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Vírgula a separar o sujeito do predicado - Port>Port

Discussion in 'Português (Portuguese)' started by Márcio Osório, Jan 14, 2006.

  1. Márcio Osório Senior Member

    Recife - PE
    Brazil, Brazilian Portuguese
    Como você justificaria a vírgula na frase abaixo?

    "A habitação que descrevemos, pertencia a D. Antônio de Maria..." --O Guarani, José de Alencar.

    Nas gramáticas procurei, mas não encontrei explicações que justificassem aquela a vírgula a separar -- no meu parco entender -- o sujeito do predicado.

    Grato.
     
  2. Vanda

    Vanda Moderesa de Beagá

    Belo Horizonte, BRASIL
    Português/ Brasil
     
  3. MJD Junior Member

    New Jersey, U.S.A.
    U.S.A. - English
    Consultei a minha cópia de O Guarani e o Márcio citou-a como aparece no livro.

    É a primeira frase do segundo capítulo intitulado "Lealdade":

    <<A habitação que descrevemos, pertencia a D. Antônio de Mariz, fidalgo português de cota d'armas e um dos fundadores da cidade do Rio de Janeiro.>>

    Eu também não sei porquê.
     
  4. Márcio Osório Senior Member

    Recife - PE
    Brazil, Brazilian Portuguese
    @ Vanda, obrigado. De fato, parece haver na oração uma subordinada a pedir mais uma vírgula. As orações subordinadas explicativas, via de regra, aparecem entre vírgulas, ao passo que as restritivas não.

    Mas José de Alencar bem que podia ter escrito:

    1. "A habitação antes descrita pertencia..."
    2. "... anteriormente descrita..."
    3. "... assim descrita..."
    4. Sua sugestão aqui.
    5. Sua outra sugestão aqui.
    6. Aquela sua outra sugestão aqui.
    7. A que você tem sempre na manga da camisa aqui.

    Mas o que fazer quando o cara, um escritor clássico, já não vive em nossa época, época em que ele poderia recorrer a um fórum como este para resolver suas dúvidas?!

    @ MJD, isso. A propósito, escrevi "Maria"; deveria escrever "Mariz". Com ou sem óculos, os olhos já me pregam peças. Se vivo hoje, José de Alencar provavelmente disporia de recursos de edição eletrônica e de um número sem fim de fóruns de discussão; enfim, teria tudo à mão, ali, ao clicar de um botão, ao rolar de uma página; provavelmente escreveria (ou teria escrito) um romance de 300 mil capítulos ou mais, em vários volumes, superando em muito a Enciclopédia Britânica e a Americana juntas. Quem sabe? Machado de Assis ficaria igual a menino numa fábrica de doces, pirulitos e chocolates. :)
     
  5. Vanda

    Vanda Moderesa de Beagá

    Belo Horizonte, BRASIL
    Português/ Brasil
    Marcinho querido acho, que achei a resposta. ( o acho que achei é proposital:)) E, por falar nisto, vcs estão me fazendo ir à gramática demais pra meu gosto. :D
    A gramática de J Nicola e Infante diz que, quando há verbos da oração subordinada (descrevemos) e da oração principal (pertencia) muito próximos, pode-se colocar uma vírgula, separando-se estes verbos. CONTUDO, o exemplo que eles nos dão é no caso da oração subordinada ser muito longa e aí o uso da vírgula é justificado por motivos de clareza, nao por motivos lógico-sintáticos. O exemplo da gramática é:
    A lagoa que a meninada esperta do bairro costumava visitar, foi aterrada. (Vê-se que a subordinada é muito longa).
    E agora fica a interrogação: na frase do Alencar, a subordinada é curta, mas os verbos das duas orações estão próximos. Seria este o motivo? :confused: Poderia ser erro de impressão, mas MJD consultou outra versão e é igual.
    Eu nem sonho em 'discutir' com Alencar (lol imaginando a cena - ainda acho que WR tinha que nos dar o emoticom de rolando no chão), o máximo que eu faria, seria sair babando atrás dele e do Machadinho com olhos vidrados, afinal os dois foram os heróis da minha adolescência, quando eu vivia grudada nos livros deles até minha mãe brigar comigo.

    Se alguém resolver o mistério, ficaremos muito felizes. Uma coisa é certa, se Alencar escreveu assim, é assim que deve ser. Isto pra mim é ponto pacífico. E ai, ai, ai se alguém sugerir que meus ídolos estão errados! :D
     
  6. Doval

    Doval Senior Member

    New York City, USA
    USA English/British Caribbean
    Que tal um destes?
     
  7. Márcio Osório Senior Member

    Recife - PE
    Brazil, Brazilian Portuguese
    @ Vanda
    @ MJD

    Obrigado pelas respostas. Leio Alencar pela primeira vez; Machado de Assis me espera; Rui Barbosa provavelmente ficará no fim da fila (ou da bicha), se ele não reclamar muito; outros autores me aguardarão deitados, pois sentado cansa. (A bem da verdade, nunca li uma única obra clássica detidamente, quero dizer, de cabo a rabo.)

    Preciso perder (ou aprimorar) essa mania de re(e)screver as frases dos livros que leio.
     
  8. Vanda

    Vanda Moderesa de Beagá

    Belo Horizonte, BRASIL
    Português/ Brasil
    Marcio
    já que você tocou no assunto, lá no final da fila, depois do Rui Barbosa, acrescente Joaquim Nabuco, em seu livro autobiográfico. Ele foi contemporâneo do Rui. Eu que pensava que sabia, ou já tinha visto, muitíssimas palavras cultas do dicionário, tive que recorrer a este, sei lá quantas vezes. Também, acho que Nabuco foi um dos primeiros a usar estrangeirismos em seus escritos, no caso o inglês, porque o francês já era um hábito da maioria: Machado principalmente. O fundo histórico é interessantíssimo. Sabia que ele defendia a monarquia inglesa acima de tudo? Todo o pano de fundo da política aristocrática da época de D Pedro até à independência.
    Para nossos amigos estrangeiros, sugiro que coloquem o livro láaaaaaaaa no final da fila daquilo que pretendem ler no português.:) Depois não digam que nao avisei!:D Meus alunos queriam atirar o livro - que é pesado- na minha cabeça e nem culpa eu tinha! Foi um dos livros do vestibular da Federal e eles tinham que ler para a prova.
     
    Last edited: Mar 21, 2011
  9. Outsider Senior Member

    Portuguese (Portugal)
    Suponho que poderia usar a justificação da Vanda, de que há uma oração subordinada entre o sujeito e o verbo principal. Outra justificação possível é que, na fala, pode haver uma pequena pausa entre "descrevemos" e "pertencia". Alguns escritores guiam-se mais pelas pausas que pela sintaxe.
     
  10. Juca Junior Member

    São Paulo
    Brazil / BP
    Tenho escrito pouco neste fórum, mas leio-o quase todos os dias. E sempre aprendo alguma coisa interessante. Essa da vírgula aparentemente supérflua foi ótima, ainda mais para mim, que sempre, sempre, escrevo, vírgulas, demais.

    Não tenho conhecimentos para criticar o parágrafo, estranho ou não, do José de Alencar. Mas eu gosto muito dessa vírgula, porque ela separa para sempre o primeiro sujeito do capítulo do resto deste. O capítulo não trata da casa descrita, mas sim de seu dono. Assim, de uma virgulada só, ela descarta a casa e vai tratar do que interessa no momento.
     
  11. Márcio Osório Senior Member

    Recife - PE
    Brazil, Brazilian Portuguese
    Não, Vanda. Talvez descubra isso se vier a ler a(s) obra(s) dele. Tenho o péssimo costume de ler obras pela metade. (As de Shakespeare, por exemplo, só consegui ler algumas); Os Lusíadas, nunca li até o fim, para não mencionar outros epopéicos, assim como o meu curso de Letras que também deixei pelo meio.
     
  12. Outsider Senior Member

    Portuguese (Portugal)
    Tem de passar a ler livros com menos páginas.
     
  13. Witor New Member

    Portuguese
    O pronome relativo "quem" foi substituído pelo pronome demonstrativo "a", então, esse pronome demonstrativo possui valor de "aquela habitação". O pronome relativo "quem" pode vir sem preposição "a" (a quem me referi ontem) quando possui função sintática de sujeito da oração.
    Nesse caso, como temos um pronome relativo, trata-se de uma oração subordinada adjetiva restritiva. Digo que é restritiva porque está restringindo àquela habitação dentre muitas e não explicando uma característica da habitação. Uma vez que ela está deslocada, ou seja, localiza-se antes da oração principal "pertencia a D. Antônio de Mariz" elas devem ser separadas por virgulas.
    Logo depois temos a oração subordinada adjetiva explicativa "fidalgo português de cota d'armas e um dos fundadores da cidade do Rio de Janeiro" a qual via de regra deve ser separada por vírgulas.
    Então temos na ordem direta assim:
    Pertencia a D. Antônio de Mariz, fidalgo português de cota d'armas e um dos fundadores da cidade do Rio de Janeiro, a habitação que descrevemos.

    ou
    Pertencia a D. Antônio de Mariz, fidalgo português de cota d'armas e um dos fundadores da cidade do Rio de Janeiro, aquela habitação que descrevemos.

    Talvez eu possa estar errado, visto que não sou professor.

    Estudo português para concursos, eu odiava, mas, graças as bençãos de Deus estou gostando muito!
    Tenho que estudar porque preciso casar!!!! My God!
    Um abraço a todos!
     

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