MugenKaosu

    MugenKaosu Senior Member

    São Paulo, Brazil
    Brazilian Portuguese
    Olá.

    Sujeito elíptico/oculto é aquele não expresso e que pode ser determinado pela desinência verbal ou pelo contexto.

    Creio eu, portanto, que sujeito desinencial seja um tipo de sujeito elíptico/oculto em que se determina o sujeito pela desinência verbal (e não pelo contexto). Conclusão: nem todo sujeito elíptico é desinencial, mas todo sujeito desinencial é elíptico. Estou certo?
     
  2. GamblingCamel

    GamblingCamel Senior Member

    USA English CULTA + RUA
    Clearly, this is a thread for native PT speakers. But for non-natives who might read it, I will post definitions:

    DESINÊNCIA: 1. Gram. Todo segmento fônico situado no final do vocábulo que numa língua marque categorias gramaticais tais como gênero, número, pessoa etc.:
    No Português, o segmento final - s no voc. bolos é desinência de plural.

    "Sujeito desinencial é o sujeito oculto, pois o mesmo é identificado pela terminação do verbo: Ex.: Comprei um livro. (suj.eu)"
     
  3. anaczz

    anaczz Senior Member

    À beira do Oceano Atlântico
    Português (Brasil)
    Entendo que sujeito oculto, elíptico ou desinencial são nomes diferentes para o mesmo fenômeno.

    Por que você chegou a essa conclusão? Consegue pensar num caso onde o sujeito seja elíptico e não possa ser identificado pela desinência verbal?
     
  4. englishmania

    englishmania Senior Member

    Portugal
    European Portuguese
    Bem, eu sempre conheci como sujeito subentendido. E, pelo que vejo, todos esses termos (elíptico, oculto, desinencial) são sinónimos.
    É verdade que, na maior parte das vezes, o sujeito é facilmente identificado através da desinência/terminação do verbo, sem ser necessário o pronome pessoal.
    ex.: Dissemos ao João. = Nós dissemos ao João.

    No entanto, há casos em que a pessoa não é clara.
    ex.: Disse ao João. = Eu disse ou Ele disse?

    Com algum contexto, é-nos fácil decifrar.
    ex.: Disse ao João e ele respondeu-me torto.
    ex.: Disse ao João e agora digo-te a ti: ...

    Obviamente, isto são frases soltas. O contexto permite-nos omitir muitas vezes o pronome pessoal ("Cheguei.....disse... e fui") ou então expressá-lo para evitar ambiguidades ("Ele disse que... e eu disse que...").
    Aliás, muitas vezes, em conversa, somos capazes de dizer, para esclarecer esta ambiguidade, "E disse que..." ,"Quem é que disse: tu ou ele?", "Ele".

    Acho que o que o Mugen queria dizer é que, tirando o facto de aquelas designações serem sinónimas, podemos identificar o sujeito não expresso através da desinência (de pessoa, como -mos), ou pela desinência e contexto.
     
  5. MugenKaosu

    MugenKaosu Senior Member

    São Paulo, Brazil
    Brazilian Portuguese
    Sim, englishmania. Foi isso que eu quis dizer.

    Descobrindo sujeito pela desinência verbal:
    Farei o almoço de amanhã, que já está ficando tarde. Verbo na 1ª pessoa do singular, logo, o sujeito é eu.
    Descobrimos a resposta, finalmente!!! Verbo na 1ª pessoa do plural, logo, o sujeito é nós.

    Descobrindo o sujeito pelo contexto:
    Os gregos antigos desenvolveram muito a área da Filosofia. Além disso, construíram monumentos até hoje muito famosos. Ora, aqui, mesmo conhecendo a desinência do verbo construir, não é possível dizer qual o sujeito. É preciso observar o contexto para concluir que o sujeito é os gregos antigos.

    Neste último caso, seria possível, ainda assim, dizer que o sujeito é desinencial?
     
  6. englishmania

    englishmania Senior Member

    Portugal
    European Portuguese
    Claro, está aí a desinência de pessoa. Construíram só pode ser a terceira pessoa do plural. O sujeito está subentendido (ou oculto, etc.), mas é claramente "eles/elas". Não há qualquer dúvida. Sabemos que o sujeito é um "eles/elas", só não sabemos quem são "eles/elas", mas isso já é outra história. O contexto diz-nos que eles são os gregos antigos.

    Na primeira frase, o sujeito está expresso, na segunda está subentendido. O sujeito não aparece expresso na segunda frase exactamente porque já foi referido anteriormente e não soa bem repetir sempre "os gregos antigos" ou "eles", quando podemos omitir.



    NB: Repito, sempre conheci apenas o termo "sujeito subentendido" e nenhuma subcategoria, e parece-me que todos esses termos significam o mesmo.
     
    Last edited: Apr 21, 2011
  7. anaczz

    anaczz Senior Member

    À beira do Oceano Atlântico
    Português (Brasil)
     
  8. MugenKaosu

    MugenKaosu Senior Member

    São Paulo, Brazil
    Brazilian Portuguese
    Okay, então o fato de o sujeito ser desinencial não implica que se descubra quem é o sujeito pela desinência do verbo, mas sim que a desinência auxilie nisso.

    Logo,
    sujeito oculto = sujeito desinencial = sujeito elíptico (=sujeito subentendido, em Portugal)
     
  9. englishmania

    englishmania Senior Member

    Portugal
    European Portuguese
    Na maioria das vezes, descobre-se, sem qualquer dúvida ("fui", "enviámos", "encontrou", "encontraram", "tentaste"). No entanto, há alguns casos em que a forma verbal é igual para a 1.ª e 3.ª pessoas ("disse", "quis", "quiser", "pus", etc.). Nesses casos, só o contexto da conversa nos esclarece, e, como disse a Ana, o falante costuma optar por expressar o sujeito, evitando, assim qualquer ambiguidade.
     
  10. Istriano

    Istriano Senior Member

    -
    Foi.

    Quem foi?

    A gente?
    Você?
    Ele?
    Ela?

    (eu, você, ele, ela, a gente)
    queria
    (vocês, eles, elas)
    queriam

    More often than not, a gente usa só duas formas verbais na língua falada.
     
    Last edited: Apr 22, 2011

Share This Page