Não sei se+infinitivo

Woojung Lee

New Member
Coreao
Hello:)

I have a question about portugués. In English we can use 'whether+to infinitive', In spanish also we can use 'si+infinitivo'
For example, I don't know whether to choose beef or fish<English>, No sé si elegir carne o pescado<Español>
In português we can use this sentence?? 'Não sei se escolher carne o pescado'

Thank you very much!
 
  • patriota

    Senior Member
    pt-BR
    No. The closest you can get to that is, "Não sei se escolho carne ou peixe."

    Of course, there are many other ways to say the same thing, for instance:

    Não sei se quero carne ou peixe.
    Não consigo decidir entre carne e peixe
    .
    Estou em dúvida, carne ou peixe?
    O que será que vou comer? Carne ou peixe?


    Naver has a Portuguese-Korean dictionary, by the way.
     

    jessbrazil

    Member
    Portuguese
    Só consigo pensar em se+infinitivo em frases do tipo:

    Se escolher carne ou peixe é um dilema eu não sei.
    Eu não sei se escolher carne ou peixe é um dilema.

    Mas não traduz a mesma ideia que a sua ideia original.
     

    Carfer

    Senior Member
    Portuguese - Portugal
    Hello:)

    I have a question about portugués. In English we can use 'whether+to infinitive', In spanish also we can use 'si+infinitivo'
    For example, I don't know whether to choose beef or fish<English>, No sé si elegir carne o pescado<Español>
    In português we can use this sentence?? 'Não sei se escolher carne o pescado'

    Thank you very much!
    No português de Portugal, não teria nada a opor a 'Não sei se escolher carne ou peixe'. Julgo que é uma forma abreviada - e que não é incomum - de dizer 'Não sei se (hei-de) escolher carne ou peixe' (futuro perifrástico, forma enfática que indica intenção ou dever). 'Não sei se (hei-de) rir se chorar', por exemplo, ocorre com frequência. Julgo que esse uso quando estamos perante alternativas e não sabemos por qual delas optar é legítimo. Claro que isso não se aplica a situações actuais como 'Não sei se estou só cansado ou doente'. Nesse caso, o uso do infinitivo não é possível, não faria sentido.
     

    englishmania

    Senior Member
    Português Europeu
    No português de Portugal, não teria nada a opor a 'Não sei se escolher carne ou peixe'. Julgo que é uma forma abreviada.
    Pessoalmente, não me soa bem dizer "Não sei se escolher carne ou peixe".
    Diria "Não sei se hei de escolher" ou "Não sei se escolha/escolho".
     
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    GabrielH

    Senior Member
    Portuguese - Brazil

    Carfer

    Senior Member
    Portuguese - Portugal
    Então, só para clarificar. Na vossa opinião objectam à construção apenas por malsonância ou conhecem alguma regra gramatical ou doutrinária que a proscreva?
     

    englishmania

    Senior Member
    Português Europeu
    A minha opinião baseia-se no uso que faço da língua e por observação. Tenho conhecimentos linguísticos, mas não conheço todas as regras para este caso em particular. O que sei é que se visse a frase escrita, iria pensar que estava incorreta, porque não considero uma construção natural em português. Isto é, eu não diria não sei se seguido de escolher e de duas alternativas (carne ou peixe).

    No entanto, poderia dizer "Não sei se escolher" num contexto diferente (daquele que se discute aqui), por exemplo, "Não sei se escolher agora é uma boa ideia. Devíamos pensar melhor".


    Na frase em apreço, o "se" inicia uma oração subordinada completiva/ integrante. Não inicia uma oração condicional. Numa oração condicional seria natural dizer "Se escolher já, como mais rápido."

    O que se quer dizer é = Não sei o que escolher, carne ou peixe. No entanto, não sei o que... não é o mesmo que não sei se...


    Só encontrei esta informação no ciberdúvidas.
    A modalidade epistémica exprime o saber ou a crença do locutor (ou de alguém de quem se fala - «Ele sabe que/se») sobre a afirmação que se apresenta na oração subordinada. Os verbos que exprimem conhecimento selecionam o modo indicativo na oração subordinada (cf. Mira Mateus, Gramática da Língua Portuguesa, p.261 e 599). Deste modo, exprime-se o saber relativamente a dados factuais (1), sendo a oração completiva apresentada como verdadeira:

    (1) «Ele sabe que hoje o João está em casa.»


    Normalmente, a introdução de uma negação na oração subordinante inverte o valor de crença expresso, ou seja, passa a exprimir-se um valor de crença fraco, o que conduz à seleção do modo conjuntivo:

    (2) «Não tenho a certeza que ele esteja em casa.»

    Porém, quando a oração completiva é uma oração interrogativa indireta, ainda que a subordinante inclua uma negação, não há lugar à seleção do conjuntivo como modo da subordinada porque «é assumida a veracidade de uma das proposições que fazem parte do conjunto de respostas possíveis à pergunta formulada e é esta a razão pela qual o modo selecionado é o indicativo». Por esta razão, é aceitável a frase (3) e não a frase (4):

    (3) «Não sei se ele está em casa.»


    (4) «*Não sei se ele esteja em casa.»

    Os verbos epistémicos são também compatíveis com o modo condicional na oração subordinada, desde que este esteja associado, por exemplo, a uma situação hipotética1:

    (5) «Não sei se ele estaria em casa se tu chegasses às 18h.»
     
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    pfaa09

    Senior Member
    Portugal - Portuguese
    No português de Portugal, não teria nada a opor a 'Não sei se escolher carne ou peixe'.
    Uma outra língua que possui uma construção como "não sei se comer ou se dormir" é o italiano mas no português não soa bem.
    Então, só para clarificar. Na vossa opinião objectam à construção apenas por malsonância ou conhecem alguma regra gramatical ou doutrinária que a proscreva?
    Apesar de não se ouvir com frequência e de soar pouco natural a alguns, eu acho que dá para entender bem e não tenho a certeza se é agramatical. Não me parece.
    Não tenho a certeza se já ouvi este género de construção, mas se a ouvir, não irei achar estranho.
     
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    guihenning

    Senior Member
    Português do Brasil
    E estas também lhe soam mal?
    Não sei se faça isto agora ou mais tarde.
    Não sei se fique em casa ou vá contigo.
    A mim me soam muito esquisitas. No meu português (e julgo que no português do Brasil seja assim mesmo) "se" usa-se com subjuntivo, mas apenas o imperfeito do subjuntivo ou futuro.

    Se eu pusesse, pedisse, dissesse
    Se eu puder, pedir, disser

    Não sei se faço isto agora ou mais tarde
    Não sei se fico em casa ou vou contigo
    Então, isto também soa mal? Em ambas as variantes?
    A mim não me soa tão mal, mas eu não usaria no dia a dia.
     

    englishmania

    Senior Member
    Português Europeu
    No meu português (e julgo que no português do Brasil seja assim mesmo) "se" usa-se com subjuntivo, mas apenas o imperfeito do subjuntivo ou futuro.

    Se eu pusesse, pedisse, dissesse
    Se eu puder, pedir, disser
    Mas esse se é uma conjunção condicional. Em Portugal, numa oração condicional, também se diz "Se quiseres/Se eu fizer/Se eu fizesse...". Não é o caso da frase em discussão.
     
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    englishmania

    Senior Member
    Português Europeu
    Rimas e quadras
    O cravo brigou com a rosa,
    Debaixo de uma sacada.
    O cravo saiu ferido,
    E a rosa despedaçada.
    Domínio público.

    Não sei se vá ou se fique
    Não sei se fique ou se vá

    Ficando aqui não vou lá
    E ainda perco o meu pique

    Sílvio Romero. Contos populares do Brasil
    O MAL DE NAVA
    Vinicius de Moraes

    Meu Deus, que tédio
    Que me devora
    Não sei se fique
    Se vá me embora

    Morrer? Se morro
    Quem me dá vida?
    Chorar? Se choro
    Quem me consola?

    Sinto fantasmas
    No seu silêncio
    Me sopram cinzas
    No coração
    Cinzas? quem dera.
     
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    Ari RT

    Senior Member
    Português - Brasil
    Eu definitivamente não usaria uma tal construção, nem a tenho observado. Mas também não sou capaz de afirmar peremptoriamente que seja agramatical. No momento estou perdido em conjecturas acerca da natureza da condição introduzida pelo "se". Me parece que uma "opção" possa ser uma subclasse de "condição" que admita verbos no infinitivo como alternativas. Mas preciso pensar muito mais a respeito.
    Por outro lado, talvez o estranhamento não se deva ao verbo no infinitivo, mas ao uso do "se" para introduzir a opção.
    - Decidir entre frango e peixe é difícil; decidir se frango ou peixe...
    Ou ainda um pouco das duas coisas. Será, talvez, possível uma construção optativa usando "se / ou" no lugar de "entre", e que essa forma admita o verbo no infinitivo, ou ainda opção entre ações verbais. Caso em que faria muito sentido apresentar os verbos à escolha na sua forma infinitiva.
    - Não decido entre amá-la e odiá-la; não decido se amá-la ou odiá-la.

    "Não sei se vá ou se fique" está perfeito, o verbo saber significando decidir (-se) pede mesmo subjuntivo. Que o coitado do subjuntivo seja pouco usado já é outra questão. As conjugações em segunda pessoa são pouco usadas em PT-BR e nem por isso...
     

    Carfer

    Senior Member
    Portuguese - Portugal
    Eu definitivamente não usaria uma tal construção, nem a tenho observado. Mas também não sou capaz de afirmar peremptoriamente que seja agramatical. No momento estou perdido em conjecturas acerca da natureza da condição introduzida pelo "se". Me parece que uma "opção" possa ser uma subclasse de "condição" que admita verbos no infinitivo como alternativas. Mas preciso pensar muito mais a respeito.
    Por outro lado, talvez o estranhamento não se deva ao verbo no infinitivo, mas ao uso do "se" para introduzir a opção.
    - Decidir entre frango e peixe é difícil; decidir se frango ou peixe...
    Ou ainda um pouco das duas coisas. Será, talvez, possível uma construção optativa usando "se / ou" no lugar de "entre", e que essa forma admita o verbo no infinitivo, ou ainda opção entre ações verbais. Caso em que faria muito sentido apresentar os verbos à escolha na sua forma infinitiva.
    - Não decido entre amá-la e odiá-la; não decido se amá-la ou odiá-la.

    "Não sei se vá ou se fique" está perfeito, o verbo saber significando decidir (-se) pede mesmo subjuntivo. Que o coitado do subjuntivo seja pouco usado já é outra questão. As conjugações em segunda pessoa são pouco usadas em PT-BR e nem por isso...
    Mas não há condição em 'não sei se...', Ari. Esse 'se' é uma conjunção integrante, tal como 'que' em 'sei bem que (qualquer coisa)'. A função de ambos é idêntica, só com a diferença de que aqui queremos exprimir incerteza e, logo, temos de usar 'se'. Aliás, é em boa parte por essa identidade de função que sou renitente em condenar a construção proposta, já que não me parecem problemáticas expressões como 'não sei que fazer/que dizer/que pensar/etc.' (ou sim? Admito que possa estar enganado, mas não me parece). Se é permitido um infinitivo precedido de um 'que' integrante, o que é que impediria o uso de um 'se' também integrante? Que saiba, não há regra nenhuma que o proíba ou sequer desaconselhe e é-me difícil escapar a raciocinar como o jurista que sou: o que não é proibido, é permitido (diria ainda com mais razão na língua do que no direito, mesmo sabendo que até aí a regra não tem valor absoluto). Quanto ao uso e à malsonância, bem... os usos variam e a malsonância é subjectiva.
    Tenho acompanhado este tópico com alguma curiosidade e estou um pouco perplexo porque, pensando bem, eu não rejeitaria nenhuma das construções, seja com o infinitivo, seja com o presente do conjuntivo ou com o presente do indicativo e vejo-me a usar qualquer delas sem inibição.
     

    Ari RT

    Senior Member
    Português - Brasil
    Muito bem observado. E cada vez mais me convenço de que o xis da questão não esteja no infinitivo, mas no whether.
    Mais um grãozinho de pensamento. Realmente, whether não introduz condição. Por falta de significante mais aproximado, nós lusófonos traduzimos whether por se.
    Observe que a construção que iniciou o fio pediria o verbo conjugado, se usasse if no lugar de whether: "I don't know if I choose beef..."
    Whether
    , parente do either, da mesma raiz germânica, introduz uma opção. Pede alternativa, implícita ou explícita, que balanceie a construção, e não consequência. Como "se...ou" em PT, e não como "se...então" (esta sim uma condição, um gatilho para que ocorra ou não uma consequência).
    - Se você chegar a tempo, jantaremos em família = condição > IF you ... THEN we'll...;
    - Jantaremos em família, você chegue a tempo ou não = opção > WHETHER you come OR not, we'll...;
    - I don´t know whether he speaks proper English = opção > ... SE ele fala um Inglês correto [OU não];
    - If he spoke proper English, he would have been the chairman = condição > SE falasse ... ENTÃO teria sido...

    No exemplo que abre o fio, temos
    - Não sei SE escolher x OU y.
    Não há aqui condição; não há consequência caso uma condição se cumpra.

    Perdoem a lerdeza do meu raciocínio. Assim como Carfer tende a usar as ferramentas que prefere, também eu, e as minhas pedem esse passo-a-passo. Afastada a hipótese de introdução de uma condição, posso então pensar no caso do infinitivo.
    Mas, então, como foi que o "se" optativo foi parar no ES?
     
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