Saber matemática VS saber de matemática

Maria S.

Member
Russian
Olá
Fiquei na dúvida quanto à diferença entre "saber" e "saber de" no sentido de "entender de...":
Eu sei matemática. Ele sabe bem filosofia.
VS
Eu sei de matemática. Ele sabe bem de filosofia.
 
  • Olá, Maria!

    Em princípio, a diferença seria uma pequena nuance em que o de reforça a ideia de "a respeito de", "sobre":

    eu sei de matemática = eu sei coisas sobre matemática; entendo aspectos, àreas, assuntos do campo da matemática
    ele sabe bem de filosofia = ele sabe bem coisas sobre filosofia; entende aspectos, àreas, assuntos do campo da filosofia


    No entanto, na prática, principalmente em conversas cotidianas, não vejo diferença entre as formulações que você propôs.
    Mas vale ressaltar que "eu sei de matemática" e "ele sabe bem de filosofia" não me parecem formulações corretas. Não sei se os gramáticos as consideram adequadas e eu mesma não as utilizo no dia-a-dia. No entanto, tenho certeza de já tê-las ouvido várias vezes de outros nativos.

    Espero ter ajudado. :)
     

    Maria S.

    Member
    Russian
    Olá, Maria!

    Em princípio, a diferença seria uma pequena nuance em que o de reforça a ideia de "a respeito de", "sobre":

    eu sei de matemática = eu sei coisas sobre matemática; entendo aspectos, àreas, assuntos do campo da matemática
    ele sabe bem de filosofia = ele sabe bem coisas sobre filosofia; entende aspectos, àreas, assuntos do campo da filosofia


    No entanto, na prática, principalmente em conversas cotidianas, não vejo diferença entre as formulações que você propôs.
    Mas vale ressaltar que "eu sei de matemática" e "ele sabe bem de filosofia" não me parecem formulações corretas. Não sei se os gramáticos as consideram adequadas e eu mesma não as utilizo no dia-a-dia. No entanto, tenho certeza de já tê-las ouvido várias vezes de outros nativos.

    Espero ter ajudado. :)
    Obrigada!
     

    pfaa09

    Senior Member
    Portugal - Portuguese
    Mas vale ressaltar que "eu sei de matemática" e "ele sabe bem de filosofia" não me parecem formulações corretas.
    No entanto, se dissermos: "Ele sabe muito de filosofia", já seria uma oração completamente "normal" e não soaria estranho, apesar de não considerar as frases erradas.
    O verbo saber pode ser usado como transitivo directo, transitivo indirecto, intransitivo e pronominal.
    Como verbo transitivo indirecto é usado com objectos indirectos iniciados pela preposição de, neste caso,
    com a acepção de: "ser instruído em".
     

    Maria S.

    Member
    Russian
    No entanto, se dissermos: "Ele sabe muito de filosofia", já seria uma oração completamente "normal" e não soaria estranho, apesar de não considerar as frases erradas.
    O verbo saber pode ser usado como transitivo directo, transitivo indirecto, intransitivo e pronominal.
    Como verbo transitivo indirecto é usado com objectos indirectos iniciados pela preposição de, neste caso,
    com a acepção de: "ser instruído em".
    Obrigada!

    E completando a minha pergunta inicial: será que "conhecer" pode substituir "saber" neste contexto?
    Eu conheço bem matemática. Ele conhece filosofia.

    As frases parecem-me estranhas, no entanto a frase Eu conheço a história de Portugal parece mais normal...
     

    Ari RT

    Senior Member
    Português - Brasil
    E completando a minha pergunta inicial: será que "conhecer" pode substituir "saber" neste contexto?
    Eu conheço bem matemática. Ele conhece filosofia.

    As frases parecem-me estranhas, no entanto a frase Eu conheço a história de Portugal parece mais normal...
    Não creio que faça grande diferença. Veja a resposta da Monica acima (post #2).
    - O que o Fulano sabe de linguística é uma grandeza.
    - Conhece de motores mais que os engenheiros.

    E até com verbos substantivados:
    - Ninguém manja mais que ele de pescar à noite (informal).
    - Entende muito de passar o dia na praia. De trabalhar que é bom...
     

    Ari RT

    Senior Member
    Português - Brasil
    Se aceitarmos 'sabe muito de filosofia' (e minha opinião é no sentido de que esse uso seja válido porque vernacular), então pelas mesmas razões aceitemos 'conhecer de'. Não digo que seja um uso 'formal', canônico. Digo, sim, que é assim que as pessoas falam. Isso deve valer alguma coisa. Aliás, não consigo imaginar uma situação - no Brasil - na qual um palestrante proferisse essas estruturas e elas chamassem a atenção. Passariam despercebidas e seriam compreendidas sem dificuldades e sem alçar de sobrancelhas.
     

    meencantesp

    Senior Member
    Portuguese - Brazil
    Tenho a impressão de que "saber" sem a preposição "de" pode soar mais forte em alguns casos. Por exemplo, se digo que "sei programação", a ideia é mais forte e abrangente que ao dizer que "sei de programação". Saber de programação é ter domínio mínimo, mesmo que muito vago, enquanto saber programação indica domínio maior.

    Dizer que sabe algo, sem a preposição, sem que o domine, soa-me um pouco pretensioso.
     

    Donn

    Member
    English - US
    "Alguém que sabe de programação" = "alguém que ouviu falar de programação"? Mas 'em alguns casos', porque não seria o mesmo em outros exemplos como "motores", "filosofía"? Talvez a diferença seja entre coisa e atividade?
     
    "Alguém que sabe de programação" = "alguém que ouviu falar de programação"?
    Não... "Alguém que sabe de programação" não apenas ouviu falar de programação, mas também tem conhecimento na área mais aprofundado que a maior parte do público em geral, seja porque estudou programação, seja porque praticou programação.

    Talvez você esteja confundindo com formulações como "Eu sei do que aconteceu." Essa frase, cujo significado é "Estou a par do que aconteceu", dependendo do contexto, pode ser quase sinônimo de "Eu ouvi falar do que aconteceu."
     

    Donn

    Member
    English - US
    Não... "Alguém que sabe de programação" não apenas ouviu falar de programação, mas também tem conhecimento na área mais aprofundado que a maior parte do público em geral, seja porque estudou programação, seja porque praticou programação.

    Vê diferença entre isso e "que sabe programação"?
     

    Donn

    Member
    English - US
    Bem, estamos em acordo - "saber de programação é ter domínio mínimo" - mas realmente o que eu queria, foi entender se isso seja universal de toda tópica, ou talvez seja o caso com atividades como programação, e não aplica com linguística por exemplo? Que entra também uma questão de tipo de domínio - compreensivo vs. profundo? porque quem quer programar não tem que saber tudo, mas há uns conhecimentos que são obrigatório - e sabendo estes, eu sei programação. Com linguística, não seria mais comum "sabe de", porque ninguém vai linguisticar?
     
    Ah, tá... acho que entendi sua pergunta agora. Bem, eu não sei te dizer se o que constatamos acima é universal, afinal pode haver exceções que não me venham agora à mente. No entanto, eu tenho a impressão de que é algo universal sim.

    Quanto ao exemplo específico de linguística, é possível sim dizer "ele sabe de linguística", assim como também é possível dizer "ele sabe linguística". Eu só faria uma ressalva: continuo com a impressão de que a formulação "saber de", como usado em vários exemplos deste fio, pertence a um registro informal da língua, talvez até se aproxime da variante de menos prestígio. Por essa razão, tenho dificuldade de imaginar alguém que usaria a expressão "saber de" com um campo tão específico do conhecimento como a linguística. Entretanto, pode ser uma falsa impressão minha, principalmente tendo em vista o que o Ari RT disse em #9.
    Por fim, mais uma ressalva: não sei explicar exatamente a razão disso, mas a frase "O que o Fulano sabe de linguística é uma grandeza.", proposta pelo Ari no item #7, não me parece pertencer a uma variante de menos prestígio da língua, diferentemente de frases como "Ele sabe de matemática." e "Ele sabe de filosofia."
     

    meencantesp

    Senior Member
    Portuguese - Brazil
    Vocês me fizeram pensar.

    Acho que realmente existe essa diferença entre áreas teóricas e áreas práticas. Nas últimas, há limites mais definidos, já que, para saber programação, a pessoa precisa saber programar, assim como, para saber instalação elétrica, ela precisa saber instalar coisas elétricas. Nas teóricas, ao contrário, duvido que alguém se considere dominador por completo de alguma delas, já que as ciências são mais cheias de ramificações, nas quais, deixando um pouco de lado todo o resto, os especialistas se aprofundam. Creio que a gente diria que "sabe muito de linguística" ou que "sabe (fazer) análise acústica", mas não diria que "sabe linguística". Talvez a gente dissesse que "sabe fonologia", um pouco mais provável. Quem sabe, ainda, preferisse dizer que é linguista, o que, ainda que não indique domínio completo da área (impossível ou muito improvável), é bem menos "exigente".

    Há exceções, como as línguas. "Saber de francês", por exemplo, considero agramatical.

    Por último, para mim não há nenhuma diferença de prestígio ou formalidade entre "saber" e "saber de", mas tão-somente de intencionalidade/significado.
     

    guihenning

    Senior Member
    Português do Brasil
    Não vejo nenhuma razão para censurar "saber de". Parece-me entretanto que a história aqui é bem mais simples do que se imagina: "saber" substituiu "entender de", mas apenas o verbo foi substituído e a preposição da expressão original se manteve. Exemplos similares pululam na(s) língua(s) e aqui entra muito bem o exemplo luso "perceber de" que aparentemente seguiu o mesmo caminho. O verbo que se utiliza parecer ser de somenos importância, contanto que a ele se siga a preposição do "original" que é "de". E tanto parece ser verdade que esses verbos assumem significados distintos (ou agramaticais) se lhes tirarmos a preposição.
     

    Donn

    Member
    English - US
    "Saber de francês", por exemplo, considero agramatical.

    E "Saber francês" é bom, ou não? Eu sei português ... "I know Portuguese", OK, mas o tradução típica seria "eu conheço português", não é? (A propósito, "know" e "conhecer" deriva da mesma palavra indo-europeia. O inglês tinha o verbo cognato com alemão "wissen", "wit", até século XV; o português seria "ver".)
     

    meencantesp

    Senior Member
    Portuguese - Brazil
    Tanto "saber" quanto "falar" servem, como disse o @guihenning. "Conhecer português", nunca. Seria possível "Conheço o (idioma) português", com o artigo, mas não significaria sabê-lo, e sim ter ouvido falar dele.
     
    Top