Pronúncia de bebês no português do Rio de Janeiro

Discussion in 'Português (Portuguese)' started by gvergara, Jan 13, 2012.

  1. gvergara

    gvergara Senior Member

    Santiago, Chile
    Español
    Olá:

    Em primeiro lugar gostaria de introduzir esta pergunta me desculpando por todas as imprecisões e toda a ignorância que possa demonstrar. A nossa professora de português tem-nos dito que em geral a pronúncia da gente do Rio de Janeiro é similar com a dos portugueses nalguns aspectos específicos, especialmente no que diz respeito à pronúncia da combinação st, na qual o s é pronunciado /ʃ/ (como na combinação anglesa sh (wash)) Por outro lado, até onde eu sei, os portugueses pronunciam o s final dos plurais do mesmo jeito (por exemplo estes bebês=/'ɛʃtʃɪʃ be'beʃ/) Minha pergunta é: os cariocas também compartilham desta segunda característica (estes bebês= /'ɛʃtʃɪʃ be'beʃ/), apenas da primeira (estes bebês=/=/'ɛʃtʃɪs be'bes/), ou isso depende da área? Desde já obrigado

    Gonzalo
     
    Last edited: Jan 13, 2012
  2. uchi.m

    uchi.m Senior Member

    Redeeming limbo
    Brazil, Portuguese
    No Rio, bebês é [be'beɪʃ]
     
  3. gvergara

    gvergara Senior Member

    Santiago, Chile
    Español
    Mmmmmmm eu estou acostumado com o mprimeiro traço fonológico, mas não com o segundo. É então incorreto falar estes bebês= /'ɛʃtʃɪs be'bes/, ou então /'ɛʃtʃɪs be'beɪs/?
     
    Last edited: Jan 13, 2012
  4. uchi.m

    uchi.m Senior Member

    Redeeming limbo
    Brazil, Portuguese
    No Rio, seria estes bebês ['eɪʃtʃɪʃ be'beɪʃ]. Espera o Ariel aparecer.
     
  5. gvergara

    gvergara Senior Member

    Santiago, Chile
    Español
    Obrigado;)
     
  6. Ariel Knightly

    Ariel Knightly Senior Member

    Rio de Janeiro
    Brazilian Portuguese
    Acho que, nesse caso, aqui a pronúncia não seria muito diferente: ['ɛʃtɐʃ]. Ela seria mais provável, contudo, num contexto de escrita oralizada, já que na língua natural nós preferimos a forma sem t: essas ['ɛsɐʃ].

    O problema é que o s de estas está numa sílaba átona, e a semivogal palatal aparece em sílabas tônicas em final de palavra. Por isso pronunciamos mas e mais da mesma forma, o que também acontece em muitas outras regiões do país. Um fenômeno interessante, inclusive, ocorre quando pessoas de origem humilde ascendem socialmente e descobrem a forma escrita da palavra mas, que não tem i na grafia oficial atual, e concluem que sua pronúncia "correta" deve ser diferente da de mais. O resultado disso costuma ser um bizarro ['məs], que tende a receber uma certa valoração negativa.

    paz -
    ['pajʃ]

    pasta - ['paʃtɐ]
    cascas - ['kaʃkɐʃ]
    mês - ['mejʃ]
    mesmos - ['meʒmʊʃ]
    nós - ['nɔjʃ]
    apóstolo - [a'pɔʃtulʊ]
    bebês - [be'bejʃ]
    Na região metropolitana do Rio todos usam o mesmo s pós-alveolar de Portugal. Mas em algumas cidades afastadas, você já encontra o s alveolar do Sul, às vezes misturado com o pós-alveolar. Não tenho certeza, mas acho que em Campos, por exemplo, eles usam o s alveolar apenas em final de palavra, como acontece em algumas regiões da Bahia. Já em Resende, o uso parece seguir o padrão de Minas, sempre com o s alveolar - mas também não tenho certeza disso. Quanto à semivogal, creio que essas regiões sigam o mesmo padrão da região metropolitana.
     
    Last edited: Jan 13, 2012
  7. Ariel Knightly

    Ariel Knightly Senior Member

    Rio de Janeiro
    Brazilian Portuguese
    Essa não me parece uma pronúncia possível para estes. Soa mais como uma caricatura do dialeto carioca.
     
  8. uchi.m

    uchi.m Senior Member

    Redeeming limbo
    Brazil, Portuguese
    E como seria o certo? Poderia transcrever?
     
  9. Ariel Knightly

    Ariel Knightly Senior Member

    Rio de Janeiro
    Brazilian Portuguese
    Não acho que seja uma questão de certo e errado; só não se trata da forma como essa palavra seria normalmente pronunciada no dialeto carioca. A sílaba es-, ainda que tônica, não se encontra em final de palavra, que é onde ocorreria a inserção da semivogal. Um falante nativo do carioquês diria ['eʃtʃɪʃ], sem aquele /i/ que você transcreveu.
     
  10. uchi.m

    uchi.m Senior Member

    Redeeming limbo
    Brazil, Portuguese
    Se falarem rápido ou em velocidade normal de conversação, aí eu acho que não tem aquele /ɪ/ mesmo, mas se falarem devagar, aí eu acho que tem.
     
  11. Ariel Knightly

    Ariel Knightly Senior Member

    Rio de Janeiro
    Brazilian Portuguese
    Sim, se pronunciarmos isso numa velocidade artificialmente lenta, acho que a inserção do /i/ seria comum. Isso porque, em vez de uma, nós teríamos foneticamente duas palavras: a palavra es- e a palavra -tes, que teriam que seguir os padrões fonotáticos de palavras independentes. O s de es-, nesse caso, estaria em final de palavra.
     
    Last edited: Jan 13, 2012
  12. Alentugano

    Alentugano Senior Member

    Português - Portugal
    Nas novelas, ouço muito feishta, para festa. É pronúncia normal do Rio, não é?
     
  13. uchi.m

    uchi.m Senior Member

    Redeeming limbo
    Brazil, Portuguese
    Sim, mas é porque a pessoa falou devagar.
     
  14. Ariel Knightly

    Ariel Knightly Senior Member

    Rio de Janeiro
    Brazilian Portuguese
    Pois é. Acho que teria que ser uma fala bem lenta mesmo. Eu estava aqui justamente dando uma olhada numa entrevista do Danilo Gentili com a Narcisa Tamborindeguy, que é carioca de Copacabana e que tem todo um conhecido jeito entorpecidamente lento de falar. Se eu escutei direito, ela disse ter conhecido a Vera Fischer "nas feeeeeestas... nos lugaaaaaares", sem usar o /i/ em festas. Na entrevista com o Jô, ela também contou como fazia alongamento num helicóptero que passava por cima de uma "floreeeeeesta", como chegou na "feeeesta em Aaaaaangra" e o que aconteceu na "feeeesta" de aniversário dela - tudo sem /i/.

    Acho que em após e apóstolo essa questão fica mais clara, já que a distância que [ɔ] tem de [ɪ] é mais nítida quando comparada com a das vogais anteriores. Ainda que nós digamos ap[ɔjʃ] o tempo todo, quando falamos de um ap[ɔʃ]tolo a história é outra. A pronúncia ap[ɔjʃ]tolo seria bizarra demais se dita numa velocidade natural.
     
    Last edited: Jan 13, 2012
  15. mglenadel

    mglenadel Senior Member

    Rio de Janeiro
    Brazilian Portuguese
    Ariel, o que a Narcisa fala não se leva em consideração. Nem COMO ela fala. :)
     
  16. Istriano

    Istriano Senior Member

    -
    O i de apoio dentro da palavra é um uso mais popular: féixta, mêijmo :D, também naiscer em vez de nascer.:D
    Por exemplo as pessoas ''nobres'' e ''cultas'' como Paula Toller não falam assim.

    Já Felipe Dylon e os atores da Malhação sim (os mesmos que usam muito o tu: tu tá se achando, tu nem me falou em vez de você).


    Vale ressaltar que o uso do i de apoio não tem nada a ver com o chiado,
    Em Vitória, em Brasília, em Salvador todo mundo pronuncia vocês [vo'seis], pus [puis], luz [luis], lilás [li'lais], pôs [pois], mas [mais], aliás [ali'ais], bebês [be'beis] ;)
    Se alguém pronunciasse bebês sem o i de opoio [be'bes] eu pensaria que essa pessoa é de Belo Horizonte ou do Sul do país. ;)

    Que que é Datena? :D
     
    Last edited: Jan 14, 2012
  17. gvergara

    gvergara Senior Member

    Santiago, Chile
    Español
    Falando nisso... Quando é que se inserta esta semivogal (j) no português do Rio? Pergunto isso a vocês porque o meu dicionário sempre acrescenta esta semivogal de apoio antes de vogais nasais tônicas que se encontram ao final de uma palavra? Em outras palavras, como vocês pronuciaríam também. Como o sem "j"

    também= /tɐ̃b/ ou então /tɐ̃bj/

    Por exemplo, qual seria a pronúncia estándard
     
  18. uchi.m

    uchi.m Senior Member

    Redeeming limbo
    Brazil, Portuguese
    Depende do lugar do Brasil. Nos Estados do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro, é com o [j].
     
  19. Ariel Knightly

    Ariel Knightly Senior Member

    Rio de Janeiro
    Brazilian Portuguese
    Entendo que o conteúdo do que ela diz seja irrelevante, já que o que nos interessa é o sotaque dela. Agora, por que não deveríamos levar em consideração a forma como ela diz o que diz? Não vejo razão para simplesmente desconsiderar a fala da Narcisa só por ela ser uma pessoa um pouco... excêntrica.
    Isso é outro fenômeno completamente diferente. Não se trata de um caso de ditongação, e sim de um tipo de hipercorreção que ocorre por conta da forma escrita da palavra, e não em função de um contexto fonológico. As pessoas que dizem "naiscer" não dizem "aicebolar", por exemplo. Mas, de fato, nesse caso não há dúvidas de que se trata de uma marca característica de pessoas com baixa escolaridade. É, inclusive, uma pronúncia bastante comum em Duque de Caxias, ou em "Caxia", como eles dizem por lá.
    Não sei se é uma questão de erudição ou de classe social. Se vocês procurarem pelo duelo proibidão do MC Serginho com a Tati Quebra-Barraco, verão já no começo que ela não insere /i/ quando canta "Não gosto de peru pequeno!". E a Tati é de um meio social bastante diferente do da Narcisa.
    Pode ser. Talvez seja essa a explicação. Nunca gostei de Malhação nem nunca fiz muito o tipo playboyzinho de praia. Talvez por isso não esteja familiarizado com a inserção do /i/ em posição medial.

    Bom, de qualquer forma, dei uma pesquisada na internet e encontrei o seguinte nesse artigo:
    Bom, como foi dito acima, ela é inserida em posição final tônica diante de /S/. Além disso, essa semivogal também é usada com as nasais finais, que normalmente são ditongadas.

    bom - [bõʊ̯̃]
    bem - [bẽɪ̯̃]

    E em sílabas não-finais, no caso da vogal /ẽ/, a ditongação parece só acontecer quando a nasal é seguida de uma sílaba com a vogal /e/ ou /i/.

    entendo - [ĩⁿ'tẽⁿdʊ]
    entenda - [ĩⁿ'tẽⁿdɐ]
    entendi - [ĩⁿtẽɪ̯̃ⁿ'di]
    entender - [ĩⁿtẽɪ̯̃ⁿ'deː]
    sentido - [sẽɪ̯̃ɲ'tʃidʊ]

    sentado - [sẽⁿ'tadʊ]

    Já em São Paulo, que eu saiba, não existe essa restrição quanto à vogal da sílaba seguinte. Acho que lá eles dizem tanto [ĩⁿtẽɪ̯̃ⁿ'di] quanto [ĩⁿ'tẽɪ̯̃ⁿdʊ].

    O caso da vogal /õ/, sinceramente, eu já não sei explicar. Preciso de mais tempo parar pensar sobre o assunto. :)
     
    Last edited: Jan 16, 2012
  20. babyray Senior Member

    Italian
    Acho esta discussão interessantíssima mas ainda tenho umas dúvias. A inserção do /i/ nas vogais nasais tônicas que se encontram ao final de uma palavra só acontece quando a pessoa fala devagar? Ou é uma caracteristica do carioquês mesmo? Pergunto isto porque vendo novelas escuto os atores que falam bastante rápido mas não deixam de acrescentar o /i/ nas palavras.
     
  21. Ariel Knightly

    Ariel Knightly Senior Member

    Rio de Janeiro
    Brazilian Portuguese
    Está tudo explicado acima. O /i/ só é normalmente inserido em sílabas finais tônicas. Não acontece normalmente em sílabas não-finais; não acontece normalmente em sílabas átonas. No contexto de final de palavra acentuado, que é onde acontece a inserção, essa ditongação é muito comum e natural, seja no discurso lento, seja no discurso rápido e natural.
     
  22. gvergara

    gvergara Senior Member

    Santiago, Chile
    Español
    Quanto à pronúncia do r afinal de sílaba, como se pronuncia no Rio e como se pronuncia no resto do pais? Por exemplo

    Roberto= /xo'bɛxto/ ou /xo'bɛrto/?

     
  23. Ariel Knightly

    Ariel Knightly Senior Member

    Rio de Janeiro
    Brazilian Portuguese
    Acho que, no Nordeste, no Norte e na maior parte do Sudeste, o padrão é a pronúncia com as fricativas glotais [h] e [ɦ], dependendo daquele mesmo tipo de interferência de sonoridade que acontece com o s.

    porta - ['pɔhtɐ] surdas
    corda - ['kɔɦdɐ] sonoras

    E a pronúncia muda quando o erre é seguido de vogal.

    por tudo - [pʊh 'tudʊ]
    por você - [pʊɦ vo'se]
    por isso - [pʊɾ 'isʊ]

    Numa fala mais tensa, em vez das fricativas glotais, o falante pode usar as fricativas velares: ['pɔxtɐ], ['kɔɣdɐ].

    Observo que alguns paulistas, como a Marília Gabriela e o William Bonner, usam esse mesmo padrão. Mas não sei se isso tem a ver com o fato de eles trabalharem na televisão ou se existe mesmo algum dialeto em São Paulo com essa caraterística.

    No Sul e na cidade de São Paulo, creio que o padrão seja a vibrante alveolar: ['pɔɾtɐ], ['kɔɾdɐ].

    No interior de São Paulo, Paraná e Sul de Minas, usa-se nessa posição o chamado "erre caipira", que é a aproximante alveolar: ['pɔɹtɐ], ['kɔɹdɐ]. Por ser essa a consoante também usada na língua inglesa, muitos gringos acabam adotando essa variante quando aprendem o português.

    Em Piracicaba (SP), o erre caipira é usado também no ataque da sílaba, o que dá aos falantes das outras cidades do interior a impressão de que o erre de lá é "mais puxado".

    Piracicaba - ['piɹasikabɐ]

    No final de verbos e substantivos, acho que é comum em muitas (todas?) regiões simplesmente deletar o erre, o que, contudo, não é um fenômeno obrigatório.

    trabalhar - [tɾaba'ʎa(h)]
    calor - [ka'lo(h)]

    Até pouco tempo, o padrão utilizado pelo William Bonner e a Fátima Bernardes no Jornal Nacional era o do erre fricativo glotal. Com a chegada da Patrícia Poeta, que é do Sul, ouve-se tanto Jo[ɦ]nal Nacional, quando quem fala é o Bonner, quanto Jo[ɾ]nal Nacional, quando quem fala é a Patrícia.
     
  24. babyray Senior Member

    Italian
    Muito obrigada pela sua reposta. Na verdade isso tudo é muito difícil para mim já que eu não estou acostumada a usar esses termos (tônico, átono) e agredeceria muito você se pudesse escrever uns exemplos para que eu possa entender. Aliás, a inserção do "s" acontece só com os substantivos e adjetivos?

    A propósito da pronunciação do "r", é correto dizer que no Rio tem um som de "r" francês"?

    Desde já, obrigada!
     
  25. Istriano

    Istriano Senior Member

    -
    Não.

    Rio ['hi.ju] (no Nordeste, MG, ES, Norte) ou ['xi.ju] (no resto do país)
    (no Rio se pode ouvir as duas pronúncias)

    Barra em português brasileiro soa como Baja em espanhol. ;)

    O r francês é como pronunciam em Lisboa: Rio/riu ['Riw] (R = vibrante múltipla uvular).

    RIO = como 'he-you inglês mais ou menos :D
     
    Last edited: Jan 18, 2012
  26. Ariel Knightly

    Ariel Knightly Senior Member

    Rio de Janeiro
    Brazilian Portuguese
    Babyray, uma ferramenta que pode te ajudar bastante é a Wikipedia. Lá você tem a explicação e a gravação de cada um desses sons que eu mencionei acima. Aqui, por exemplo, você pode ouvir a fricativa glotal surda, que é a que normalmente usamos no Rio. Nosso erre tenso - que usamos quando estamos nervosos, por exemplo -, pronunciamos com a fricativa velar, que já é um pouco mais próxima do erre francês.

    Quanto ao /S/ em final de sílaba, esses são alguns exemplos que eu posso te dar:

    pôs - ['pojʃ]
    após - [a'pɔjʃ]
    pés - ['pɛjʃ]
    bebês - [be'bejʃ]
    capuz - [ka'pujʃ]
    rapaz - [ha'pajʃ]

    Se o /S/ não estiver numa sílaba tônica - que é a sílaba forte, acentuada -, normalmente não há inserção do /i/.

    obras - ['ɔbɾɐʃ] --> aqui a sílaba forte é ['ɔ-], e não [-bɾɐʃ]
    carros - ['kaɦʊʃ] --> aqui a sílaba forte é ['ka-], e não [-ɦʊʃ]

    Se o /S/ não estiver em final de palavra, normalmente não há inserção do /i/, independentemente de estar ou não em sílaba tônica.

    peste - ['pɛʃtʃɪ]
    pasta - ['paʃtɐ]
    bosta - ['bɔʃtɐ]
    ostra - ['oʃtɾɐ]
    músculo - ['muʃkulʊ]

    Se você ainda não entendeu o que é uma sílaba tônica, pensa na palavra inglesa habit.
    Você diz HAbit ou haBIT? HAbit, certo? Isso porque a sílaba tônica é ['hæ-], e não [-bɪt].
     
  27. babyray Senior Member

    Italian
    Perdão pela minha pergunta tão confusa. Queria saber se no sotaque carioca o "r" dentro de uma palavra como nos casos de "porta" e "carta" e ao final dos verbos, sustantivos e adjetivos tem o som do erre francês. Obrigada!
     
  28. babyray Senior Member

    Italian
    Um grande obrigada pela sua explicação perfeita! A Wikipedia também foi útil. Agora entendo perfeitamente que a sílaba tônica é a que leva acento, seja gráfico, seja uma pronunciação mais forte. Você explicou-me que se o "s" não estiver numa sílaba tônica ou em final do palavra a inserção do "s" não acontece. Mas há algumas excepções? Por favor, seria possível para você escrevê-las?

    Muito obrigada de antemão!
     
  29. Ariel Knightly

    Ariel Knightly Senior Member

    Rio de Janeiro
    Brazilian Portuguese
    O que não acontece é a inserção do /i/.
    Acho que não.
     
  30. Istriano

    Istriano Senior Member

    -
    Sim


    mas (com o i de apoio) = porém
    más (normalmente sem o i de apoio) = plural de má (as más línguas)

    Eu pronuncio:
    gás [gais] n
    más [ma:s] (sem o i de apoio) adj
    mas [mais] (com o i de apoio) conj
     
  31. Ariel Knightly

    Ariel Knightly Senior Member

    Rio de Janeiro
    Brazilian Portuguese
    É verdade. Eu também sigo esse padrão. Será que essa é a única exceção? Por que será que em más não acontece a inserção do /i/?
     
  32. babyray Senior Member

    Italian
    Muito obrigada!
     
  33. babyray Senior Member

    Italian
    Talvez para que seja mais fácil diferenciá-lo de "mas"?
    Gostaria de saber se nos artigos "as" e "os" é possível usar o i de apoio o não. Aliás, na palavra "horas" a sílaba tônica é "ho" e não "ras", então não há o i de apoio, certo?

    Obrigada desde já!
     
  34. uchi.m

    uchi.m Senior Member

    Redeeming limbo
    Brazil, Portuguese
    Como vocês no Rio pronunciam pás, aquelas de cavocar a areia da praia? [pajʃ] ou [paʃ]? É que nem paz [pajʃ]?
     
    Last edited: Jan 22, 2012
  35. Ariel Knightly

    Ariel Knightly Senior Member

    Rio de Janeiro
    Brazilian Portuguese
    Agora já não sei dizer. Não estou mais conseguindo pronunciar essas palavras com naturalidade.

    A propósito, a Babyray descobriu mais um contexto em que ocorre a inserção do /i/:

    horas - ['ɔɾɐʃ]
    horas são - ['ɔɾa
    ɪ̯'sɐ̃ʊ̯̃]
    gatos - ['gatʊʃ]
    gatos são - ['gatu
    ɪ̯'sɐ̃ʊ̯̃]

    Isso também acontece nos outros dialetos?
     
  36. Istriano

    Istriano Senior Member

    -
    Não, no dialeto soteropolitano: gatos são ['gatu'são].
    No entanto, pode se ouvir sexta [sejʃta], mas acho que isso se deve à neutralização de ê/êi diante x, j: beijo/bêjo ~ carangueijo/caranguêjo, pêxe/peixe ~ sexta/seixta (essa última pronúncia na fala de pessoas que não pronunciam sexta: sêçta que também é possível em Salvador).
     
    Last edited: Jan 23, 2012
  37. Ariel Knightly

    Ariel Knightly Senior Member

    Rio de Janeiro
    Brazilian Portuguese
    Então em Salvador horas são teria a mesma pronúncia de oração?
     
  38. Istriano

    Istriano Senior Member

    -
    Depende, nem todo mundo pronuncia óração, córação...Há gente que fecha a vogal ôração, côração. :D
     
  39. makoto e toshio no rio Junior Member

    Around Rio de Janeiro
    BR Portuguese (dlt: flumi, acnt: krioca)
    Sei que já faz um tempinho mas lá vou eu.

    Isso é incrivelmente a coisa mais absurda que já li sobre meu dialeto em toda a minha vida (muito além sobre a palatalização da sibilante coda ser anormal, feia ou incorreta, muito além de dizerem que nossas consoantes pós-alveolares não são alveolo-palatais como as catalãs ou japonesas e sim palato-alveolares velarizadas labializadas como as inglesas, muito além dos paulistas que ficam acusando-nos do traço anormal deles - ditongação excessiva -, muito além de dizerem que nós fechamos [e] e [o] em ambiente átono como os sulistas e paulistas ao invés de deixarem eles médios como os equivalentes espanhóis ou japoneses, muito além de dizerem que nosso /l/ é claro, ao invés de velarizado ou faringealizado, inclusive antes da vogal ), tanto que criei uma conta só para corrigir este erro. A pronúncia "pan-fluminense" é geralmente não-uvular-sonora no Distrito Federal, em Santa Catarina, na zona da Mata de Minas Gerais e no Espírito Santo, mas ela é predominantemente uvular na cidade do Rio de Janeiro.

    A minha pronúncia (Niterói de 1 a 5 anos, mãe carioca, bacharel, classe média, pai carioca, ensino médio, intelectual de esquerda, avó paterna carioca, bisavó carioca filha e esposa de português, Nova Iguaçu 5 a 11 anos, avó materna de Cachoeiro do Itapemirim-ES, porém moradora do Rio de Janeiro desde os 9 anos, Rio de Janeiro 12 a 14 anos, pai carioca, bacharel, classe média, madrasta carioca, idem, Nova Iguaçu 14-hoje, mãe carioca) tipicamente alterna fricativa sonora, vibrante múltipla e fricative surda (nessa ordem) tanto velar quanto uvular (sim, eu faço uma vibrante velar com certa naturalidade, como quase todos na minha família, devo dizer que se pudesse não faria porque soa feio riaria), embora eu tenha aproximante/fricativa faríngea em marca e armário, transição glotal em rápido, meSmo e hashi, aproximante retroflexa velarizada em marketing e Mario Kart e tepe em por quê e sem vergonha.
    No caso de Rio de Janeiro, eu uso 1 - fricativa sonora uvular 2 - vibrante múltipla velar 3 - vibrante múltipla uvular

    Na página de Juiz de Fora da Desciclopédia podemos ver que os mineiros revoltz com o sotaque, dentre outras características fluminenses, cujo "erre é pronunciado como se a pessoa estivesse escarrando". É bem o som de uma vibrante múltipla uvular ou velar faringealizada, e isso num lugar remoto e exposto a um dialeto que não é o nosso. Na capital nosso erre é vibrante mais vezes que o lisboeta e que o parisiense. E eu acharia lindo não apenas que nós falantes de línguas europeias inovativas passássemos a ter orgulho do mais bonito dentre os erres guturais, como os falantes das línguas conservadoras (resto do Mediterrâneo e Leste Europeu) passassem a usá-lo também.

    Mas infelizmente, como natural para toda líquida que as vibrantes são, elas tendem a se vocalizarem (daí as pronúncias [u̯ ~ ʊ̯] - vogais /u/ e /i/ tem como alófonos [ʊ] and [ɪ] apenas em dialetos meridio-ocidentais, como o de São Paulo, então acredito que no Rio usemos apenas [u̯] - para o /l/, o ieísmo e o erre caipira, que se trata de uma semivogal roticizada) ou à fortição consonantalizante, óbvia pelo uso de fricativas no português que substituíram as antigas vibrantes tanto no ataque quanto na coda. Sei que isso é natural da evolução e que nenhuma língua ou dialeto é inferior ou superior, mas eu realmente gostaria da boa e velha pronúncia portuguesa (exceto o /l/ pois é muito imprático), quando faço tepe no coda perguntam se estou querendo imitar gauchês ou castelhano.

    Lembrando que isso não é uma batalha ideológica. Falantes de dialetos que não usam esse som geralmente o detestam, já vi até comentários xenófobos de brasileiros com síndrome de vira-lata sobre esse som visto como estereotipicamente europeu. Parece o mesmo que o MALDITO yeísmo do francês e do espanhol (meu nome tem um lh, então sinto-me pessoalmente atacado hehe), tão logo os valores antigos se vão, os indicadores de elite, sejam eles belos ou não, tornam-se odiados. Eu sou anarquista de esquerda, mas eu amo pronúncias e músicas clássicas, acho palidez uma característica muito mais bonita que bronzeamento (ruivos e ruivas *o*), entre outras coisas, mas gente muito mais conservadora e beata que eu iria querer me chamar de nazista por ter esse tipo de opinião, aqui no Brasil como em tantos outros lugares de fato politicamente correto causa uma censura muito forte (vejam bem que não sou oposto a combater linguagem ofensiva, intimidadora e opressiva, sequer sou contra o banimento de discurso de ódio). Triste!
     
  40. Alandria Senior Member

    Brasil - São Paulo
    Português


    Prepare-se para ser chamado de "português" por uma pessoa neste tópico... :rolleyes:

    Amigo, até onde eu sei, os baianos são os que mais abrem as vogais pretônicas e postônicas finais (exceto "e" e "u"). "SÍMBOLO" e "TERRÍVEL" (sufixo VEL aberto no sotaque baiano)

    Pronuncio BEBÊS e JESUZ sem a vogal i de apoio, porém concordo com você nos outros exemplos que você deu sobre os dialetos do ES e Brasília. É "mêis", "feiz", "faiz", atraiz" mesmo.

    O que nos diferencia dos cariocas e paulistas é que não temos essa excessiva ditongação nas nasais. Dizemos "bom" e "pronto" sem u de apoio, e "mente" sem o i de apoio, diferente dos cariocas e paulistanos.
     
    Last edited: Feb 16, 2013
  41. Alandria Senior Member

    Brasil - São Paulo
    Português
    (deletar msg, conseguir editar anterior)
     
    Last edited: Feb 16, 2013

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