[S] vs [SH] in Brazil - Perceptions

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DarkChild

Senior Member
Bulgarian
I know that in Portugal S is pronounced [SH] in many situations like at the end of a word or before consonants, but in Brazil this is limited to certain regions like Rio.

I've noticed that people who have this feature in their speech use it all the time on TV, for example, and one person would pronounce, for example, the word costas as coSHtaSH while the other would say coStaS.

To me, S and SH are two very different sounds and there is no way they can be used interchangeably in my language so I always find it fascinating that this variation exists in Brazil. I'm curious whether this is something noticeable to people when they hear or they're so used to both variants that it doesn't even register and never give it a thought.
 
  • patriota

    Senior Member
    pt-BR
    These sounds exist as separate phonemes in other positions. Therefore, all Portuguese speakers can notice the difference:

    /s/ - sapo, massa
    /ʃ/ - xeque-mate, bruxa

    Words with -s (costas, pastéis) actually work as a shibboleth between people from São Paulo and Rio. In real life, such encounters aren't as common as in the media. We might stand out like a sore thumb in another state or even within our own states based on the way we pronounce cartas.
     
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    DarkChild

    Senior Member
    Bulgarian
    What I find interesting is that actors don't modify their accent for the sake of fictional credibility. Often you would see siblings characters with one actor using Rio accent and the other doesn't when you would expect them to speak the same sincethey presumablygrew up in the same place.
     

    Ari RT

    Senior Member
    Português - Brasil
    Words with -s (costas, pastéis) actually work as a shibboleth between people from São Paulo and Rio. In real life, such encounters aren't as common as in the media. We might stand out like a sore thumb in another state or even within our own states based on the way we pronounce cartas.
    Também no nordeste. Diz-se, por exemplo, que os pernambucanos "chiam".
    O ouvinte atento pode, com boa probabilidade de acerto, diferenciar o mineiro da Zona da Mata, cuja fala "pende" para a do vizinho a leste (o Rio de Janeiro) daqueles de outras regiões do mesmo Estado, com base nesse fonema, ainda que não seja pronunciado com a mesma clareza que no Rio ou em Portugal.
     

    Vanda

    Moderesa de Beagá
    Português/ Brasil
    Zona da Mata, presente! Engraçado que, de vez em quando, pessoas do interior de São Paulo, quando me conhecem, acham que sou do Rio. E olha que ubaenses nem tentam forçar como os de "gizdefora"!
     

    Ari RT

    Senior Member
    Português - Brasil
    É que praia de ubaense é Marataízes, enquanto praia de juiz-forano é Rio. Brincadeiras à parte,
    - JF está a pouco mais de 100km de Teresópolis ou Petrópolis, e menos de 200km do Rio por boas estradas. Dá para ir almoçar na casa do compadre e voltar no mesmo dia com um tanque de combustível.
    - Já Belo Horizonte está (a partir de JF) ao dobro da distância de Petrópolis, por estradas não tão boas. Ir e voltar no mesmo dia já soa a aventura ou necessidade.
    Com essas ligações físicas, é de se esperar que em termos amplos a cultura juiz-forana e a língua de cambulhada tendam a assimilar elementos cariocas tanto ou mais que os da capital do seu próprio Estado. Na cidade grande, bem entendido. Na zona rural e nas cidades pequenas, "cafezim", "cachacim", "quejim". Nóssss, que bom que é.
    Como também é de se esperar ouvir o "r" tropeiro no Triângulo Mineiro, encravado entre o Goiás e o pedaço mais rural de SP.
    Minas Gerais são mais de 20 milhões de habitantes (dois Portugais) ao largo de área tão grande e tão heterogênea em termos de clima e geografia quanto a península ibérica. Falar de sotaque "mineiro" assim a secas é uma tremenda simplificação e olhe que ficamos no "r" e no "s", sem mencionar outros maneirismos, como, por exemplo, do vale do Jequitinhonha e do cerrado a noroeste.
     
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    Guigo

    Senior Member
    Português (Brasil)
    O juizforano gosta de apregoar, aos seus conterrâneos mineiros, que ele fala com sotaque "carioca". Entretanto, quando vão à cidade do Rio de Janeiro e fazem uma pergunta no bar ou no restaurante ou em alguma loja, a primeira coisa que o atendente responde é: "de que lugar de Minas Gerais você vem?". Pensa numa choradeira... ;)
     

    jazyk

    Senior Member
    Brazílie, portugalština
    A forma abonada em dicionários é juiz-forano, com hífen, mas dizendo isto sou antipático, insuportável e xxxx (usem o adjetivo da sua preferência), então não sei como transmitir esta ideia. Ou deveria ter deixado quieto? Mas se deixo quieto, ninguém se corrige e o falante não nativo aprende errado. Catch 22.
     
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    RodrigoFV

    Member
    Português
    A forma abonada em dicionários é juiz-forano, com hífen, mas dizendo isto sou antipático, insuportável e xxxx (usem o adjetivo da sua preferência), então não sei como transmitir esta ideia. Ou deveria ter deixado quieto? Mas se deixo quieto, ninguém se corrige e o falante não nativo aprende errado. Catch 22.
    Não há antipatia alguma numa correção direta e despretensiosa, como a que fez neste caso.

    Haveria alguma se tivesse dito algo como “Não sei que é juizforano. Se fosse juiz-forano, eu saberia; mas juizforano, não”.
     

    jazyk

    Senior Member
    Brazílie, portugalština
    Se eu sou brasileiro, se não temos esse fonema no Brasil, se quase toda a minha formação foi feita no Brasil e em nenhum outro país de língua portuguesa, se nos materiais impressos no Brasil a que tive acesso não aparece essa descrição, como eu poderia saber?

    Prova do que estou falando:

    No Brasil, não há a vogal que em Portugal se chama e mudo, assim chamada porque muitíssimas vezes não se pronuncia
    Fonética e Fonologia - Adelaide H. P. Silva - pdf

    Sou brasileira e professora de Português para estrangeiros, e gostaria de aprender mais sobre o Português europeu. Em que contextos fonéticos encontra-se o -e mudo e o que pronunciamos no Brasil em seu lugar?
    in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, O -e mudo e o ditongo -ei - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa [consultado em 18-10-2020]

    Suponho que, para um brasileiro, tudo isto é simples bizantinismo. Ele pronuncia do mesmo modo, com «ê», tanto república como ressurreição.
    Pronúncia: «ressurreição»
     

    Ari RT

    Senior Member
    Português - Brasil
    A forma abonada em dicionários é juiz-forano, com hífen
    Antipatia nenhuma, muito pelo contrário. Corrigi a falta do hífen na minha postagem e agradeço sempre que aprendo. Não sabia a forma abonada, ou acreditava que soubesse, o que é pior. Ganhei algo hoje. Obrigado!
     

    jazyk

    Senior Member
    Brazílie, portugalština
    De nada. O comentário sobre a antipatia deve-se a eu ter sido atacado recentemente no fórum (e não foi a primeira vez) e constituiu uma alusão a quem me atacou e a quem tem essa opinião de mim.
     

    Ari RT

    Senior Member
    Português - Brasil
    Na verdade, estava confortável com meu engano (juiz-forano sem hífen). Mas admito que cheguei a pensar que o "Nóssss" poderia induzir ao erro um não nativo. Por cautela, esclareço que se trata de forma apocopada de "Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, valei-nos" :p .
     

    Vanda

    Moderesa de Beagá
    Português/ Brasil
    Completando o que o Ari disse sobre influências linguísticas na zona da Mata, existe uma explicação histórica. Antes de existir ligação direta com BH, a Zona da Mata toda era ligada ao Rio por trem, daí as pessoas que saíam daqui iam estudar, trabalhar no Rio. Os jornais que chegavam eram todos do Rio, os times pelos quais as pessoas torciam e ainda torcem são do Rio, a comida - o nosso feijão preto - influência do Rio. Tirando o s carioca, muitas expressões vieram direto do Rio, nomes de legumes - como a batata baroa - e por aí afora.
     
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