Senhora Lúcia / senhora dona Lúcia / dona Lúcia

Maria S.

Member
Russian
Olá!
A minha dúvida é se é possível tratar uma mulher por 'senhora + nome/apelido/nome+apelido'. Algum tempo atrás ouvi dizer que não se pode, só sendo usadas as formas 'dona + nome/apelido/nome+apelido', 'senhora dona + nome/apelido/nome+apelido'. Ajudem-me, por favor!
 
  • Carfer

    Senior Member
    Portuguese - Portugal
    'Senhora' ou 'Senhora Dona' + apelido é muito invulgar como forma de tratamento em Portugal.
    'Senhora'+ nome próprio só se costumava usar para mulheres do povo, sobretudo rurais, e suponho que ainda assim é. Da classe média para cima 'Senhora Dona' ou só 'Dona' era (é?) de regra. Ainda que actualmente haja uma maior tendência para a informalidade (daí a interrogação), ceio que estes usos ainda se mantêm.
    Assim, dizer 'Senhora Maria' era comum e bem aceite nos meios populares, mas creio que hoje o é cada vez menos, em grande parte porque a classe média urbana cresceu muito. Com mulheres das classes altas, seguramente que este tratamento era e é mal visto.
    'Senhora + apelido' ou 'Senhora Dona + apelido' é, como disse, muito incomum, ao contrário do que acontece com os homens (com a particularidade de que com eles não se usa 'Dom', não seguimos a prática espanhola). Diz-se 'Senhor Marques', mas 'Senhora Marques' quase só se ouve da boca de um não nativo.
    'Senhora Dona + nome próprio' usa-se como tratamento formal, na escrita e na oralidade. 'Senhora Dona + nome próprio + apelido' é mais próprio da formalidade escrita e, portanto, mais raro.
    'Dona + nome próprio', omitindo 'Senhora', é uma forma de tratamento de respeito, mas menos formal do que 'Senhora Dona + nome próprio'
    As abreviaturas 'Srª', 'Srª D.', na escrita, são muito mais frequentes do que o tratamento por extenso.
     

    Ari RT

    Senior Member
    Português - Brasil
    Pois por aqui Dona Lúcia para quase tudo. Se alguém diz (em linguagem escrita ou formal) "Senhora de Oliveira", o que está informando, na verdade, é o nome do marido.
     

    Maria S.

    Member
    Russian
    'Senhora' ou 'Senhora Dona' + apelido é muito invulgar como forma de tratamento em Portugal.
    'Senhora'+ nome próprio só se costumava usar para mulheres do povo, sobretudo rurais, e suponho que ainda assim é. Da classe média para cima 'Senhora Dona' ou só 'Dona' era (é?) de regra. Ainda que actualmente haja uma maior tendência para a informalidade (daí a interrogação), ceio que estes usos ainda se mantêm.
    Assim, dizer 'Senhora Maria' era comum e bem aceite nos meios populares, mas creio que hoje o é cada vez menos, em grande parte porque a classe média urbana cresceu muito. Com mulheres das classes altas, seguramente que este tratamento era e é mal visto.
    'Senhora + apelido' ou 'Senhora Dona + apelido' é, como disse, muito incomum, ao contrário do que acontece com os homens (com a particularidade de que com eles não se usa 'Dom', não seguimos a prática espanhola). Diz-se 'Senhor Marques', mas 'Senhora Marques' quase só se ouve da boca de um não nativo.
    'Senhora Dona + nome próprio' usa-se como tratamento formal, na escrita e na oralidade. 'Senhora Dona + nome próprio + apelido' é mais próprio da formalidade escrita e, portanto, mais raro.
    'Dona + nome próprio', omitindo 'Senhora', é uma forma de tratamento de respeito, mas menos formal do que 'Senhora Dona + nome próprio'
    As abreviaturas 'Srª', 'Srª D.', na escrita, são muito mais frequentes do que o tratamento por extenso.
    Muito obrigada, como sempre.
    Resumindo, é aconselhável usar, em ordem decrescente do ponto de vista de frequência:
    Dona Daniela
    Senhora Dona Maria
    Senhora Dona Maria Viana

    E o que é que acontece aos demais pronomes de tratamento femininos? Acrescenta-se-lhes o nome próprio e/ou o apelido ou não?
    Doutora (Engenheira, Professora, etc.) / Doutora Maria / Doutora Maria Viana?
    Senhora Doutora / Senhora Doutora Maria / Senhora Doutora Maria Viana?
     

    Carfer

    Senior Member
    Portuguese - Portugal
    Muito obrigada, como sempre.
    Resumindo, é aconselhável usar, em ordem decrescente do ponto de vista de frequência:
    Dona Daniela
    Senhora Dona Maria
    Senhora Dona Maria Viana
    Do ponto de vista da frequência, sim, mas o que me parece importante não é a frequência, é o grau de formalidade ou de familiaridade com a pessoa, pelo que, naturalmente, a forma de tratamento tem de ser vista caso a caso. E as circunstâncias também contam. Por exemplo, posso tratar um juiz ou uma juíza pelo nome próprio fora do tribunal, se for amigo dele/a ou tivermos sido colegas de faculdade, mas está completamente excluído fazê-lo no tribunal ou em actos oficiais. Por outro lado, mesmo não havendo familiaridade, posso dirigir-me a alguém apenas pelo nome próprio, omitindo 'Senhor' ou 'Senhora Dona': 'Leia isto, Daniela'. Ponto é, em princípio, que se trate de uma relação equilibrada ou em que o falante esteja numa posição de superioridade, isto é, que o interlocutor não seja, por exemplo, um superior hierárquico num ambiente em que o respeito da hierarquia seja absoluto. Neste caso de tratamento pelo nome próprio, é o uso da terceira pessoa verbal que marca a distância, a menor familiaridade.

    E o que é que acontece aos demais pronomes de tratamento femininos? Acrescenta-se-lhes o nome próprio e/ou o apelido ou não?
    Doutora (Engenheira, Professora, etc.) / Doutora Maria / Doutora Maria Viana?
    Senhora Doutora / Senhora Doutora Maria / Senhora Doutora Maria Viana?
    Dizer simplesmente 'Doutoura', sem mais (*), é uma forma ainda respeitosa mas mais próxima da informalidade. Está em claro aumento. Dependendo das circunstãncias, nem toda a gente a aceitará bem, pelo que haverá que ter o cuidado de só a usar com alguém que se conhece bem.
    Com os títulos académicos é mais frequente não explicitar o nome, dizer, por exemplo, apenas 'Senhora Doutoura'.

    Relembro que na escrita as abreviaturas são comuns e, é escusado dizê-lo, o que digo reporta-se apenas à generalidade das situações, podendo haver, evidentemente, excepções. Nesta matéria, é o casuísmo que rege.
    "Senhora de Oliveira", o que está informando, na verdade, é o nome do marido.
    Aqui também, com o acrescento que é uma prática muito rara e restrita a pequenos segmentos da classe alta cheios de maneirismos e pretenciosismos. De resto, a adopção do nome do marido pela mulher casada está hoje em claro decréscimo. Dominante há meio século, não sei mesmo se ainda hoje predominará, pelo menos foi a sensação que tive quer pela observação dos usos, quer, especificamente, pelos processos de divórcio, pelos quais se podia ver que era cada vez menor o número de mulheres que tinham adoptado o apelido ou apelidos do marido aquando do casamento.

    (*) P.S. A propósito de se dizer simplesmente 'Doutoura', convém recordar que ao contrário do que se ouve frequentemente nos filmes ou se lê em legendas de tradução mal amanhadas, em português, pelo menos no de Portugal, já não se usa o vocativo 'Senhora', sem mais. Já se usou, mas hoje é um arcaísmo. O normal é 'Minha senhora', 'Dona x', Senhora Dona x'
     
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    Maria S.

    Member
    Russian
    Do ponto de vista da frequência, sim, mas o que me parece importante não é a frequência, é o grau de formalidade ou de familiaridade com a pessoa, pelo que, naturalmente, a forma de tratamento tem de ser vista caso a caso <...>
    Muito obrigada pela ajuda, Carfer!
     

    Mário Adélio

    Senior Member
    Português europeu
    Além do que já foi dito, onde se costuma usar muito o "Sr./Sra.+Nome+Apelido" é, por exemplo, na sala de espera para vacinação contra a COVID-19*, onde previamente preenchemos uma folha com os nossos dados.
    Ou se chama por Sr./Sra.+Nome ou Sr./Sra.+Nome+Apelido.

    *Ou em qualquer contexto parecido, como numa sala de consultas onde estão várias pessoas que são chamadas da mesma forma.
     

    Maria S.

    Member
    Russian
    Além do que já foi dito, onde se costuma usar muito o "Sr./Sra.+Nome+Apelido" é, por exemplo, na sala de espera para vacinação contra a COVID-19*, onde previamente preenchemos uma folha com os nossos dados.
    Ou se chama por Sr./Sra.+Nome ou Sr./Sra.+Nome+Apelido.

    *Ou em qualquer contexto parecido, como numa sala de consultas onde estão várias pessoas que são chamadas da mesma forma.
    Sim, isso parece lógico, pois há muitas pessoas. Obrigada pelo detalhe!
     

    Guigo

    Senior Member
    Português (Brasil)
    Apenas registrar que, no Brasil, 'apelido' é o hipocorístico ou nickname. Por aqui, os nomes de família são chamados de 'sobrenome(s)'.

    Aliás, há muitas anedotas sobre esta diferença entre PT-PT e PT-BR, como aquela do brasileiro, em Portugal, que perguntado sobre o nome, responde: João; em seguida, perguntado pelo apelido, ela manda, na lata: Janjão. ;)
     

    Carfer

    Senior Member
    Portuguese - Portugal
    Em Portugal 'apelido' e 'sobrenome' são sinónimos em ambas as acepções. O curioso é que, aí há meio século, era o mesmo uso do Brasil que cá predominava. Não imagino porque razão 'apelido' ganhou preponderância sobre 'sobrenome' na acepção de nome de família, a ponto de hoje ser raro ouvir 'sobrenome', praticamente ausente, de resto, da documentação oficial.
     
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