Locuções pronominais e outros

Antonio d'Oliveira

Senior Member
Português - Brasil
Estão corretas as seguintes frases?

Amo tu e não ele.
Carlos tentou matar você mesmo.

Como omitir esses pronomes, ainda mais no primeiro caso? No caso da segunda, lhe é semelhante a frase "Carlos tentou matá-lo mesmo"?
 
  • aprendiendo argento

    Senior Member
    Slovenian
    Amo tu e não ele.
    É como se fala em Recife.
    Em Salvador ou em Vitória, ou em S. Paulo (capital) só seria amo você e não ele.

    O uso do tu acusativo (amo muito tu) ou dativo (olhei pa/pra tu) é coisa do alto Nordeste e de uns bairros do Rio (pra evitar o uso da palavra favela).


    O uso acusativo da palavra você faz parte da norma culta brasileira porque se trata de uma forma de tratamento:

    Suponha que seus colegas escolheram você / a vossa mercê / o senhor para coordenar a realização de audiências públicas nos bairros.
     
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    Ari RT

    Senior Member
    Português - Brasil
    Existem mil maneiras de evitar o problema.
    - Amo você;
    - Te amo (essa próclise meio estranha ainda é melhor que a proposta problemática, e por isso é frequentemente usada pelos falantes da língua);
    - É você que eu amo, não ele;
    - Meu amor é você, ninguém mais;
    A criatividade é o limite. Aliás, os recursos linguísticos de quem fala/escreve são o limite da criatividade. Ao deparar com uma sentença que pareça ruim, melhor tentar outra abordagem. Uma perífrase, uma inversão, um tempo composto, uma voz passiva, quem sabe. Ler muito. Quem lê muito enxerga muitas formas de escrever e acaba tendo muitos recursos, muitas opções de como expressar uma mesma ideia. É mais fácil escolher a melhor quando se tem muitas opções. Difícil é escolher a menos pior estando preso entre duas ou três apenas.
     

    Antonio d'Oliveira

    Senior Member
    Português - Brasil
    Parece-me que essa construção não é aceitável no português europeu, visto que, nesse caso, o verbo é transitivo directo, pelo que nós diríamos 'matá-lo'.
    Nem no português brasileiro.

    Existem mil maneiras de evitar o problema.
    - Amo você;
    - Te amo (essa próclise meio estranha ainda é melhor que a proposta problemática, e por isso é frequentemente usada pelos falantes da língua);
    - É você que eu amo, não ele;
    - Meu amor é você, ninguém mais;
    A criatividade é o limite. Aliás, os recursos linguísticos de quem fala/escreve são o limite da criatividade. Ao deparar com uma sentença que pareça ruim, melhor tentar outra abordagem. Uma perífrase, uma inversão, um tempo composto, uma voz passiva, quem sabe. Ler muito. Quem lê muito enxerga muitas formas de escrever e acaba tendo muitos recursos, muitas opções de como expressar uma mesma ideia. É mais fácil escolher a melhor quando se tem muitas opções. Difícil é escolher a menos pior estando preso entre duas ou três apenas.
    A idéia era manter as frases mais ou menos do jeito que estão e tentar omitir os pronomes.
     

    Nonstar

    Senior Member
    Nheengatu/il linguaggio del corpo
    Parece-me que essa construção não é aceitável no português europeu, visto que, nesse caso, o verbo é transitivo directo, pelo que nós diríamos 'matá-lo'.
    É verdade Carfer :D. Seria matar-lhe algo mais de seu, cão, filho, a sede...
     

    machadinho

    Senior Member
    Português do Brasil
    Será que algum dia o português do Brasil vai mudar e alcançar a elegância do português de Portugal?
     

    Ari RT

    Senior Member
    Português - Brasil
    A idéia era manter as frases mais ou menos do jeito que estão e tentar omitir os pronomes.
    Mas qual seria o objetivo de manter uma estrutura que não transmite bem o que se quer veicular? É um problema do tipo "meta um parafuso usando um martelo". Qual o problema, afinal? Meter o parafuso ou usar o martelo?
    A língua existe para que conteúdos presentes na mente de E (emissor) cheguem à consciência de R (receptor/es), não para que determinadas estruturas da língua sejam usadas. Se o problema real for meter o parafuso, a escolha óbvia de ferramenta é a chave de fenda.
    Já se o problema for usar o martelo, isso muda tudo. A melhor escolha seria um prego para ser batido pelo martelo. Mas isso não é linguística, é gramática.
    Se eu me chamasse Raimundo, bela rima, baita solução. Mas mais vasto é meu coração.
     

    machadinho

    Senior Member
    Português do Brasil
    A língua do Brasil maltrata demais os pronomes, não concorda?

    Parece-me que essa construção não é aceitável no português europeu, visto que, nesse caso, o verbo é transitivo directo, pelo que nós diríamos 'matá-lo'.
    É lheísmo em ênclise, um charme e outro charme, lenço e chapéu no passeio. Soa mais assustador:

    Eu vou lhe matar!​

    Esse 'lhe', acentuado, sonoro, líquido, já remete ao sangue escorrendo lentamente no colarinho, na calçada, no meio fio, na via pública, onde forma poça, que será o 'matar'. Compare:

    Eu vou te matar.​

    Bravata, né?

    Eu vou matá-lo.​

    Assim, asseado, aparecerá no relato só depois, no noticiário, à noite, da boca da testemunha, o que Carlos teria dito.
     

    Vanda

    Moderesa de Beagá
    Português/ Brasil
    É como se fala em Recife.
    Em Salvador ou em Vitória, ou em S. Paulo (capital) só seria amo você e não ele.

    O uso do tu acusativo (amo muito tu) ou dativo (olhei pa/pra tu) é coisa do alto Nordeste e de uns bairros do Rio (pra evitar o uso da palavra favela).


    O uso acusativo da palavra você faz parte da norma culta brasileira porque se trata de uma forma de tratamento:

    Suponha que seus colegas escolheram você / a vossa mercê / o senhor para coordenar a realização de audiências públicas nos bairros.
    Pergunta: Então você é brasileiro ou viveu em vários lugares no Brasil? Gostaríamos de saber.
     
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