levar-me

Billie Ro

Senior Member
Spanish (Spain)
Saludos.

Por favor, ¿cómo entendéis esta frase a partir de la negrita? No entiendo la conexión entre la mecedora, el infierno y el bacalao y las sardinas.

Na morada exígua sento-me por longo tempo na cadeira de balanço, ora decrépita, que encontrei abandonada na praça. Desde o primeiro instante pareceu-me enfeitiçada, portadora de uma velada mensagem encarregada de levar-me até Cérbero, o guardião do ínfero, um pratinho de sardinha frita, bolinho de bacalhau, e com a esperança de bem cuidarme ao chegar a minha hora.

Un esbozo a modo de propuesta:
"Pensé desde el primer instante que estaba encantada, que era la portadora de un mensaje velado, según el cual me llevaría al infierno, en presencia de su guardián, el cancerbero, un platito de sardina frita, un buñuelo de bacalao, y llegada mi hora, me cuidaría bien."

¿Lo he entendido bien?

Gracias :)
 
  • Carfer

    Senior Member
    Portuguese - Portugal
    Muito difícil de lhe responder, porque também não estou nada certo de a ter entendido. Começo a assustar-me com a perspectiva da leitura do livro, na verdade. Se vou ter de decifrar estas charadas, linha sim, linha não... mais vale nem começar. Não lhe invejo a tarefa e invejo-lhe a coragem.
    Não faltará uma vírgula entre 'mensagem' e 'encarregada'? Será a cadeira de baloiço que está encarregada (creio que 'según' não traduz bem esta ideia) de o levar até à morte, ou será a mensagem? E a mensagem consistirá em dar-lhe a esperança de uma morte feliz, felicidade a que um pratinho de sardinha frita e um bolinho de bacalhau (ou a lembrança deles) darão substância? (estes lugares-comuns sobre os portugueses fazem-me sorrir, mas lá que têm um fundo de verdade, têm. A bem dizer, não me cairiam agora mal, não).
     

    pfaa09

    Senior Member
    Portugal - Portuguese
    Aquilo que eu percebo ao ler o texto é que o narrador nos fala da sua imaginação após ter encontrado ali aquela cadeira.
    Assim que olhou para ela começou a imaginar o tal cenário que descreve a seguir.
    Ele sentiu/achou que tal cadeira estava enfeitiçada, portadora de uma mensagem que levaria o narrador até ao Cérbero, guardião do mundo inferior / inferno com uma sardinha e um pastel/bolinho de bacalhau com a esperança de que quando a sua hora chegar, tenha um tratamento especial.
    Aquilo a que nós, portugueses chamamos de "dar graxa", agradar para mais tarde recolher frutos.
     

    olivinha

    Senior Member
    Português, Brasil
    Hola Billie
    "Pensé desde el primer instante que estaba encantada, que era la portadora de un mensaje velado, según el cual me llevaría al infierno, en presencia de su guardián, el cancerbero, un platito de sardina frita, un buñuelo de bacalao, y llegada mi hora, me cuidaría bien."
    Yo creo que lo tienes bien, pero ¿por qué quitaste la parte de la esperanza? You dejaría, y con la esperanza de llegada mi hora..., para no perder el contraste de estar delante del cancerbero pero con esperanza.
    Una cosita más, yo no creo que sea un buñuelo de bacalao, pero una ración de buñuelos (um pratinho), a no ser que un buñuelo de bacalao dé la idea de ración.
     

    Cainejo

    Senior Member
    Español-España
    Una cosita más, yo no creo que sea un buñuelo de bacalao, pero una ración de buñuelos (um pratinho), a no ser que un buñuelo de bacalao dé la idea de ración.
    Bien señalado, en español no da idea de ración. Por cierto, ese "pero" es "sino". Só por aperfeiçoar...
     

    Carfer

    Senior Member
    Portuguese - Portugal
    Penso que a frase pode ser lida de duas maneiras: ou como a Billie Ro a leu, um pratinho de sardinhas fritas mais um bolinho de bacalhau, ou um pratinho de sardinhas fritas ou/mais um pratinho de bolinhos de bacalhau. As porções portuguesas são conhecidas por serem (exageradamente) abundantes :), daí que nenhuma delas me espantaria. Precisamente por isso, manteria a estrutura original.
     

    Ari RT

    Senior Member
    Português - Brasil
    Na morada exígua sento-me por longo tempo na cadeira de balanço, ora decrépita, que encontrei abandonada na praça. Desde o primeiro instante pareceu-me enfeitiçada, {portadora de uma velada mensagem encarregada de levar-me até [Cérbero, o guardião do ínfero, um pratinho de sardinha frita, bolinho de bacalhau]}, e com a esperança de bem cuidar-me ao chegar a minha hora.
    Uma leitura possível:
    Em uma casa que lhe parece pequena, o narrador se vê sentado em uma cadeira de balanço desgastada, tão no fim da sua vida útil que alguém a jogou fora. O feitiço pode ser o fato de (a cadeira) lhe ter transmitido (ao narrador) a mensagem "memento mori". Na falta de uma conexão mais clara entre "levar-me a Cérbero" e os acepipes (1), leio que a mensagem deve "levar-me a
    - Cérbero e
    - aos acepipes".
    Lendo assim, a cadeira lhe infundiu a consciência de que a vida é finita e a sugestão do prazer simples de uma comidinha barata e de um balanço na cadeira velha no alpendre da casa modesta. Retirada essa casca da cebola, vamos à mais interna: a vida é mais que o luxo terreno, vem aí Cérbero para nos demonstrar isso, deixe de cuidados com o mundano e aproveite o que lhe resta dela, eis o que a já finada (abandonada na praça) cadeira lhe disse, essa é a mensagem que indica o bom caminho até a morte.
    E a esperança, segundo esse entendimento, segue a "enfeitiçada". Enfeitiçada (a cadeira) e com a esperança (a cadeira) de bem cuidar-lhe (acomodar-lhe o corpo) quando chegar a hora, destinados solidariamente (ele e a cadeira) ao mesmo fim. A cadeira foi personificada (por encantamento), tanto portava uma mensagem como tinha a esperança de cuidar-lhe.

    (1) O conectivo "e" entre "levar-me..." e "um pratinho..." teria gerado uma silabada, além da repetição de coordenações aditivas que poderia levar a falta de clareza. A solução sem "e" tampouco ficou clara mas, pelo menos, ficou mais estética.
     
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