Pronome relativo que e concordância

Antonio d'Oliveira

Senior Member
Português - Brasil
Em «Ó monstros lajos e andridos que me perseguis com vossas barganhas/ sobre o berço imaturo e de minhas minas me expulsais», as conjugações e os pronomes possessivos em negrito não deveriam estar na terceira pessoa do plural? É igual certo ou errado dizer, por exemplo: Fomos nós que fizemos? Será igual certo ou errado, dizer: Fomos nós quem fizemos?
 
  • guihenning

    Senior Member
    Português do Brasil
    não deveriam estar na terceira pessoa do plural?
    Não, pois o sujeito da frase está falando com os monstros e se ele os voseia, os pronomes são da segunda do plural. Se ele tratasse os monstros por "vocês/ senhores", aí sim seria a terceira do plural.
    É igual certo ou errado dizer, por exemplo: Fomos nós que fizemos? Será igual certo ou errado, dizer: Fomos nós quem fizemos?
    Só se poderá dizer "fomos nós que fizemos" e "fomos nós quem fez"
     

    Antonio d'Oliveira

    Senior Member
    Português - Brasil
    Não, pois o sujeito da frase está falando com os monstros e se ele os voseia, os pronomes são da segunda do plural. Se ele tratasse os monstros por "vocês/ senhores", aí sim seria a terceira do plural.
    O pronome relativo aí é inútil, não? Se eu tirá-lo então, não faz nenhuma falta. Ou tem algum função?

    Aliás, desculpe a pregunta fora de hora, mas gostaria de perguntar se sabe o significado de lajos e andridos. Não os acho no dicionário.
     

    machadinho

    Senior Member
    Português do Brasil
    Suprimido o 'que', a oração subordinada adjetiva restritiva torna-se oração principal, e próclise do 'me' no começo dessa principal não cai bem com a solenidade da segunda do plural.
     

    Antonio d'Oliveira

    Senior Member
    Português - Brasil
    Suprimido o 'que', a oração subordinada adjetiva restritiva torna-se oração principal, e próclise do 'me' no começo dessa principal não cai bem com a solenidade da segunda do plural.
    Mas em se tratando de sentido, ele continua o mesmo, não? O que a menos fez alguma diferença?
     

    machadinho

    Senior Member
    Português do Brasil
    Faz. O 'que' introduz uma oração que consegue delimitar a interpelação só aos monstros lajos e andridos que perseguem o eu lírico. Sem o 'que', a interpelação seria direcionada, em tese, a todos os monstros lajos e andridos sem exceção, e todos eles, a seguir, seriam acusados de perseguição.

    Sintaticamente, move-se de atribuição para predicação.

    Semanticamente, na hipótese de que essa interpelação tenha a forma lógica duma "sentença" condicional, os predicados saem do antecedente dessa condicional e passam a figurar no consequente dela. O sentido do todo fica diferente porque, apesar de os elementos serem os mesmos, a estrutura que organiza esses elementos é diferente. Mesmos ingredientes, receitas diferentes.

    Poeticamente, é o diabo.
     
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