Sotaque paulista

Istriano

Senior Member
Croatian
Eu nunca conheci conheci paulistanos (de São Paulo capital), mas quando falava pelo telefone com uma amiga do interior de São Paulo (perto de Campinas) para mim ela pronunciava "bom" como você disse: boum ou boung.

E também tenho uma amiga do litoral, perto de Santos, que no bate-papo escreve bão ou bum.
E ela me falou o contrário! Que quando escreve bão é para imitar os baianos!

Então deve ser por isso que o apelido é sampa? Porque para eles são e sam tem quase mesma pronuncia?

Na Italia o -ão é sempre pronunciado (pelas muitas pessoas que não estudarem português) como se fosse escrito sem tilde: áo /'ao/.
O meu livro aconselha de pronunciar "áum" mas parece que essa prouncia tá muito longe da correta.
O melhor seria você pronunciar bom como bon em francês (que já deixou de ser pronunciado como um ó nasal, e virou um ô nasal, ou seja [õ], no sotaque moderno de Paris). ;)
Em pronuncio assim: bom [bõ] (a pronúncia mais comum na Bahia) http://www.forvo.com/word/bon/#fr

Compare com a pronúncia paulista/carioca: [bõwm]: http://www.forvo.com/word/bom/#pt
 
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  • Youngfun

    Senior Member
    Wu Chinese & Italian
    @Istriano:

    Aqui é Youngfun, não é SãoEnrique :D

    O francês não é a minha lingua, e nas minhas duas linguas: Italiano e Chinês, nem tem vogais nasais em nenhuma das duas.

    Também quando estudei francês, a minha professora teve uma pronuncia muitoooo italiana, nem pronunciava as vogais nasais e não nós ensinava a pronunciar nasal...

    Acho que antes de aprender como pronunciar em português, tenho que aprender como pronunciar vogais nasais em geral.
     

    Nonstar

    Senior Member
    Portugais - de la maison du chapeau
    Então, pela noção que tenho do francês, é o mesmo som para mim. Pode haver diferenças muito sutis às vezes. Será agudo ou aberto?
    Quando escuto o Jacques Brel cantando Mathilde,
    et vous me mains..., me soa igual.
    E ninguém pra me corrigir!! Et vous MES mains!!!

    Un* pain* au chocolat (mesmo som)
    Il peint* et il y a un pain* (mesmo som por ein e ain)
    :thumbsup:
     

    Nino83

    Senior Member
    Italian
    Estou lendo "Aspectos da concordância de número no português do Brasil" de Maria Marta Pereira Scherre e, parece que a omissão da marca de plural é bem frequente no português do Brasil, independentemente do grau de escolarização.

    O registro dos trabalhos feito acima, que não se supõe exaustivo, evidencia com clareza que o fenômeno da variação na concordância de número no português falado do Brasil, longe de ser restrito a uma região ou classe social específica, é característico de toda a comunidade de fala brasileira, apresentando diferenças mais de grau do que de princípio, ou seja, as diferenças são mais relativas à quantidade de marcas de plural e não aos contextos lingüísticos nos quais a variação ocorre.
    O primeiro elemento à esquerda mantem sempre (98%) a marca de plural.

    As percentuais são:
    artigo definido/quantificador + substantivo final: 66% (ou seja, no 34% dos casos há frases como "as casa" e "os seu filho")
    artigo definido/quantificador sem sustantivo final: 48% (no 52% dos casos há frases como "os camarada meu")
    não artigo definido/quantificador + substantivo final: 54% (no 46% dos casos há frases como "esses trinta dia")
    não artigo definido/quantificador sem substantivo final: 27% (no 73% dos casos há frases como "três colega meu").

    As conclusões são que a presença do artigo definido e do substantivo no final do sintagma nominal favorece a presença da marca do plural em todos os elementos do sintagma nominal mas, também no caso mais favorecido, a percentual não vai além do 66%.

    Há também uma frase de Perini sobre isso:

    Sabemos que é frequente, entre nós, fazer o plural marcando-o apenas no primeiro elemento do sintagma [...]. Essas construções, quando não são simplesmente ignoradas, são dadas como da linguagem das ‘pessoas incultas’, ou de ‘baixa classe’. Segundo essa opinião, não se trataria de um fato normal do português brasileiro, mas de um ‘erro’ cometido por aquelas pessoas (coitadas) que não tiveram a sorte de uma educação formal suficiente.
     
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    Vanda

    Moderesa de Beagá
    Português/ Brasil
    Já existem muitos estudos linguísticos sobre esta 'marca de plural redundante', como estão chamando este uso, inclusive fazendo comparação com outras línguas.
     

    patriota

    Senior Member
    pt-BR
    E em plurais como "os ovos", há duas marcas redundantes: o s final e a mudança fonética de ô para ó em ovos.
     

    Nino83

    Senior Member
    Italian
    Esse cambio só no brasil ou em portugal também?
    Também em Portugal.

    A metafonia é bem presente em muitas variantes do latim vulgar e do proto-romance.

    Nas palavras que no latim acabaram com o /ǔ/, o /ɛ/ e o /ɔ/ são levantados a /e/ e /o/.

    pɔrta (pǒrta) - door
    pɔrto (pǒrtō) - I take
    porto (pǒrtǔ(m)) - port

    cɛrta (cěrta)
    certo (cěrtǔ(m))
    cɛrtos/cɛrtas (cěrtōs/cěrtas)

    [Erro sobre o /ɛ/ no português. Vejam-se os comentários seguintes​.]

    Nas línguas italianas medianas (entre as isoglossas Roma-Ancona e Ascoli-Gaeta) há a metafonia sabina.

    bɛlla/e > bellu/i; bɔna/e > bonu/i; secca/cche > siccu/cchi; corta/e > curtu/i

    Nas línguas italianas meridionais (entre as isoglossas Ascoli-Gaeta e Cosenza-Taranto-Ostuni, ou seja o napoletano, abruzzese, pugliese, lucano, calabro setentrional) há a metafonia napoletana ou sannita.

    bɛllə (bella/e) > biellə (bello/i); bɔnə (buona/e) > buonə (buono/i); seccə (secca/cche) > siccə (secco/cchi); cortə (corta/e) > curtə (corto/i).

    A metafonia há também no asturiano e no leonese, nos quais /ɛ/, /e/, /ɔ/ e /o/ são levantados a /i/ e /u/ quando a palavra acaba com /ī/ ou /ǔ/.

    Não há metafonia em italiano standard, toscano, romano, siciliano, calabrese meridional, salentino, francês, espanhol, occitano, catalano.

    As linguas gallo-italianas (aquelas faladas sobre a isoglossa La Spezia-Rimini ou Massa-Senigallia) têm ou tiveram metafonia quando a palavra acaba com
    /ī/, ou seja nos plurais masculinos.
     
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    patriota

    Senior Member
    pt-BR
    Mas isso acontece só com os /o/ e os /e/ abertos dos substantivos e adjetivos masculinos.
    Acontece a alternação de e para ɛ em alguns pares como esse e ɛssa, mas não em plurais masculinos! Veja esta explicação no Ciberdúvidas:

    Ciberdúvidas said:
    São também casos de metafonia as palavras que etimologicamente tinham um e aberto na sílaba tónica mas que o fecharam por assimilação de -o final: por exemplo, mĕtu > m[ɛ]do > m[e]do; aduĕrsum > av[e]sso(s), av[e]ssa(s).

    No entanto, nestas palavras com -e- fechado não há actualmente alternância entre timbre fechado no singular e timbre aberto no plural.
    Certo, tanto no singular como no plural, pronuncia-se com ɛ no português contemporâneo. É acerto(s) que tem e fechado.
     

    Nino83

    Senior Member
    Italian
    Acontece a alternação de e para ɛ em alguns pares como esse e ɛssa, mas não em plurais masculinos!
    Sim, sei. Já fiz um exemplo no post #62 :)

    cɛrta (cěrta)
    certo (
    cěrtǔ(m))
    c
    ɛrtos/cɛrtas (cěrtōs/cěrtas)
    São também casos de metafonia as palavras que etimologicamente tinham um e aberto na sílaba tónica mas que o fecharam por assimilação de -o final
    Aqui, ciberdúvidas não foi muito preciso. Só a -o que deriva do /ǔ/ latino e não do /ō/, como em pɔrto (pǒrtō)/porto (pǒrtǔ(m))

    Cumprimentos
     
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    Youngfun

    Senior Member
    Wu Chinese & Italian
    Nas palavras que no latim acabaram com o /ǔ/, o /ɛ/ e o /ɔ/ são levantados a /e/ e /o/.
    :confused: Não entendo essa frase. "o" é pronunciado /ɛ/? foi um typo? "E" "o" criam muita confusão... podes escrever de novo isso com aspas ou <>?
    MAs obrigado pela informação. Entendi o resto da postagem.
     

    Nino83

    Senior Member
    Italian
    Não entendo essa frase.
    Quando a palavra acaba com um /ǔ/ no latim:
    /ɛ/ > /e/ sɛlo (I stamp, verbo) (ō) > selo (stamp, substantivo) (ǔm)
    /ɔ/ > /o/
    pɔrta/pɔrtas/pɔrtos/pɔrto (I take) (pǒrtam/pǒrtas/pǒrtōs/pǒrtō) > porto (port) (latim pǒrtǔm)





     
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    Nino83

    Senior Member
    Italian
    Naquele post, você escreveu certo com ê fechado (mas é aberto).
    Obrigado! Portanto isso não acontece sempre, não é tão sistemático, como em outras línguas.

    No "The Cambridge History of the Romance Languages" se diz que:

    In Portuguese Proto-Romance /ɛ ɔ/ were raised to [e o] before -ǔ
    mas depois terem dito isso, eles fazem soamente exemplos com o /ɔ/.

    Depoir ter visto que adjetivos como "velho", "belo", tem o /
    ɛ/ aberto, parece que no português há metafonia deste tipo (ou seja, em palavras com o -ǔ) só com o /ɔ/ e só em alguns casos com o /ɛ/, como em "sɛlo" (verbo) e "selo" (substantivo).


     
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    patriota

    Senior Member
    pt-BR
    Nino83, nunca acontece no português contemporâneo. Repito o último trecho que copiei do Ciberdúvidas:

    No entanto, nestas palavras com -e- fechado não há actualmente alternância entre timbre fechado no singular e timbre aberto no plural.
     

    Youngfun

    Senior Member
    Wu Chinese & Italian
    Quando a palavra acaba com um /ǔ/ no latim:
    /ɛ/ > /e/ sɛlo (I stamp, verbo) (ō) > selo (stamp, substantivo) (ǔm)
    /ɔ/ > /o/
    pɔrta/pɔrtas/pɔrtos/pɔrto (I take) (pǒrtam/pǒrtas/pǒrtōs/pǒrtō) > porto (port) (latim pǒrtǔm)
    OK... per "o" intendevi l'articolo... non la lettere seguita dalla pronuncia... avevo capito male...

    Nas palavras que no latim acabaram com o /ǔ/, o /ɛ/ e o /ɔ/ são levantados a /e/ e /o/.
     

    Oliveiratadeu

    Banned
    Português
    É verdade que o sotaque (ou dialeto?) dos paulistas que cá estão mais a Capital, é neutro? Parece-me que não há cultura popular, e os vocábulos restringem-se a gírias e palavras pegas do inglês. Quando vejo os outros, apesar das gírias e tudo o mais, há vocábulos específicos. O interior tem divulgado mais a cultura popular, mas a Capital, não, se alguma vez a teve.
     

    LeGauloisBrésilien

    New Member
    Portuguese - Brazilian
    Sim, isso do R é muito normal, especialmente no interior, mas somente com o R final ou antes de consoante.
    O -s final sumir creio que é um fenômeno mais restrito à capital.
    O noRte do Paraná se aproxima foneticamente mais dessa parte de São Paulo do que de Curitiba, também.

    O som "ain" em francês é o mesmo para todas as palavras não há de variações. Pelo que sei, "ain" é o que chamamos de nasalization, em português é nasalização e acho que sim era um som aberto antes, agora é mais fechado. Também se você quiser saber "un", "ain" e "ein" são iguais pela pronúncia em francês mas não devem ser intermudavéis.

    Exemplo:

    Un* pain* au chocolat (mesmo som)
    Il peint* et il y a un pain* (mesmo som por ein e ain)
    Acho que, ainda que a transcrição fonética usual considere esses sons iguais, na prática o nasal francês é mais marcado/forte.
     
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