A pronúncia das consoantes /b/ e /d/

ChineseBoy

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Chinese
Gostaria de saber se existe um diferença entre as pronúncias de "d" nas palavras "todo" e "dono".
Alguém perguntou-me como pronuncia os alofones de /[β](letra "b") e [d]/[ð](letra "d"), mas acho que não há diferença entre eles (por exemplo: todo e dono, bala e aba)
O que os senhores acham?

Muito obrigado!!
 
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  • Istriano

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    Croatian
    Do meu dicionário português-alemão da Langenscheidt (que usa a variante lusitana do idioma):


    todo ['toðu]
    lisboeta [liʒ'βwetɐ]
    português [puɾtu'ɣeʃ]

    É um fenômeno que não se dá no Brasil.

     
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    Istriano

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    Croatian
    São alofones (realizações do mesmo fonema):

    todo /'todo/ ['toðo] (ES)
    tudo /'tudu/ (ou /'tudo/) ['tuðu]
    (PT.PT)
     

    Outsider

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    Portuguese (Portugal)
    Gostaria de saber se existe um diferença entre as pronúncias de "d" nas palavras "todo" e "dono".
    Alguém perguntou-me como pronuncia os alofones de /[β](letra "b") e [d]/[ð](letra "d"), mas acho que não há diferença entre eles (por exemplo: todo e dono, bala e aba)
    O que os senhores acham?
    Tenho a mesma impressão. Eu, por exemplo, tanto quanto me apercebo não uso habitualmente os alofones [β] e [ð]; digo sempre , [d], independentemente da posição na palavra. É certo que já ouvi falar assim, mas estou convencido de que muitos falantes, como eu, não usam esses alofones na fala espontânea. Nem sequer acho que a minha forma de pronunciar seja atípica neste aspeto. E no entanto os linguistas insistem em descrever a nossa língua como se nisto fosse igual ao espanhol! Refiro-me aos linguistas portugueses, porque também me parece que os linguistas brasileiros não reconhecem estes alofones. O que me leva a pensar que há aqui variações dialetais, ou mesmo idioletais, em ação, que os linguistas portugueses tendem a escamotear.

    Se me atrevo a usar um termo forte como "escamotear" é porque em Portugal esta forma de falar usando [β] e [ð] (e também [ɰ] em alternância com [g]) está marcada como "fina". É a que se ouve de preferência em canções ou quando as pessoas querem soar refinadas; mas na fala espontânea a minha impressão é que esses alofones muitas vezes (não digo que seja assim com todos os falantes) desaparecem. Para ser franco, acho que neste assunto os linguistas portugueses têm tendência para serem prescritivistas sem darem por isso.

    Ou então sou eu que falo com sotaque sem ter reparado... :)
     
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    Istriano

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    Croatian
    Tenho a mesma impressão. Eu, por exemplo, tanto quanto me apercebo não uso habitualmente os alofones [β] e [ð]; digo sempre , [d], independentemente da posição na palavra. É certo que já ouvi falar assim, mas estou convencido de que muitos falantes, como eu, não usam esses alofones na fala espontânea. Nem sequer acho que a minha forma de pronunciar seja atípica neste aspeto. E no entanto os linguistas insistem em descrever a nossa língua como se nisto fosse igual ao espanhol! Refiro-me aos linguistas portugueses, porque também me parece que os linguistas brasileiros não reconhecem estes alofones. O que me leva a pensar que há aqui variações dialetais, ou mesmo idioletais, em ação, que os linguistas portugueses tendem a escamotear.

    Se me atrevo a usar um termo forte como "escamotear" é porque em Portugal esta forma de falar usando [β] e [ð] (e também [ɰ] em alternância com [g]) está marcada como "fina". É a que se ouve de preferência em canções ou quando as pessoas querem soar refinadas; mas na fala espontânea a minha impressão é que esses alofones muitas vezes (não digo que seja assim com todos os falantes) desaparecem. Para ser franco, acho que neste assunto os linguistas portugueses têm tendência para serem prescritivistas sem darem por isso.

    Ou então sou eu que falo com sotaque sem ter reparado... :)


    No Sul de Pt (Algarve, Alentejo) não existem [β] e [ð], é uma coisa que começa no eixo Lx-Coimbra e vai para o Norte.
     

    Istriano

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    Croatian
    A Wikipédia diz:
    No norte e centro de Portugal,as plosivas sonoras /b/, /d/ e /g/ podem sofrer lenição e se transformarem nas fricativas [β], [ð], e [ɣ] respectivamente, exceto no início de palavras, ou depois de vogais nasais.
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Fonologia_da_língua_portuguesa

    Mesmo assim, me parece que a lenição lusitana não é tão forte assim.
    Quando os espanhóis pronunciam ''Portugal'': parece Portu'al (com o g bem engolido:D). Isso eu nunca ouvi em Portugal.
     

    Outsider

    Senior Member
    Portuguese (Portugal)
    E repare na linguagem cuidadosa: "podem sofrer lenição"... Em espanhol não há "poder"; é sempre assim... Em Lisboa ao menos, acho que muita gente simplesmente não faz essa lenição, ou fá-la apenas de modo esporádico. Claro que, sendo Lisboa a capital do país, tem muita gente originária de outras regiões...
     
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