Há diferença entre as pronúncias das palavras "cãibra" e "câimbra"?

meencantesp

Senior Member
Portuguese - Brazil
Consigo notar uma diferença entre as duas palavras, mas alguns me disseram que não a percebem. Câimbra parece ser mais adequada à forma como eu e as pessoas ao meu redor pronunciam a palavra, enquanto cãibra fica muito estranha, dada a ausência do M. Alguém?
 
  • englishmania

    Senior Member
    Português Europeu
    Não conhecia a grafia "câimbra" (mas existe). Penso que são pronunciadas da mesma maneira, porque eu pronuncio cãibra "caimbra".
     

    guihenning

    Senior Member
    Português do Brasil
    Não há nenhuma diferença. A menos que alguém queira propositadamente diferenciá-las por afetação ou influência da escrita.
    Mas, a bem verdade, mesmo com a grafia diferente só há uma única maneira possível de pronunciar: ditongo nasal tônico e “a” fechado no final. Mesmo a impressão de pronunciá-las diferentemente é falsa.
     
    Last edited:

    meencantesp

    Senior Member
    Portuguese - Brazil
    Não há nenhuma diferença. A menos que alguém queira propositadamente diferenciá-las por afetação ou influência da escrita.
    Mas, a bem verdade, mesmo com a grafia diferente só há uma única maneira possível de pronunciar: ditongo nasal tônico e “a” fechado no final. Mesmo a impressão de pronunciá-las diferentemente é falsa.
    Isso foi o que alguns me disseram. Mas ainda assim, numa leitura individual de cada palavra, câimbra parece soar diferente de cãibra na maior parte das vezes. Em cãi não se tocam os lábios, enquanto em câim, sim. Acho que é um caso semelhante ao da palavra muito (em que o UI é sucedido de um imaginário N, ainda que ele não esteja na grafia da palavra).
     

    guihenning

    Senior Member
    Português do Brasil
    Em cãi não se tocam os lábios, enquanto em câim, sim.
    Se essa afirmação fosse verdadeira, Caim, querubim, ruim, assim, fazem, comem, amam etc também teriam a letra eme pronunciada, entretanto isso não acontece. Tanto em câimbra quando em cãibra os lábios vão-se tocar não por conta do eme, mas por conta do bê.
    Claro que eu não vou me sentar aqui e lhe dizer como você efetivamente pronuncia ou tem de pronunciar as palavras do seu português, mas me parece improvável que o seu cérebro tenha quebrado uma regra fonológica muito geral, internalizada e ampla para apenas uma única palavra num contexto fonético que de especial não tem nada. Pode acontecer, claro, mas é provável que a diferença se esteja fazendo por influência ortográfica, mas apenas quando se pronuncia a palavra conscientemente ou numa tentativa de diferenciar propositadamente por conta da grafia.
     
    Last edited:

    meencantesp

    Senior Member
    Portuguese - Brazil
    E em 'cãib' se tocam?
    Se essa afirmação fosse verdadeira, Caim, querubim, ruim, assim, fazem, comem, amam etc também teriam a letra eme pronunciada, entretanto isso não acontece. Tanto em câimbra quando em cãibra os lábios vão-se tocar não por conta do eme, mas por conta do bê.
    Claro que eu não vou me sentar aqui e lhe dizer como você efetivamente pronuncia ou tem de pronunciar as palavras do seu português, mas me parece improvável que o seu cérebro tenha quebrado uma regra fonológica muito geral, internalizada e ampla para apenas uma única palavra num contexto fonético que de especial não tem nada. Pode acontecer, claro, mas é provável que a diferença se esteja fazendo por influência ortográfica, mas apenas quando se pronuncia a palavra conscientemente ou numa tentativa de diferenciar propositadamente por conta da grafia.
    É como se em câimbra os lábios se tocassem antes (em relação a cãibra), ainda no momento de pronunciar o M. Não sei explicar bem ao certo. Acho então que seja por influência ortográfica mesmo.
     
    Last edited:

    guihenning

    Senior Member
    Português do Brasil
    Não é possível, @Dymn. Coimbra tem três sílabas co-im-bra e *caimbra só tem duas. Assim, sem acento, teria de ser pronunciada “ca-IM-bra”, o que não é, nem de longe, a pronunciação corrente.
     

    guihenning

    Senior Member
    Português do Brasil
    Talvez justamente pela separação silábica. O eme traz o i para junto de si na separação, causando um hiato que não existe. Bem, ambas as grafias coexistem, mas cãibra tem geralmente preferência e é a grafia que não desafia as regras da língua na hora da separação silábica: cãi-bra.
     

    machadinho

    Senior Member
    Português do Brasil
    "Cãibra" é uma palavra bastante estranha, há que assumir. Não acham? :p A palavra "muito" também estava a precisar de um til...
    Deve haver pouquíssimos casos semelhantes a 'cãibra', não deve? Só encontrei 'zâimbo' e 'zãibo' até agora. Então, @guihenning, afinal de contas, o que acontece com o famigerado 'muito'? Til no 'u' não dá mais. Til no 'i' não muda o acento tônico. Pôr circunflexo no 'u' e ene depois do 'i' não fica lindo: *mûinto. Tratamento especial?
     
    Last edited:

    guihenning

    Senior Member
    Português do Brasil
    Múinto? (mu.in.to) Mas a grafia mais conveniente é mesmo a atual, parece. O que eu queria mesmo era entender exatamente o que aconteceu, pois de MULTUM que deu mucho, molto, moult… e… muito. Se tivesse pelo menos vindo de *MUCTUM… A razão da grafia parece ser porque nem sempre foi nasal. Camões o rimava com "fruito" porque na época não era nasalizado, então a queda do ele não perece ter influenciado, já que aconteceu uns quatrocentos anos antes de Camões. Acho que é mesmo a palavra mais especial da língua. Ou talvez tenha havido nasalização progressiva, o eme acabou por afetar o U que nasalizou o ditongo(?)… O mais comum é nasalização regressiva, o que explica o ão, ãe, o "ãi" de polaina e andaime (apenas no Brasil) e assim por diante…
     

    guihenning

    Senior Member
    Português do Brasil
    Não, mas água também não é e a gente tem de separar á.gu.a
    (embora seja crescente, e "muito" decrescente, como é de praxe).
    Por isso mesmo a atual grafia é conveniente, porque respeita pelo menos isso mui.to
     

    meencantesp

    Senior Member
    Portuguese - Brazil
    :thumbsup: Aliás, o 'm' não está ausente em 'cãibra'. Está em cima do 'a'.
    Mas como é que o til na letra á (que a deixa fechada) faz com que a letra i se torne nasal? Pergunto porque “cãibra” nunca me pareceu e ainda não me parece uma grafia natural. “Retomei” esse assunto na minha mente e decidi falar com algumas pessoas, as quais compartilharam da mesma opinião: “cãibra” só é igual a “câimbra” porque já se sabe das duas grafias para a mesma palavra. A pronúncia vem antes da escrita. Tentei exercitar a minha mente (e a dessas pessoas) pensando no seguinte: se lessem essa palavra (sem que nunca se tivesse lido) em voz alta e pedissem que a escrevesse, como se faria? Em maior parte me disseram que grafariam “câimbra”. Sim, não tem muito de científico nisso, mas é o que eu posso fazer. Não sei como se mede a percepção das pessoas de forma mais lógica.
     
    Last edited:

    guihenning

    Senior Member
    Português do Brasil
    Mas como é que o til na letra á (que a deixa fechada) faz com que a letra i se torne nasal?
    Ora, do mesmo jeito que o til de "mãe" nasaliza o <e> (que na verdade é semivogal). ou o til de "não" e quejandos...
    se lessem essa palavra (sem que nunca se tivesse lido) em voz alta e pedissem que a escrevesse, como se faria? Em maior parte me disseram que grafariam “câimbra”.
    Sim, é natural. O Português marca as suas vogais nasais e alguns ditongos com as letras <m> e <n>. Muito e cãibra são casos especiais, embora esta última não seja lá tão especial, já que se aceita câimbra. E tanto é que muito se lê por aí "muinto", porque os nossos cérebros já associaram as nasalizações às letras eme e ene.
     

    meencantesp

    Senior Member
    Portuguese - Brazil
    Porque ãi é um ditongo.
    Ora, do mesmo jeito que o til de "mãe" nasaliza o <e> (que na verdade é semivogal). ou o til de "não" e quejandos...

    Sim, é natural. O Português marca as suas vogais nasais e alguns ditongos com as letras <m> e <n>. Muito e cãibra são casos especiais, embora esta última não seja lá tão especial, já que se aceita câimbra. E tanto é que muito se lê por aí "muinto", porque os nossos cérebros já associaram as nasalizações às letras eme e ene.
    Agradeço a ambos pela resposta.
     
    < Previous | Next >
    Top