Elisões na fala quando duas vogais coincidem

Dymn

Senior Member
Olá gente,

Ando a pensar em como as vogais interagem quando se encontram juntas entre palavras. Interesso-me pela pronúncia pois já conheço a escrita. Vou colocar alguns exemplos:

de uma cajadada ou d'uma cajadada?
de o presidente ter dito ou d'o presidente ter dito?
de análise
ou d'análise
que me/te/lhe abram
ou que m'/t'/lh' abram?
que eu
ou qu'eu?

Se vocês têm outras situações suscetíveis a elisão não hesitem em partilhá-las!

Muito obrigado! :)
 
  • englishmania

    Senior Member
    Português Europeu
    É possível pronunciar, por exemplo, (sem símbolos fonéticos) "di uma cajadada'', ''o facto di o presidente ter dito'', ''gosto que mi abram a porta', "qui eu", mas era importante ter uma frase completa... Penso que depende das regiões também.
     

    Dymn

    Senior Member
    Bom, a realização em "i" é a normal quando "e" se encontra diante de uma vogal, não é? Ou seja, a pronúncia normal do sufixo -ear é sempre -iar, por exemplo chatear /ʃɐˈtjaɾ/? Então não acho que isto seja uma elisão.

    Uma elisão seria eliminar a vogal. Pergunto porque li que embora os portugueses escribam "de um" sempre, lêem como "dum". Então pergunto-me em que casos é normal eliminar estas vogais quando entram em contato com vogais doutras palavras.

    mas era importante ter uma frase completa...
    Por exemplo, "matei dois coelhos de uma cajadada", "tem muita capacidade de análise", "é preciso que eu tenha mais paciência".
     

    Carfer

    Senior Member
    Portuguese - Portugal
    Olá gente,

    Ando a pensar em como as vogais interagem quando se encontram juntas entre palavras. Interesso-me pela pronúncia pois já conheço a escrita. Vou colocar alguns exemplos:

    de uma cajadada ou d'uma cajadada?
    de o presidente ter dito ou d'o presidente ter dito?
    de análise
    ou d'análise
    que me/te/lhe abram
    ou que m'/t'/lh' abram?
    que eu
    ou qu'eu?

    Se vocês têm outras situações suscetíveis a elisão não hesitem em partilhá-las!

    Muito obrigado! :)
    Pelo que me toca, em todos os exemplos que deu pronuncio conforme a segunda opção. Aliás, penso que é uma prática normal e generalizada.
     

    Ari RT

    Senior Member
    Português - Brasil
    Se eu formulasse a sentença, diria que matei dois coelhos duma / numa cajadada. Se a sentença me fosse dada para ler com "de uma", eu leria "diúma", não eliminaria a sílaba "de".
     

    Dymn

    Senior Member
    Mas não é normal, em português europeu, a elisão dos -o finais, em qualquer contexto? Por exemplo vocês não diriam "iss' não tem piada", em vez de "isso não tem piada"? E assim com qualquer palavra terminada em -o.
     

    pfaa09

    Senior Member
    Portugal - Portuguese
    Mas não é normal, em português europeu, a elisão dos -o finais, em qualquer contexto? Por exemplo vocês não diriam "iss' não tem piada", em vez de "isso não tem piada"? E assim com qualquer palavra terminada em -o.
    Não falamos igual em todas as regiões, mas nem toda a gente omite esse o final nas palavras. Também não é em todas as palavras terminadas em o.
    Essas omissões, normalmente, dependem da palavra seguinte e do grau de formalidade. "Isso ontem não estava aí." (Issontem não estava aí) Pode dizer-se tudo junto com um ligeiro "arrastar" da vogal o.
    Todos temos os nossos "atalhos" linguísticos. Todos adaptamos a nossa forma de falar conforme as situações.
    A frase proposta: "isso não tem piada". Aqui pela minha região não ocorre essa omissão.
    Talvez mais a Sul (Alentejo / Algarve)= [Iss nã tê piada].Talvez nas ilhas, também.
    Pode ser que alguém com mais conhecimento na matéria possa ajudar.
     
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    Dymn

    Senior Member
    Na minha experiência há muita variabilidade, uma mesma pessoa pode pronunciar ou não a vogal segundo o contexto. Um contexto no qual me tenho deparado muito com esta omissão é por exemplo "acho que". Não sei se ouvi nunca o "o" claramente enunciado aqui.

    Seja como for, como é que vocês percebem aqui no Forvo as pronúncias do Aimae e da JoanaTheSaint? O primeiro acho que não tem nenhum rasto da vogal, a segunda tem-no mas é muito fraco, como se fosse dizer a vogal mas no fim a cortasse.
     

    pfaa09

    Senior Member
    Portugal - Portuguese
    O Aimae omite mais do que a JoanaTheSaint, embora seja uma diferença muito pequena. Devem ser de regiões diferentes.
     

    guihenning

    Senior Member
    Português do Brasil
    De modo geral, em todas as variantes, vogais átonas pós-tônicas podem desaparecer seja no encontro com outra vogal, seja com outra sílaba átona ou tônica que contenha sobretudo consoantes sibilantes. Quando o encontro vocálico é átono, é normal que a vogal mais alta se sobreponha à outra que ou é (ainda mais) fortemente enfraquecida ou desaparece.
    No Brasil, "e" átono pode ser persistente e tornar-se [j] para ligar-se à vogal tônica que o sucede: que eu > queu ou quiêu
    Também no Brasil, se a vogal átona for pós-tônica e estiver em sílaba cuja consoante seja surda ou sibilante seguida de sílaba tônica ou átona com consoante sonora, toda a sílaba surda pode ser elidida: gente de bem > gêndji bem | de baixo da mesa > djibada mesa
     
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