Alguns casos envolvendo o uso de letra maiúscula

meencantesp

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Portuguese - Brazil
Deixo-lhes alguns casos que me deixam inseguro quando escrevo. De alguns já tenho certa noção, mas ainda gostaria de ver o que têm a me dizer sobre eles. Além disso, pode acontecer também de alguns deles serem casos repetidos, mas creio não ser grande problema. Não obtive boas respostas fazendo pesquisas na internet, visto que há vários manuais de redação e portais de ensino escolar divergentes entre si. Não confio também no dito "uso corrente" porque, ao que parece, a maioria não presta atenção aos detalhes, e não é incomum que jornalistas e colunistas cometam erros absurdos. Segue:

a) Moro na região sul do Brasil/Região Sul do Brasil.
b) A metade norte/Metade Norte do Rio Grande do Sul é uma região socialmente desenvolvida.
c) Viajei ao norte de Portugal/Norte de Portugal no ano passado.
d) Atravessamos o Atlântico Sul/Atlântico sul/atlântico sul num navio.
e) Na última semana, discutiu-se muito acerca da floresta amazônica/Floresta Amazônica/floresta Amazônica
f) Uruguaiana é uma cidade localizada na região da fronteira/Fronteira.
g) O sertão nordestino/Sertão Nordestino é uma região pobre.
h) Trabalho para o Governo do Estado de São Paulo/Governo do estado de São Paulo/governo do estado de São Paulo.
i) As monarquias do continente europeu/Continente Europeu decaíram com as revoluções liberais.
j) O processo de deposição da presidenta Dilma Rousseff/Processo de Deposição da Presidenta Dilma Rousseff encerrou-se em 2016. Fala-se de "épocas históricas notáveis" como um dos usos de maiúsculas. Ora, que constitui uma época "notável"? Não é algo demasiado subjetivo? O fato citado na minha frase já é parte da história, mas talvez não seja tão notável assim aos olhos de um português ou de um moçambicano.
k) Nasci na zona sul/Zona Sul de São Paulo.
 
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  • meencantesp

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    Outro questionamento sobre a palavra "estado". Alguns dizem que deve ser empregada com maiúscula inicial quando se refere ao conceito político de estado, enquanto a maiúscula, por sua via, deveria ser usada para as UFs do Brasil e indicando circunstância. Portanto:

    Sou do estado do Rio Grande do Sul.
    É dever do Estado prover serviços de saúde.
    Meu pai está em estado de coma.

    Outros usos já não me são tão claros (principalmente quando há plural):

    Defendo a política do Estado/estado de bem-estar social.
    Os estados/Estados de bem-estar social europeu possibilitaram avanços sociais importantes.
    A formação dos Estados/estados nacionais na América Latina deu-se, muitas vezes, de forma violenta.
     

    machadinho

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    Nomes próprios com iniciais em maiúsculas. Descrições definidas com inicias em minúsculas. Muitos nomes próprios são semelhantes, de letra a letra, a descrições definidas mas não são descrições definidas.

    Em vez de buscar regrinhas que se apliquem de cima para baixo, procure desenvolver o seu senso da distinção entre nomes próprios e descrições definidas. É cognitivamente mais proveitoso. É ser adulto em língua.

    Exercício:

    Nome próprio: O Governo de São Paulo é ridículo.​
    Descrição definida: Cabe ao governo de São Paulo o ensino médio.​

    Consegue ver a diferença?

    Essa diferença fundamental não deve ser apagada por uma regrinha de blog, um post de fórum, resposta de oráculo ou devaneio de gramático pop. É um fato semântico. É a distinção entre referir-se a algo (diretamente) e denotar algo (indiretamente). Caminho direto até a coisa? Nome próprio. Maiúsculas. Caminho indireto? Descrição. Minúsculas.

    Se você normalizar tudo para 'o Governo' ou tudo para 'o governo', tudo para 'Zona Sul' ou tudo para 'zona sul', o seu texto ficará pior.
     
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    meencantesp

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    Nomes próprios com iniciais em maiúsculas. Descrições definidas com inicias em minúsculas. Muitos nomes próprios são semelhantes, de letra a letra, a descrições definidas mas não são descrições definidas.

    Em vez de buscar regrinhas que se apliquem de cima para baixo, procure desenvolver o seu senso da distinção entre nomes próprios e descrições definidas. É cognitivamente mais proveitoso. É ser adulto em língua.

    Exercício:

    Nome próprio: O Governo de São Paulo é ridículo.​
    Descrição definida: Cabe ao governo de São Paulo o ensino médio.​

    Consegue ver a diferença?

    Essa diferença fundamental não deve ser apagada por uma regrinha de blog, um post de fórum, resposta de oráculo ou devaneio de gramático pop. É um fato semântico. É a distinção entre referir-se a algo (diretamente) e denotar algo (indiretamente). Caminho direto até a coisa? Nome próprio. Maiúsculas. Caminho indireto? Descrição. Minúsculas.

    Se você normalizar tudo para 'o Governo' ou tudo para 'o governo', tudo para 'Zona Sul' ou tudo para 'zona sul', o seu texto ficará pior.
    Consigo entender a diferença entre "Governo de São Paulo" e "governo de São Paulo". O primeiro seria um nome próprio por indicar O (artigo definido) Governo de São Paulo, a instituição específica chamada "Governo de São Paulo". Já o "governo de São Paulo" não diz respeito a uma instituição consolidada específica, senão a algo genérico de existência provável.

    O Brasil não tem uma instituição chamada "Parlamento", como certos países, mas tem um "parlamento" dividido em duas câmaras.

    Meu raciocínio está correto? Se sim, devo confessar que ainda não consigo decidir plenamente por um caminho a seguir na escrita. Numa prova de vestibular seriam aceitas duas formas? Peço desculpas se lhe parecer um pouco limitado no raciocínio...
     

    machadinho

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    Português do Brasil
    Consigo entender a diferença entre "Governo de São Paulo" e "governo de São Paulo". O primeiro seria um nome próprio por indicar O (artigo definido) Governo de São Paulo, a instituição específica chamada "Governo de São Paulo". Já o "governo de São Paulo" não diz respeito a uma instituição consolidada específica, senão a algo genérico de existência provável.
    Isso. :thumbsup: O nome próprio 'o Governo de São Paulo' é como uma etiqueta que pregamos numa coisa, num determinado mandato, numa determinada instituição política existente, para falarmos dela e somente dela, por exemplo, para falarmos do atual governo liderado hoje pelo Doria. A etiqueta pode ser boa ou ruim, não importa, contanto que esteja colada no objeto. Poderíamos usar outras etiquetas também, tanto faz. Usamos essa por conveniência e decoro.

    Já a descrição definida 'o governo de São Paulo' funciona de modo diferente: ela nos permite falar de um único objeto qualquer que satisfaça duas condições: (i) a de ser um governo, e (ii) de São Paulo. O governo Doria por acaso satisfaz essas condições, mas qualquer outro governo que ora vigorasse as satisfaria também.

    A etiqueta alcança o governo Doria diretamente, sem satisfação de condições; a descrição o alcança indiretamente, via satisfação de condições. Quem entende essa distinção entre nomes e descrições não vê contradição alguma em se afirmar, ao mesmo tempo, que:

    O Governo de São Paulo é ridículo mas o governo de São Paulo não.​

    O nome próprio não descreve o objeto do qual ele é um nome. Assim como 'Maria' não diz absolutamente nada sobre a Maria, a expressão 'a República Democrática da China' é tão somente um nome próprio, que se refere a um estado político na China, mas não o descreve, pois a China não era uma república e muito menos era democrática, mas ela ainda assim se chamava 'República Democrática'. O exemplo clássico na literatura é o nome do Sacro Império Romano, que não era sacro, nem romano e muito menos um império.
    O Brasil não tem uma instituição chamada "Parlamento", como certos países, mas tem um "parlamento" dividido em duas câmaras.
    Perfeito. :thumbsup: O nosso parlamento se chama 'Congresso'. O congresso britânico se chama 'Parlamento'. Que uma instituição dê a si o nome de 'Congresso Nacional' não basta para que essa instituição seja, de fato, um congresso nacional. É preciso algo mais, a saber, que ela seja um congresso e que seja nacional.

    Meu raciocínio está correto? Se sim, devo confessar que ainda não consigo decidir plenamente por um caminho a seguir na escrita. Numa prova de vestibular seriam aceitas duas formas? Peço desculpas se lhe parecer um pouco limitado no raciocínio...
    Não tem nada de limitado. O que estou tentando incutir em você é confiança em si próprio em matéria de língua portuguesa. Regrinhas não só não funcionam sem exceções como não estimulam o nosso senso ou intuição linguística. Todo mundo tem esse senso. Mas é como um músculo. Necessita ser exercitado para funcionar bem.
     
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    meencantesp

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    Confesso estar quase salivando novamente sobre o mesmo assunto (alguém pra me dar um calmante?), quase dois meses depois. Por que Governo de São Paulo, fazendo referência ao do Dória, leva maiúsculas? Somente um nome próprio deveria levá-las, não? Se o conjunto de elementos que formam a administração de Dória não se chama oficialmente Governo, por que deveria eu pôr maiúscula inicial?

    Outra: costumam dizer que se pode usar maiúscula na palavra país, fazendo referência a um nome próprio implícito. Mas pensando por essa lógica, podemos fazer o mesmo com várias outras palavras: por que não usar Homem, fazendo referência a João?

    Peço desculpas, sinceramente, se estiver sendo repetitivo ou inconveniente, mas está-me parecendo impossível aprender sobre uso de maiúsculas de forma 100 % satisfatória, e por várias razões:

    1- O uso comum parece absolutamente alheio a padronizações. Não é incomum ler textos com a maiúscula tendo função de negrito ou sublinhado (mesmo quando não se quer de fato dar destaque ao que está escrito), inclusive de meus professores.

    2- As fontes brasileiras e portuguesas que tratam do assunto são rasas demais, e o nosso grande Acordo Ortográfico não me serve em 99 % dos casos. Quando procuro meus professores, obtenho respostas baseadas nele.

    3 - Recorro então ao espanhol e à RAE (e como invejo uma dessas pro português). As regras dela aparentemente são bem mais coerentes, embora a do estado não me tenha ficado clara, e haja certas discrepâncias com o português (pra eles, é Revolución francesa, e não Revolución Francesa).
     
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    machadinho

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    Por que Governo de São Paulo, fazendo referência ao do Dória, leva maiúsculas? Somente um nome próprio deveria levá-las, não?
    Por quê? Porque é usado como nome próprio.

    Se o conjunto de elementos que formam a administração de Dória não se chama oficialmente Governo, por que deveria eu pôr maiúscula inicial?
    Por quê? Para se referir diretamente a esse conjunto por meio do nome próprio 'Governo'. Veja, para começar, não temos a obrigação de pôr maiúscula em nada. Ponha se quiser. Tem gente que não põe nem no próprio nome. Segundo, embora não se chame oficialmente Governo, assim ele se chama não-oficialmente ou tem a pretensão de assim se chamar. Nomes próprios são, por natureza, arbitrários. Basta batizar ou aceitar um batizado alheio e pronto.

    Outra: costumam dizer que se pode usar maiúscula na palavra país, fazendo referência a um nome próprio implícito. Mas pensando por essa lógica, podemos fazer o mesmo com várias outras palavras: por que não usar Homem, fazendo referência a João?
    Poder, pode. Só que ninguém vai te entender, né? Jesus dá ao pai dele o nome de 'Homem'. Mas também, na época dele, era meio feio falar o nome do pai dele assim, em público, sem mais nem menos. Pegava mal demais.

    Peço desculpas, sinceramente, se estiver sendo repetitivo ou inconveniente, mas está-me parecendo impossível aprender sobre uso de maiúsculas de forma 100 % satisfatória, e por várias razões:
    Tranquilo. É só cortar a abobrinha objetiva sobre a pronúncia medonha das mulheres e da gente menos favorecida socialmente, que tá valendo.

    1- O uso comum parece absolutamente alheio a padronizações. Não é incomum ler textos com a maiúscula tendo função de negrito ou sublinhado (mesmo quando não se quer de fato dar destaque ao que está escrito), inclusive de meus professores.
    Sim, ele é absolutamente alheio a padronizações. E isso é bom.

    2- As fontes brasileiras e portuguesas que tratam do assunto são rasas demais, e o nosso grande Acordo Ortográfico não me serve em 99 % dos casos. Quando procuro meus professores, obtenho respostas baseadas nele.
    Que bom.

    As regras dela aparentemente são bem mais coerentes, embora a do estado não me tenha ficado clara, e haja certas discrepâncias com o português (pra eles, é Revolución francesa, e não Revolución Francesa).
    Talvez porque, no fim das contas, não haja regras? De todo modo, para que a sua vida não fique tão sofrida, faça o esforço de tentar separar na sua cabeça as regras de grafia para títulos em citações bibliográficas (o livro de título Revolución francesa) e as supostas regras de grafia para nomes próprios ('Estado' em vez de 'estado'). São coisas diferentes, entende? Não há mistério quanto a estas. É só com aquelas que o bicho pega.
     
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    meencantesp

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    Fiquei até satisfeito com a resposta, mas seguem mais poucas coisinhas:

    Por quê? Sei que não se trata exatamente do tema do tópico, mas fiquei curioso pra saber sua opinião.

    Talvez porque, no fim das contas, não haja regras? De todo modo, para que a sua vida não fique tão sofrida, faça o esforço de tentar separar na sua cabeça as regras de grafia para títulos em citações bibliográficas (o livro de título Revolución francesa) e as supostas regras de grafia para nomes próprios ('Estado' em vez de 'estado'). São coisas diferentes, entende? Não há mistério quanto a estas. É só com aquelas que o bicho pega.
    Não sei se não o (ou a?) entendi ou se não me entendeu. O Revolución francesa de que falei tinha que ver com o nome de épocas históricas, e não com os títulos de livros (e essa regra já entendi muito bem, e nisso até já virei uma espécie de grammar nazi).
     

    machadinho

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    Por quê? Sei que não se trata exatamente do tema do tópico, mas fiquei curioso pra saber sua opinião.
    Quis dizer: que bom que você tem professores, não só bons como atenciosos, com quem contar. Nem todo mundo tem.

    Não sei se não o (ou a?) entendi ou se não me entendeu.
    Tanto faz. Eu falo como homem e gosto de homem e de mulher. Devo ser homem, né?

    O Revolución francesa de que falei tinha que ver com o nome de épocas históricas, e não com os títulos de livros
    Ah, desculpe. Por causa do grifo achei que fosse título. Foi mal.

    (e essa regra já entendi muito bem, e nisso até já virei uma espécie de grammar nazi)
    Ótimo. É bom que aí você me ajuda a consertar o mundo um pouquinho, pelo menos nesse quesito, que não tá fácil, viu?
     

    meencantesp

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    Um caso que me veio à mente: “rio Amazonas” ou “Rio Amazonas”?

    Pois bem, a regra diz que, em casos parecidos, se podem usar as duas formas (exceto nos casos em que “rio” faz parte do nome, como em “Rio das Antas”; não é possível dizer “Navegamos pelo 'das Antas'”). Em outros casos, como no do Tietê, é possível omitir a palavra “rio”, pelo que se pode também grafá-la com minúscula inicial: “Navegamos pelo Tietê” ou “Navegamos pelo rio Tietê”.

    Mas o problema do caso em questão é que existe um estado também com o nome “Amazonas”. Deveria eu seguir qual das regras? Usar “Naveguei pelo Amazonas” em alguns casos por gerar ambiguidade (naveguei pelo rio chamado “Amazonas” ou pelos vários rios do estado de nome “Amazonas”?).

    Que acham?
     

    machadinho

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    Regra: O emprego de 'rio' ou 'estado' será facultativo quando não houver risco de ambiguidade. Quando houver, e se a ambiguidade for mesmo um problema, já que nem sempre é, use 'rio' para o rio e 'estado' para o estado. No caso das guerreiras do mundo antigo, o contexto será de muita valia. No restante e nesses também, o bom senso será de mais ainda.
     
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