Tipo, eu não me sinto em casa no Rio. Eu já me sentí, mas tipo, agora tá tudo, tipo, zoado (...)

Discussion in 'Português-Español' started by mmoreda, Jan 24, 2017.

  1. mmoreda New Member

    Spanish
    Hola:

    ¿Alguien me podría ayudar a traducir a español la palabra "tipo" en este fragmento? En portugués oral esta palabra tiene muchos significados y en algunos contextos no sé exactamente cuál es la expresión correspondiente en español.

    "Não é disso que eu tô falando, cara. Tipo, eu não me sinto em casa no Rio.Eu já me sentí, mas, tipo, agora tá tudo, tipo, zoado, tipo, eu tenho amigos, mas casa é casa, entende?"

    ¡Muchas gracias!
     
  2. pfaa09

    pfaa09 Senior Member

    Portugal - Portuguese
    Olá, mmoreda.
    Passou a ser moda entre jovens. Se reparar, as frases sem esse termo fazem na mesma sentido, eles são dispensáveis, desnecessárias.
    Numa linguagem mais formal, já fazem mais sentido e são muito úteis.
    Exemplo: Na linguagem escrita há um certo tipo de...
    Qual é o tipo de homem/mulher que te atrai?

    No fundo esse uso é o mesmo que estarmos a introduzir coisas novas à conversa, parece que estamos a apresentar os temas. Isto mais especifico é assim:
    Não me sinto em casa no Rio. Já me senti, mas é algo do género: agora está tudo bem, ou então é algo do género: zoado... ou então é algo relativo a:
    Torna-se cansativo e maçador:p É algo juvenil.

    Espero ter ajudado.
     
  3. anaczz

    anaczz Senior Member

    À beira do Oceano Atlântico
    Português (Brasil)
    Como pode ver, pelo número de repetições de "tipo", esse fragmento de texto mostra um uso vicioso da palavra. Não sei qual o termo usado em espanhol e não sei se é de alguma ajuda dizer que "tipo" poderia ser substituído por "assim", nessas frases (de forma também viciosa").
    Assim, eu não me sinto em casa no Rio. Eu já me senti mas, assim, agora tá tudo, assim, zoado, assim, eu tenho amigos, mas casa é casa, entende?
     
    Last edited: Jan 24, 2017
  4. gato radioso Senior Member

    spanish-spain
    Às vezes, há alguns anos em espanhol também usávamos "tipo". É o que nós chamamos "muletillas" porque são palavras desnecessárias que as pessoas com pobre expressão oral usam para ganhar expressividade (digamos, tipo, ehh, rollo...) enquanto acham como continuar a frase.
    Ex: A Juan le gusta la música, ehhhh, tipo, digamos, soul.
    Carmen es una mujer espectacular, casi, tipo modelo....
    No quiero ir de vacaciones a Valencia, prefiero algo más tipo Ibiza.

    Não acho que seja um uso consolidado, mas nos 1990, entre a gente nova e um bocadinho "snob" era frequente. Agora creio que bastante menos.
     
  5. pfaa09

    pfaa09 Senior Member

    Portugal - Portuguese
    Aqui o uso é bastante normal e útil, neste contexto é usado como auxiliar para adjectivar o que queremos transmitir.
    No exemplo trazido, não passa de uma moda, um "tique" adquirido, situação bastante comum entre estudantes, ouve-se bastante nas escolas.
    Ainda hoje ouço com muita frequência.
     
  6. gato radioso Senior Member

    spanish-spain
    Pode ser algo semelhante ao "sort of" dos angloparlantes, embora o uso muda um bocadinho de lingua para lingua.
     
  7. metaphrastes

    metaphrastes Senior Member

    Portuguese - Portugal
    Em inglês - pelo menos no inglês norte-americano, penso - é muito comum usarem como muleta a palavra "kind" ou "kinda", em formas extremamente semelhantes ao exemplo dado em português do Brasil: repetitivas, pleonásticas, redundantes, &c...

    Contudo, se espremermos o texto muito bem espremido, de todas estas repetições sobressai um significado: o locutor está a partilhar ideias ou sentimentos subjectivos de difícil verbalização. Então, no afã de exprimir o que sente (e que provavelmente nem sequer é muito claro, em sua mente), começa a exprimir-se por aproximações, comparações, &c, mas sabedor que não conseguiu exprimir de maneira cirúrgica, clara, definida, o que lhe vai na alma (provavelmente seria preciso um dom poético, para tal).

    Então, exprime-se assim:
    Isto é: não há nenhuma razão objectiva para não se sentir em casa (o sujeito se calhar nasceu e foi criado lá!). Ou então, há alguma razão que ele nem sabe dizer: não tem amigos, não tem laços afectivos, familiares, ou está a alienar-se da vida e das pessoas, &c... Mas o que o nosso locutor sabe é que - não importa por que razão - não se sente bem, não se sente acolhido, não se sente confortável na cidade do Rio de Janeiro.
    E o nosso amigo prossegue com o seu discurso vago e tipológico... Tá tudo confuso, mas onde??? Na cabecinha do nosso amigo ou, tipo, toda a gente anda zoada e estranha e ele já não se sente bem? Ele reconhece que tem amigos - afinal não é um ingrato, o único problema é que, tipo, tá tudo zoado, e tudo pode ser muita coisa ao mesmo tempo, é difícil compreender tudo de uma vez só. E o nosso amigo termina o discurso com uma tautologia, afirmando ao fim e ao cabo pelo menos uma coisa clara e segura em meio a mundo onde anda tudo zoado: casa é casa. É reconfortante saber que, afinal, casa é casa, e que em alguma parte do mundo há uma casa que, afinal, é a nossa casa: lá, nada é zoado, é tudo claro e cada coisa está no seu lugar, e lá o nosso amigo, afinal, está, tipo, em casa!

    Enfim, um discurso vago manifesta um pensamento vago - é preciso espremer, e adivinhar o resto, para saber o que lá anda, e nem sempre se acerta.
     
  8. gato radioso Senior Member

    spanish-spain

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