Quem soubesse que isto iria acontecer!

CarlitosMS

Senior Member
Spanish - Spain
Olá a todos

Gostava de saber o significado desta frase, especialmente o uso dos tempos verbais "soubesse" em vez de "tivesse sabido" e a perífrase "iria acontecer" em vez de "aconteceria" ou "tivesse acontecido". Não percebo a lógica desta estrutura, já que o meu português não é 100% perfeito, não é a minha língua materna, mas adoro mesmo conhecer esta classe de meandros e nuances que enriquecem a língua.

Contexto:
Quem soubesse que isto iria acontecer! Não posso acreditar, fiquei mesmo espantado!

Um abraço
Carlos M.S.
 
  • pfaa09

    Senior Member
    Portugal - Portuguese
    Quem soubesse numa frase exclamativa, fica estranho.
    Ficava melhor: Quem sabia que isto iria acontecer!
    Se for usado o pretérito imperfeito no conjuntivo, já pede uma sequência da frase, uma continuação. Ou algo antes da frase.
    Houve quem soubesse que isto iria acontecer!
    Quem soubesse que isto iria acontecer, hoje estaria mais aliviado/satisfeito, de consciência mais tranquila, etc...

    Quanto ao iria acontecer = é natural usar-se para o futuro, mas num tempo a partir do passado e não a partir de agora (presente).
     

    Ari RT

    Senior Member
    Português - Brasil
    Para o Brasil, esse subjuntivo (pretérito imperfeito)(*) é bastante incomum, mas perfeitamente inteligível. Mais vernacular seria "quem haveria de saber..."
    Ou, como sugere Carfer, com continuação: quem soubesse que as ações iriam subir tanto teria comprado um bom lote. Entende-se que ninguém sabia.
    Já com um sujeito pronome pessoal, nenhum problema: Soubesse [eu] da sua vinda, teria comprado mais vinho. O único a estranhar aqui é a omissão da partícula condicionante "se". Não espere ouvir isso pelas ruas, ao menos nas regiões onde eu vivi. A construção vernacular seria, obviamente, tanto em PT quanto em ES, "Se eu soubesse..."

    Entre "iria acontecer" e "aconteceria" a diferença é tênue, se é que há, se é que é proposital. Ir + verbo serve para colocar ênfase na certeza da ação verbal, apesar da sua improbabilidade. "Vou estudar" é mais afirmativo que "estudarei", é vou mesmo, garanto que vou. "Vou partir" é mais certeza de partir do que "partirei" apenas. Como acontecer já é por si um verbo que afirma a ocorrência de um fato, o resultado é, na minha opinião, um tanto redundante. Mas nada estranho nem raro.

    (*) Uma curiosidade para um hispanohablante. Também ocorre (e também em registro literário ou poético, nunca no PT das ruas) o uso do plus quam significando condicional, como em ES. Quem houvera de saber? Se Deus houvera... Soubera [eu / ele / ela] das suas intenções, jamais lhe teria aberto as portas de casa.
    Não sei por que fenômeno explicar mas, no interior bem interior mesmo de São Paulo, lá no fundo da roça, há quem diga (coloquialmente) "Quem havéra de saber". Desculpas pelo acento na paroxítona. É curioso. Uma flexão verbal incorreta (plebeísmo?) em um tempo/modo verbal que é uma de duas: ou estrangeirismo (desconheço história de imigração espanhola por aqueles pagos) ou pedantismo. Bela mistura.
     

    englishmania

    Senior Member
    Português Europeu
    Normalmente dizemos
    Quem imaginava/imaginaria que isto ia acontecer?
    Quem podia/poderia imaginar que isto ia/iria acontecer?
    Quem é que ia imaginar/imaginava que isto podia/pudesse acontecer?

    Na primeira parte da frase usei o pret. imperf. ou o condicional. Na segunda parte da frase, também se pode usar o modo conjuntivo (''pudesse'').

    Ninguém imaginava que isto fosse possível.
     
    Last edited:

    CarlitosMS

    Senior Member
    Spanish - Spain
    Na verdade, há uma omissão, a dita estrutura fica melhor como "Que pena não haver quem soubesse x" ou "Tomara haver quem soubesse x"
     

    Carfer

    Senior Member
    Portuguese - Portugal
    Ou, como sugere Carfer,
    É caso para dizer que um português pode esconder outro:)(foi o pfaa quem escreveu isso).
    No mais, estou plenamente de acordo com o Ari, especialmente quando refere a construção com o pretérito mais que perfeito que, se bem entendo o sentido da frase proposta, é a que realmente caberia aqui. É verdade que é cada vez menos usada e talvez o autor se tenha equivocado no tempo verbal por não saber construí-la. Reconhecendo o seu progressivo apagamento, lembro-me bem de um tempo em que ela não era tão incomum assim nem necessariamente um uso de literatos.
    Em todo o caso, estando de acordo que o uso do imperfeito do conjuntivo soa um tanto estranho, noutra frase que não nesta, se se pretendesse expressar desejo em vez de espanto (no sentido português, não no do espanhol), poderia estar bem.
     
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