Pronúncia da marca "Honda"

intruder

Senior Member
russian
Olá amigos.
Como vocês pronunciam Honda? Como "onda" ou "konda"? Já que não existe o som "h" em português.

Obrigado!
 
  • pfaa09

    Senior Member
    Portugal - Portuguese
    É o mesmo que "Onde" ou "Onda".
    H não se pronuncia. Só serve mesmo para a escrita.
     

    pfaa09

    Senior Member
    Portugal - Portuguese
    Nem eu fazia ideia de que falavam "Onda"...
    Em Portugal o "H" é sempre ignorado.
    No inglês, como sabemos, há sempre aquela pronúncia que se percebe que há um "h", é quase como um suspiro (leve).
    Em Portugal, nem isso. Só mesmo o contexto é que ajuda a perceber.
     

    guihenning

    Senior Member
    Português do Brasil
    Antigamente, os agás estrangeiros eram pronunciados mudos como os nossos; depois até vou pesquisar por comerciais antigos da Honda para ver se não era assim que normalmente se falava. Já vi pessoas que não têm muito contato com línguas estrangeiras ou mais velhas pronunciarem ‘onda’. Eu creio que hodiernamente a tendência brasileira seja aspirar agás doutras línguas, exceto as românicas, embora jamais se aspire um agá português.
     

    intruder

    Senior Member
    russian
    Agradeço as respostas de todos.

    @guihenning
    Não entendi esse trecho
    >>>seja aspirar agás doutras línguas, exceto as românicas, embora jamais se aspire um agá português.

    Aqui nesse contexto "aspirar" quer dizer "adotar"?

    Aliás, fiquei pensando e me lembrei que o mesmo acontece com "hobby" e "hóquei". Que são pronunciados no Brasil como "robby" e "róckei".
    @pfaa09 e em Portugal, será que "h" se cala até nas palavras hobby e hóquei?
     

    guihenning

    Senior Member
    Português do Brasil
    Aqui nesse contexto "aspirar" quer dizer "adotar"?
    Aspirar quer dizer, literalmente, soprar ar pela boca. Ao pronunciar palavras inglesas ou alemãs, por exemplo, o agá é quase sempre aspirado: hobby, hockey, Hund, Husten, gehören, prohibited, Vergangenheit, helicopter, daheim…
    Aliás, fiquei pensando e me lembrei que o mesmo acontece com "hobby" e "hóquei". Que são pronunciados no Brasil como "robby" e "róckei".
    Se eu ler ‘hobby’ e ‘hockey’, tendo a pronunciar à inglesa, entretanto, se leio ‘hóquei’, pronuncio à portuguesa ‘ókei’.
     
    Last edited:

    meencantesp

    Senior Member
    Portuguese - Brazil
    Antigamente, os agás estrangeiros eram pronunciados mudos como os nossos; depois até vou pesquisar por comerciais antigos da Honda para ver se não era assim que normalmente se falava. Já vi pessoas que não têm muito contato com línguas estrangeiras ou mais velhas pronunciarem ‘onda’. Eu creio que hodiernamente a tendência brasileira seja aspirar agás doutras línguas, exceto as românicas, embora jamais se aspire um agá português.

    Este tópico é ótimo. Tenho algo a dizer sobre o assunto. Percebi uma tendência no colégio que vai bem ao encontro disso que falou. Os meus professores costumam pronunciar palavras estrangeiras com o agá mudo, enquanto os meus colegas mais jovens tendem a pronunciar o agá com o som atual do erre, mesmo quando não seria exatamente correto fazê-lo (“Helsinque”, o nome já aportuguesado da capital da Finlândia, foi uma vez pronunciado como “Relsinque”). Aliás, falando disso, ouvi já uma pronúncia híbrida: pronunciando “hóquei” (a forma aportuguesada mesmo, e não “hockey”), um colega pronunciou o agá como se fosse no inglês e o resto da palavra da maneira portuguesa. Talvez o fato de os mais velhos pronunciarem o agá de forma muda seja resquício dos tempos em que o nosso erre era o vibrante múltiplo alveolar e não existia o som aspirado atual na língua portuguesa.
     

    Dymn

    Senior Member
    Então o /h/ é o som usado para o r múltiple no Brasil? O /r/ e o /ʁ/ não existem? Ou simplesmente tornaram-se minoritárias no país todo?

    Sim, nenhum "H" se pronuncia com qualquer som.
    E como é que vocês falam o j castelhano (p.ex. Badajoz, Rioja)? Já ouvi o Cristiano Ronaldo e o Mourinho a pronunciarem com o r português, é esta a pronúncia mais habitual?
     

    Guigo

    Senior Member
    Português (Brasil)
    Em Portugal, pronunciamos os nomes espanhóis com 'j' com o som do 'j' português, como em 'janela', 'jovem', etc.
    Idem, no meu caso e da maioria das pessoas que conheço e assisto - acho que é prevalente, no Brasil. Por exemplo, a mídia sempre chama o Papa Francisco de Jorge, mesmo e não "RorRe". Uma das poucas exceções é o nome Juan, dito "Ruan".

    Alias, recomendo, sobre este assunto, que se assista, no youtube, ao vídeo "Woody Allen", no canal Porta dos Fundos.
     

    Carfer

    Senior Member
    Portuguese - Portugal
    Mas é só preguiça ou as pessoas não sabem que o som verdadeiro é completamente diferente? :confused:

    Preguiça, porquê? O som do 'j' espanhol não existe em português. Mesmo quem sabe pronuncia à portuguesa e não apenas por facilidade, mas porque esse é o nome (e a pronúncia) tradicional em Portugal. "Verdadeiro" é relativo. Muitos desses lugares têm nomes em português há muitos séculos e, como é o caso de 'Badajoz', desempenharam papéis de grande relevo na nossa história comum. Logo, é lógico que tenham nomes próprios em português, que são igualmente "verdadeiros" para nós. 'Amberes', por exemplo, é menos verdadeiro em espanhol? Imagine os espanhóis a terem de dizer 'Anvers' ou 'Antwerpen' em vez de 'Amberes'. Se até os belgas usam nomes diferentes...
     

    Dymn

    Senior Member
    Mesmo quem sabe pronuncia à portuguesa e não apenas por facilidade, mas porque esse é o nome (e a pronúncia) tradicional em Portugal
    Entendi. Sei que o som não existe em português, mas estranhei porque vocês têm sons mais pertos do que o /ʒ/, por exemplo o /ʁ/, ou comer o som mesmo como fazem com as palavras inglesas. Ou /k/, em catalão também não há /x/ e antigamente quando as pessoas mal falavam castelhano substituíam-no assim. Mas bom, faz sentido se é questão de tradição. Em catalão a cidade de Cartagena é lida com /ʒ/ por tradição também, mas Badajoz, Rioja, Jaén, Getafe, todo com /x/.

    Na verdade José Mourinho é lido como /xo'se/ em Espanha, como se fosse espanhol, acho que podiam fazer uma adaptação e dizer pelo menos /ʝuˈse/, mas bom, também há o facto dos dois nomes escreverem-se da mesma maneira...

    E como você pronuncia "j" em Rio de Janeiro?
    Em catalão com /ʒ/, castelhano /x/, é verdade :oops:
     

    Carfer

    Senior Member
    Portuguese - Portugal
    Pois temos, mas a questão é porque é que haveríamos de os usar? Julgo que em nenhuma língua os falantes têm a preocupação de observar a pronúncia original dos nomes estrangeiros. No caso dos nomes espanhóis com 'j', e especialmente no caso de Badajoz, talvez não devêssemos sequer perder de vista que a própria pronúncia do 'j' espanhol também evoluiu. Já foi /ʒ/ como a portuguesa ou francesa e só há cerca de trezentos anos estabilizou na actual. Não sei quando o nome 'Badajoz' se impôs no português (na Idade Média e até ao fim do domínio filipino, o nome português da cidade era 'Badalhouce', mais próximo da que se julga ser a sua raiz árabe), mas é bem provável que o tenha sido numa altura em que o som ainda era o mesmo nas duas línguas. Se a união de coroas tivesse subsistido, é natural que a nossa pronúncia também tivesse evoluído, por força da integração política dos dois países e à semelhança doutras línguas ibéricas, mas, na falta desta e sem sermos particularmente seguidistas em relação ao castelhano, penso que é natural que a tivéssemos mantido.
     

    guihenning

    Senior Member
    Português do Brasil
    Então o /h/ é o som usado para o r múltiple no Brasil?
    Sim, /h/ para erres em início de palavra e em coda silábica. É também a pronúncia do dígrafo <rr> — na maior parte do país.
    O /r/ e o /ʁ/ não existem? Ou simplesmente tornaram-se minoritárias no país todo?
    Existem, mas cada região prefere uma forma diferente. No Rio de Janeiro a alofonia é extensa, pode sempre ocorrer [h, χ, x, ʁ]
     

    Vanda

    Moderesa de Beagá
    Português/ Brasil
    Exatamente como disse Carfer: por que devo pronunciar em espanhol um nome existente no português? E concordo com toda argumentação dele referente ao assunto para o português brasileiro.
     

    Dymn

    Senior Member
    Exatamente como disse Carfer: por que devo pronunciar em espanhol um nome existente no português?
    Bom, Badajoz eu entendo porque é uma cidade relativamente grande e ao pé da fronteira, mas nem todos os nomes espanhóis (não só topónimos, também nomes de pessoa) têm necessáriamente tradição em português. Mas pronto, não levo a mal, era só curiosidade! :)
     

    Antonio d'Oliveira

    Banned
    Português - Brasil
    Antigamente, os agás estrangeiros eram pronunciados mudos como os nossos; depois até vou pesquisar por comerciais antigos da Honda para ver se não era assim que normalmente se falava. Já vi pessoas que não têm muito contato com línguas estrangeiras ou mais velhas pronunciarem ‘onda’. Eu creio que hodiernamente a tendência brasileira seja aspirar agás doutras línguas, exceto as românicas, embora jamais se aspire um agá português.

    Sabes doutra palavra em que os brasileiros aspirem o agá sem ser as do inglês?
     
    Last edited:

    Carfer

    Senior Member
    Portuguese - Portugal
    Bom, Badajoz eu entendo porque é uma cidade relativamente grande e ao pé da fronteira, mas nem todos os nomes espanhóis (não só topónimos, também nomes de pessoa) têm necessáriamente tradição em português. Mas pronto, não levo a mal, era só curiosidade! :)
    Sim, mas reduzir a questão a Badajoz e à proximidade da fronteira é pressupor um nível de conhecimento muito reduzido de Espanha pelos portugueses. Não é, nem nunca foi, verdade.
    Quando um país só tem um vizinho, por cujo território há que passar para chegar, por terra, ao resto do mundo, quando esse vizinho é bastante maior e, consequentemente, mais poderoso, quando esse tal vizinho foi, durante séculos, o principal inimigo e a origem ou via de passagem de todas as invasões que esse país sofreu, há que ter vistas mais largas do que as cidades de fronteira por uma questão de simples sobrevivência. Quando, ainda por cima, os dois partilham a mesma cultura europeia, têm línguas semelhantes e, desde sempre, interesses comuns, designadamente imperiais, seguramente que, pelo menos o mais pequeno e mais fraco não se pode dar ao luxo de ignorar sobranceiramente o outro. Mesmo que, por absurdo, o quisesse, a realidade acabava por se lhe impor. Quero eu dizer que Espanha foi sempre bastante bem conhecida dos portugueses e a língua castelhana também. Temos tendência a ignorar ou esquecer até que ponto fomos sempre interdependentes. O comércio de Portugal com Espanha e, particularmente, com os portos espanhóis, do norte ou do Mediterrâneo, foi sempre intenso. Só isso torna logo conhecido um grande número de cidades daí. Historicamente, a nobreza portuguesa, grande e pequena, teve sempre laços familiares estreitos e interesses e propriedades em Espanha. A consanguinidade das próprias famílias reais chegou a ser tal no período áureo de ambos os países que até se pode dizer que era só uma. Por via de casamentos, eram todos tios, sobrinhos e primos próximos, que cirandavam duma corte para a outra. Por alguma razão tivemos reis comuns durante sessenta anos. Filipe II era filho de portuguesa, a Beltraneja também, o príncipe de Éboli e Cristóvão de Moura, os validos de Filipe II, idem. A corte portuguesa, neste período, aliás, era bilingue (Gil Vicente, o criador do teatro português, até escreveu algumas das suas obras em castelhano). A restauração da independência portuguesa teve um forte esteio na futura rainha Luísa de Gusmão, uma espanhola da casa ducal de Medina Sidónia. Muitos intelectuais daqui formaram-se em Salamanca. Junte-lhe os inúmeros portugueses que emigraram para Espanha e que, certamente, sabiam para onde iam (os pais de Velasquez, por exemplo, foram para Sevilha). Quer outro exemplo típico desta interpenetração? D. Francisco Manuel de Melo, um dos nossos grandes escritores e general de Espanha, activo na Flandres e na Catalunha. A mãe era espanhola, filha do alcalde de Alcalá de Henares e, por sua vez, neta do gramático português Duarte Nunes de Leão. Resumindo, a gente portuguesa que podia influenciar e difundir o conhecimento de Espanha, se não andava cá e lá, tinha, pelo menos, contacto com quem podia andar - e eram muitos os que andavam. E toda essa gente falava castelhano. Neste quadro, não vejo como concluir pelo desconhecimento pelos portugueses dos nomes das cidades espanholas, tal como os espanhóis os pronunciavam, já em épocas bastante recuadas. Hoje, tudo isso continua a ser verdade (se quiser ver, o El País de anteontem publicou no suplemento Verne um artigo a esse propósito), talvez mais do lado português do que do espanhol. O que é compreensível, naturalmente.
     

    englishmania

    Senior Member
    Português Europeu
    Digam-me uma marca espanhola com ''j'' para eu ver como pronuncio. :p

    Quanto a nomes próprios, bem, não sei, penso que depende. Dizemos "Juan" (Juan Carlos de Espanha, Juan Luis Guerra, Juan Guaidó), "Javier" (Javier Bardem) e Alejandro" (Alejandro Sanz) como em castelhano. Até "Rajoy" (Mariano Rajoy) pronunciamos à espanhola.

    No entanto, acho que a pronúncia de "Julio" (Julio Iglesias), por exemplo, já varia, sendo mais comum dizer Júlio à portuguesa (parece-me).
     
    Last edited:

    meencantesp

    Senior Member
    Portuguese - Brazil
    Já vi muita gente com vergonha de pronunciar palavras em espanhol, mesmo sabendo fazê-lo. Ou a pessoa pronuncia em português ou cria um híbrido (para Juan, ou se diz “Juã” ou diz “Ruã”). Parece que certos sons do espanhol causam certa vergonha a alguns, como por exemplo pronunciar o “uan” de “Juan” à espanhola (algo perfeitamente possível para um falante de português com algum contato com o inglês, por exemplo). Além disso, muitos se envergonham de pronunciar o erre vibrante múltiplo alveolar também (o que é curioso, já que o Sul é a única região que permanece relativamente de pé com o seu erre tradicional, que está morrendo aos poucos). É certo que isso é mais uma experiência de colégio, o que não reflete a população brasileira como um todo, mas tampouco deve ser um fenômeno isolado.
     

    machadinho

    Senior Member
    Português do Brasil
    Nem sempre é possível respeitar a pronúncia de termos isolados segundo a fonética de uma língua dentro de uma frase em outra sem quebrar a cadência ou perder a naturalidade. Às vezes é possível, mas nem sempre. E quando é, não raro fica afetado, soa desnecessário, parece exibicionismo. Um professor meu insistia em pronunciar 'Nietzsche' direitinho em alemão o tempo todo (a longa, o [ts], o fechamento da glote, o xuá) no meio das frases, brasileiras mais impossível. Ele só queria lembrar a todos que falava alemão. Ver dessas criancices em vintões é tolerável. Num senhor já grisalho dá preguiça.
     

    machadinho

    Senior Member
    Português do Brasil
    Sabes doutra palavra em que os brasileiros aspirem o agá sem ser as do inglês?
    haikai
    hare krishna
    heideggeriano
    hegeliano
    etc.,
    e uma penca de termos em latim com aspiração que às vezes aparece mas mais frequentemente não: homo sapiens, habeas corpus etc.
     
    Last edited:

    Vanda

    Moderesa de Beagá
    Português/ Brasil
    Algumas palavras, talvez pela raridade de uso em português brasileiro, são pronunciadas mais ou menos como no espanhol. Estou falando dum país longe da Espanha, portanto sem o benefício que a proximidade traz e assim o desconhecimento parcial da pronúncia local. Certo que estamos rodeados de espanhol, mas então tendemos a dizer algumas palavras do jeito que nossos vizinhos a dizem. Um exemplo é a "paeja" , bem como dizem os argentinos e não como os espanhóis a pronunciam.
    Para nomes de cidades, históricos , etc., iremos usar a pronúncia aportuguesada. Não vejo nenhuma tendência de animosidade, apenas o que todas as línguas fazem com palavras estrangeiras. Falando nisso, e só pra exemplificar, acho tão charmoso o que os franceses fazem com o inglês, por exemplo. Minha amiga brasileira, vivendo em Nice atualmente, diz que não há meio de os alunos particulares de inglês pronunciarem happy hour de outro modo que não "appy hour".
     

    olivinha

    Senior Member
    Português, Brasil
    Algumas palavras, talvez pela raridade de uso em português brasileiro, são pronunciadas mais ou menos como no espanhol. Estou falando dum país longe da Espanha, portanto sem o benefício que a proximidade traz e assim o desconhecimento parcial da pronúncia local. Certo que estamos rodeados de espanhol, mas então tendemos a dizer algumas palavras do jeito que nossos vizinhos a dizem. Um exemplo é a "paeja" , bem como dizem os argentinos e não como os espanhóis a pronunciam.
    Estamos falando de paella? Os brasileiros não dizem paelha?
     

    Vanda

    Moderesa de Beagá
    Português/ Brasil
    Brasileiros, que não eu, dizem paeja como os argentinos. É só assistir um de mil programas de cozinha na tv para comprovar.
     
    Top