Dígrafo SC e para/pra/pra o/pro

Antonio d'Oliveira

Senior Member
Português - Brasil
1) Essa citação está certa? Se sim, ou se não, Portugal sempre pronunciou sc dalguns casos como x? O Brasil, sempre do jeito dele atual ?
Filho, creia-me no que te digo, Eu me registei aqui só para te responder, pois vi alguns tentando passar-se por portugueses, mas vi que pela resposta não são.

A resposta a tua pergunta é: Sim! Em Portugal, a pronúncia do sc sempre é como o ch de chá. Mas não somente do sc, mas também o do xc e ainda na junção entre uma palavra que termina com s e a seguinte incia-se com um s também. Por ex.:
Piscina pronuncia-se pichina.
Excelente, echelente.
Vais sair, vaichaire?
Falar, falare...

Esta pronúncia italianizada - não se fala sobre isto aqui em Portugal - é fruto do fascismo que se instalou com o Salazarismo, que em italiano, pronuncia-se "fachismo". Ficou-nos como herança desse período não somente o idealismo, mas a pronúncia também.

Espero ter tirado a tua dúvida.

Os meus melhores cumprimentos
2) Diz-se que sempre se pronunciou para como pra. Mas por que não se muda-o? E em Portugal, quando há vogal à frente da preposição, põe-se o artigo ou some-se o feminino (pra) e se mantém o masculino (pra o), que também poderia sumir (pro)? Quanto ao Brasil, qual a freqüência de uso de pro e pra o ?
 
  • guihenning

    Senior Member
    Português do Brasil
    Não se muda porque ortografia não se muda dum dia para o outro, essas coisas levam anos e anos. Outro motivo é que a língua escrita não adota “pro” e “pra“ nem tem o português a pretensão de ser uma língua cuja escrita imite perfeitamente a pronúncia.
     

    Alentugano

    Senior Member
    Português - Portugal
    Em Portugal, pra e pro são desaconselhados na escrita, a menos que/quando se pretenda fazer uma transcrição exata de um registo coloquial. Na prática, dizemos pra (para), prà (para a), prò ou prô (para o) mas, na escrita cuidada, não é muito comum escrevermos essas contrações. Pode ser até considerado deselegante num texto mais formal ou oficial.
    Entretanto, pode ser impressão minha, mas "porque não se muda-o" é, para mim, uma expressão estranhíssima. Pode até ser correta (será?) mas é algo que nunca ouvi ou li por cá.
     

    machadinho

    Senior Member
    Português do Brasil
    Entretanto, pode ser impressão minha, mas "porque não se muda-o" é, para mim, uma expressão estranhíssima. Pode até ser correta (será?) mas é algo que nunca ouvi ou li por cá.
    Não, não é correta, e que fique claro para todos que tampouco se trata de brasileirismo. (Diz o Carfer que se usa em dialetos de Portugal.) Que eu saiba é a segunda vez que o @Antonio d'Oliveira escreve essa pérola, e ele continua a se recusar a informar o endereço do Ciberdúvidas em que supostamente essa construção está justificada. Aos meus ouvidos, ele está misturando espanhol e português sabe-se lá por quê. Mas se ele quer continuar a fazer papel de ridículo, o problema é dele.
     
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    Antonio d'Oliveira

    Senior Member
    Português - Brasil
    Em Portugal, pra e pro são desaconselhados na escrita, a menos que/quando se pretenda fazer uma transcrição exata de um registo coloquial. Na prática, dizemos pra (para), prà (para a), prò ou prô (para o) mas, na escrita cuidada, não é muito comum escrevermos essas contrações. Pode ser até considerado deselegante num texto mais formal ou oficial.
    Entretanto, pode ser impressão minha, mas "porque não se muda-o" é, para mim, uma expressão estranhíssima. Pode até ser correta (será?) mas é algo que nunca ouvi ou li por cá.
    Há diferença mesmo das duas pronúncias de "pra"?
     

    Antonio d'Oliveira

    Senior Member
    Português - Brasil
    Não, não é correta, e que fique claro para todos que tampouco se trata de brasileirismo. (Diz o Carfer que se usa em dialetos de Portugal.) Que eu saiba é a segunda vez que o @Antonio d'Oliveira escreve essa pérola, e ele continua a se recusar a informar o endereço do Ciberdúvidas em que supostamente essa construção está justificada. Aos meus ouvidos, ele está misturando espanhol e português sabe-se lá por quê. Mas se ele quer continuar a fazer papel de ridículo, o problema é dele.
    Estou procurando a pregunta, colega. O sítio, infelizmente, não tem o melhor sistema de busca.

    Não se muda porque ortografia não se muda dum dia para o outro, essas coisas levam anos e anos. Outro motivo é que a língua escrita não adota “pro” e “pra“ nem tem o português a pretensão de ser uma língua cuja escrita imite perfeitamente a pronúncia.
    E quanto a freqüência de uso?
    Se falarmos duma pronúncia atenta, certa e aceite pela norma, seria "pra" ou "para" mesmo?
     

    Alentugano

    Senior Member
    Português - Portugal
    Há diferença mesmo das duas pronúncias de "pra"?
    Você quer saber se há diferença de pronúncia entre pra (para) e prà (para a)? Se for isso, a resposta é afirmativa e é a mesma diferença de pronúncia que tu podes ouvir entre "a" e "à". O "a" de pra é fechado enquanto que o "à" de "prà" é aberto, se é que isso faz sentido. Fonética não é a minha praia. :D Se não entendeste a minha explicação, procura aqui no fórum, pois há muitos threads em que a diferença de pronúncia (no português europeu) entre "a" e "à" é abordada e muito bem explicada/demonstrada.
     

    Carfer

    Senior Member
    Portuguese - Portugal
    (Diz o Carfer que se usa em dialetos de Portugal.)
    Concordo que é uma construção que também a mim não me soa bem, mas, como disse, recordava-me de ter lido na Gramática da Gulbenkian algo sobre ela, que possivelmente retive por me ter parecido invulgar. Como não tenho comigo a dita Gramática, andei à procura na net e encontrei no Ciber esta referência indirecta:
    Há muita controvérsia à volta deste assunto, sendo que a construção não é consensual entre gramáticos normativos. Do ponto de vista descritivo, a sequência «se-o» ou a contração "so", por exemplo, em formas como "traz-se-o", fica igualmente excluída do português padrão, como se observa na Gramática do Português da Fundação Calouste Gulbenkian (vol. II, pág. 2235, pág. 2236), a qual, entanto, não deixa de anotar que existem dialetos de Portugal (meridional e insular) que permitem esta construção (ibidem). «Trar-se-mo-á»: um caso de conjugação pronominal - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
     

    olivinha

    Senior Member
    Português, Brasil
    Aos meus ouvidos, ele está misturando espanhol e português sabe-se lá por quê. Mas se ele quer continuar a fazer papel de ridículo, o problema é dele.
    Espanhol não porque o pronome vem antes do verbo conjugado (com poucas exceções, como gerúndio ou imperativo).
    Aos meus ouvidos, um falante nativo jamais diria isso de forma natural.
    Mas por que não se muda-o?
     

    machadinho

    Senior Member
    Português do Brasil
    Mas por que não se muda isso? Pronto. Pra que complicar?

    Feita a ressalva dos dialetos de Portugal, a construção problemática comete a proeza de pôr o sujeito de 'muda-se' na posição de objeto de 'muda'.

    Obrigada pelo endereço, Carfer. E obrigada pela correção, olivinha.
     
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