gerúndio em Portugal

wachi

New Member
Japanese
Eu pensava que em Portugal nao se usava gerundio (..indo...ando..) porque em Portugal usa-se como assim em vez de gerundio.

Eu estou a ver um filme.(P)
Eu estou a vendo um filme.(Br)

Mas acho que certamente se usa gerundio em Portugal (em portugues de Portugal) tambem, so que nao sei onde e quando se usa isso...

Portanto, alguem pode explicar onde e quando se usa gerundio em portugues de Portugal?

E sera que isso nao se pode trocar por "a infinitivo"??

Por favor.
 
  • Denis555

    Senior Member
    Brazilian Portuguese
    Eu pensava que em Portugal nao se usava gerundio (..indo...ando..) porque em Portugal usa-se como assim em vez de gerundio.

    Eu estou a ver um filme.(P)
    Eu estou a vendo um filme.(Br)

    Mas acho que certamente se usa gerundio em Portugal (em portugues de Portugal) tambem, so que nao sei onde e quando se usa isso...

    Portanto, alguem pode explicar onde e quando se usa gerundio em portugues de Portugal?

    E sera que isso nao se pode trocar por "a infinitivo"??

    Por favor.
    Washi,

    Você tem razão, em português de Portugal se usa o gerúndio, só que não em frases do tipo: Eu estou vendo um filme.
    Mas se usa (tal como no Brasil) nas chamadas "orações reduzidas".
    Veja alguns exemplos aqui de orações reduzidas:
    http://periodo.composto.vilabol.uol.com.br/osrg.html

    Um exemplo na prática aqui. (Também a música que se pode ouvir nesta página está cheia de gerúndios)

    O gerúndio tem mil e uma utilidades!:D
     

    Outsider

    Senior Member
    Portuguese (Portugal)
    De acordo com o Dennis. Em Portugal, o gerúndio é normalmente substituído por a + infinitivo nas locuções do aspecto progressivo. Mas em outras locuções verbais usa-se como no Brasil.

    Além disso, o progressivo com gerúndio ainda se usa em algumas falas regionais de Portugal, e na literatura.
     

    Daxter

    New Member
    Português PT
    O Gerúndio usa-se bastante aqui em Portugal mais na escrita do que na oralidade, como forma bastante eficaz de articular conceitos ou frases (já não se usa a expressão "orações", mas sim "frases"). Uma frase que contem um verbo no gerúndio, que complementa a informação de outra é chamada frase não finita gerundiva.

    Ex: "Tendo terminado o jogo, a multidão começou a dispersar."
     

    Denis555

    Senior Member
    Brazilian Portuguese
    Hoje estava lendo um livro de História de Portugal escrito no português de Portugal e vi a frase: Assim à medida que o tempo ia passando [...]
    Aí eu comecei a me perguntar: O gerúndio aqui é a única possibilidade? Nesses casos com um verbo sem ser o verbo "estar", o gerúndio é usado em Portugal? Quais são os verbos que "permitem" o uso do gerúndio em Portugal?
    Com verbos tipo,

    ANDAR:
    O país anda vivendo uma crise.

    IR:
    Eu vou levando a vida como posso. (como no exemplo inicial)

    VIR:
    Esse livro vem recebendo muitos elogios da crítica.

    CONTINUAR:
    Eu continuo gostando de churrasco. (no Brasil, também é possível aqui "a gostar")

    CHEGAR:
    Chegou alegrando o ambiente. (Aqui significaria outra coisa se disséssemos "a alegrar")

    VER, ESCUTAR, OBSERVAR, ETC:
    Vi teu filho nadando.

    Nadando, vi teu filho. (o sentido é diferente. Nesse caso acho que é o que já discutimos aí em cima)


    Ou seja, gostaria de saber dos nossos colegas portugueses que verbos são usados com o gerúndio, e quando o gerúndio não é usado, qual é a alternativa para os exemplos acima?
     

    Outsider

    Senior Member
    Portuguese (Portugal)
    Quais são os verbos que "permitem" o uso do gerúndio em Portugal?
    Com verbos tipo,

    ANDAR:
    O país anda vivendo uma crise.
    O infinitivo é possível, mas o gerúndio parece-me mais comum.

    IR:
    Eu vou levando a vida como posso. (como no exemplo inicial)
    Só se admite o gerúndio.

    VIR:
    Esse livro vem recebendo muitos elogios da crítica.
    Só se admite o gerúndio.

    CONTINUAR:
    Eu continuo gostando de churrasco. (no Brasil, também é possível aqui "a gostar")
    Ambos, mas mais o infinitivo.

    CHEGAR:
    Chegou alegrando o ambiente. (Aqui significaria outra coisa se disséssemos "a alegrar")
    Só se admite o gerúndio. Repare que aqui não tem propriamente uma locução verbal; "alegrando" tem função de advérbio.

    VER, ESCUTAR, OBSERVAR, ETC:
    Vi teu filho nadando.
    Ambos, mas mais o infinitivo.

    Nadando, vi teu filho. (o sentido é diferente. Nesse caso acho que é o que já discutimos aí em cima)
    Ambos, mas mais o infinitivo.
     

    Denis555

    Senior Member
    Brazilian Portuguese
    'Brigado Out!
    'Cê tirou as dúvidas qu'eu tinha! Uma das coisas que usamos para diferenciar o português do Brasil do de Portugal é falar sobre o gerúndio com o verbo estar. Mas com outros verbos não é tão diferente assim.
    Eu posso até dar um palpite que num futuro não muito distante as duas variantes vão se tornar uma só.
    E só os portugueses é que podem nos ajudar para que isso aconteça. A hipocrisia dos "senhores" da gramática no Brasil não respeita o povo, mas quando falarmos em qualquer parte do mesmo jeitinho NINGUÉM mais vai se opor às mudanças... E essas mudanças partirão dos portugueses que me parecem são mais respeitados como um povo falante de uma língua.
     

    Alandria

    Senior Member
    Português
    'Brigado Out!
    'Cê tirou as dúvidas qu'eu tinha! Uma das coisas que usamos para diferenciar o português do Brasil do de Portugal é falar sobre o gerúndio com o verbo estar. Mas com outros verbos não é tão diferente assim.
    Eu posso até dar um palpite que num futuro não muito distante as duas variantes vão se tornar uma só.
    E só os portugueses é que podem nos ajudar para que isso aconteça. A hipocrisia dos "senhores" da gramática no Brasil não respeita o povo, mas quando falarmos em qualquer parte do mesmo jeitinho NINGUÉM mais vai se opor às mudanças... E essas mudanças partirão dos portugueses que me parecem são mais respeitados como um povo falante de uma língua.
    O que eu não consigo entender na gramática normativa é a falta de flexibilidade frente a outras variantes do Português que não sejam as utilizadas em Lisboa. Tenho colegas portugueses que se espantam com a maneira como a língua é ensinada no Brasil por esse motivo.

    Nesse caso, os falantes do castelhano estão a anos-luz a nossa frente, admitindo o "vos" que é usado da forma mais misturada possível. A diversidade no castelhano é valorizada, não reprimida.
     

    Outsider

    Senior Member
    Portuguese (Portugal)
    E essas mudanças partirão dos portugueses que me parecem são mais respeitados como um povo falante de uma língua.
    Não sei, não... ;)

    Acho que a melhor solução mesmo é aceitarmos que «uns dizem "estou falando" e outros dizem "estou a falar"»; conhecer e respeitar as diferenças. Não acho provável que nenhuma das versões caia em desuso tão cedo. :)
     

    Alandria

    Senior Member
    Português
    Não sei, não... ;)

    Acho que a melhor solução mesmo é aceitarmos que «uns dizem "estou falando" e outros dizem "estou a falar"»; conhecer e respeitar as diferenças. Não acho provável que nenhuma das versões caia em desuso tão cedo. :)
    Poderia me dizer se fora os alentejanos. Os algarvios, madeirenses e açorianos usam o gerúndio?
     

    Outsider

    Senior Member
    Portuguese (Portugal)
    Que eu saiba, são só esses três dialectos portugueses que ainda usam sistematicamente o gerúndio na fala. No entanto, na literatura é comum usar o gerúndio em alternância com o infinitivo.
     

    Denis555

    Senior Member
    Brazilian Portuguese
    O meu raciocínio é simples: Todos sabemos que hoje o Brasil está em toda parte em Portugal. Os primos da América do Sul começaram a falar (e não falando que daria um outro sentido) e como falam(!) na televisão, na música, nos filmes, etc.

    Isso tudo com o passar do tempo chegará a influenciar (mais uma vez o infinitivo) os portugueses a falar (mais infinitivo) igual. É um processo natural ninguém vai forçar a barra. Você já nasce com esse modo de falar e repete.

    Quando eu disse sobre o fututo, num futuro não muito distante de uns 200 anos, ou seja, nem nós nem nossos netos mas os netos de nossos netos, nossos trinetos só 6 gerações, falarão igualzinho.

    Portugal e Brasil falarão do mesmo jeito por vezes "errado" dos brasileiros. Esse jeito automaticamente deixará de ser "errado" por ser falado por todos incluindo nossos primos europeus.

    Ao meu ver, a grosso modo, o Brasil influenciará Portugal na língua e Portugal influenciará o Brasil na lei. E nossos trinetos viverão felizes para sempre.
    É uma pena a gente não ter uma bola de cristal pra dar uma olhadinha no futuro!
     

    gvergara

    Senior Member
    Español
    Oi:

    Dado que estar + gerúndio é trocado por estar a + Inf em Portugal, perguntei-me se continuar a + Inf (continuei a ler)pode se expressar como continuar + gerúndio (continuei lendo)

    Gonzalo
     

    contiana

    New Member
    español - portugues
    Olá,
    estava pesquisando o uso da estrutura estar+infinitivo e achei este forum aqui...
    A minha dúvida surgiu ao ler Mia Couto e ver que em muitas ocasiões seus personagens realizam frases do tipo: Estou ver que você..., está comprender?, etc.
    Quis saber se essa construção era usada só em Moçambique ou se existia tb em Portugal. Achei depois, num trabalho de pesquisa sobre a língua oral de Maputo, uma frase com essa estrutura mas sem nenhum comentário.
    Será que alguem de vc pode me dizer se é frequente a construção assim sem preposição? se é usado tanto na escrita quanto na oralidade? etc.
    obrigada
     

    Carfer

    Senior Member
    Portuguese - Portugal
    Olá,
    estava pesquisando o uso da estrutura estar+infinitivo e achei este forum aqui...
    A minha dúvida surgiu ao ler Mia Couto e ver que em muitas ocasiões seus personagens realizam frases do tipo: Estou ver que você..., está comprender?, etc.
    Quis saber se essa construção era usada só em Moçambique ou se existia tb em Portugal. Achei depois, num trabalho de pesquisa sobre a língua oral de Maputo, uma frase com essa estrutura mas sem nenhum comentário.
    Será que alguem de vc pode me dizer se é frequente a construção assim sem preposição? se é usado tanto na escrita quanto na oralidade? etc.
    obrigada
    Em Portugal, não. A preposição é obrigatória: estou a ver, está a compreender?
     

    iheartportugues

    Senior Member
    English
    Algumas vezes (nao muitas vezes), ouvi portugueses usar "estar + gerúndio" em vez de "estar+a+infinitivo", para expressar o presente continúo.

    Este uso em Portugal está limitado/é característica a certas regioes, classe social?
     

    moura

    Senior Member
    Portuguese Portugal
    No Alentejo, zona e falar(es) que conheço relativamente bem, é comum falar-se no gerúndio. Recentemente tive ocasião de verificar que continua a ser assim.
     

    Vanda

    Moderesa de Beagá
    Português/ Brasil
    Eu já notei mesmo, que os costumes e falares brasileiros são muito identificáveis com a região do Alentejo. Acho que nossos colonizadores vieram, na maioria, de lá.
     

    englishmania

    Senior Member
    Português Europeu
    ^ Então as do norte...


    Sou do norte de Portugal e esta é a minha opinião.

    ANDAR:
    O país anda vivendo uma crise.
    Eu diria de outra forma: O país está a passar por uma crise./O país está a viver uma crise./ O país anda em crise.

    IR:
    Eu vou levando a vida como posso. (como no exemplo inicial)
    Gerúndio OK ou Eu levo a vida como posso/Eu vivo a vida como posso/Eu vou vivendo como posso.

    VIR:
    Esse livro vem recebendo muitos elogios da crítica.
    Gerúndio OK -> formal.
    O livro tem recebido.../tem vindo a receber

    CONTINUAR:
    Eu continuo gostando de churrasco. (no Brasil, também é possível aqui "a gostar")
    Não usaria o gerúndio.
    Continuo a gostar...


    CHEGAR:
    Chegou alegrando o ambiente. (Aqui significaria outra coisa se disséssemos "a alegrar")
    Chegou, alegrando o ambiente > gerúndio OK > formal
    Chegou e o ambiente ficou mais alegre. Chegou e alegrou o ambiente.

    VER, ESCUTAR, OBSERVAR, ETC:
    Vi teu filho nadando.
    Não usaria o gerúndio.
    Vi o teu filho (a) nadar.


    Nadando, vi teu filho. (o sentido é diferente. Nesse caso acho que é o que já discutimos aí em cima)
    Enquanto/Quando (eu) estava a nadar, vi o teu filho.
    Melhor> Estava a nadar e vi o teu filho.
     

    marta12

    Senior Member
    português
    Estou totalmente de acordo com a englishmania.

    Sou lisboeta, no entanto, quando andava na primária (os primeiros 4 anos de escola) usava muito o gerúndio nas redacções/composições e sempre fui repreendida.

    Não o uso na fala, mas ainda hoje o uso na escrita e, por mero acaso, nada tem a ver com influências brasileiras. :)
    É um tempo verbal que gosto particularmente pela continuidade da acção e que mais nenhum tempo verbal dá.
    As construções frásicas que faço parecem-me diferentes das brasileiras. Possivelmente são-no só para mim. :)
     

    Carfer

    Senior Member
    Portuguese - Portugal
    Pois é, também já ouvi dizer que viemos da região do Porto, um pouquinho mais ao norte até. De Guimarães, da Galícia (es), acho. Como é essa história mesmo?
    Julgo que depende das épocas e das vagas de emigração. Ao que parece, os primeiros colonos eram oriundos sobretudo do sul (tal como sucedeu, de resto, com outras possessões, como, por exemplo, os Açores), mas no século XIX e nas primeiras décadas do século 20 foi sobretudo gente do Norte que emigrou. Na literatura desse tempo, o "brasileiro" é uma figura constante e há muitas "casas de brasileiro" espalhadas pelo norte do país, construídas por aqueles que tiveram a sorte de enriquecer e que voltaram à terra natal.
     
    Last edited:

    Carfer

    Senior Member
    Portuguese - Portugal
    É sempre uma questão de História, @machadinho, seja ela a História séria ou a mistificação cozinhada para servir de esteio a outros propósitos "civilizacionais" (da qual estou bem ao corrente, porque foi aquela que me foi servida na escola com objectivos idênticos em meados do século passado).
    Mas, para o que aqui nos toca, talvez fosse bom lembrar que o aparecimento do infinitivo gerundivo é bastante recente em Portugal. Li algures que só ocorreu após o século XVIII, sem que se conheça a que ritmo se impôs no decorrer do XIX e até em que medida predomina nos dias de hoje (ainda que se saiba que é maioritário em boa parte do território). Julgo que há mesmo quem sustente que é um fenómeno relevante apenas no século XX. Ou seja, é bastante provável que os emigrantes portugueses que se estabeleceram no Brasil nos períodos em que a emigração foi numericamente mais significativa, desde o início da colonização até ao século XX, fossem maioritária ou quase exclusivamente "gerundivos". E isso também explicará a razão por que o infinitivo gerundivo é fenómeno quase exclusivo da actual variante portuguesa.
     
    Last edited:

    Alentugano

    Senior Member
    Português - Portugal
    Eu, como alentejano que sou, cresci com o gerúndio e noto que muitas pessoas em Portugal (inclusive professores) acham que se devem evitar ao máximo construções dessa natureza, sob pena de sermos tachados de rústicos/ignorantes/iletrados.
     
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