Verbo ir

Oliveiratadeu

Banned
Português
Há os que não aceitam nem em fala. Existe mesmo diferença? Dizem que um é futuro próximo e outro, distante, em se tratando desse tempo verbal. Mas na realidade isso não existe, é impossível. Por que esses tempos não são aceites em registros formais?

Eu a amarei.
Eu vou amá-la.

Eu faria isso.
Eu iria fazer isso.

Eu ia fazer isso.

Eu fui fazer isso.
Eu havia ido (fora) fazer isso.

Vamos fazer isso.
Façamos isso.
 
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  • guihenning

    Senior Member
    Português do Brasil
    Não são? Eu nunca vi rejeição a eles, embora perceba que no registro formal se dê preferência à forma sintética. Também não entendo essa prepotência e rejeição à forma com "ir". Não é como se o português e as suas irmãs tivessem uma forma do futuro propriamente dito, como tinha o latim, o que temos é o infinitivo aglutinado ao verbo "haver" conjugado.
    comer + hei > comerei
    manger + ai > mangerai
    andar + he > andaré
    parlare + ho > parlerò

    Esse futuro com andare/ir/ir/aller aparentemente já acontecia em latim vulgar, porque aparece em quase todas as neolatinas, com a exceção, parece, do romeno e do romanche, este último é chute no escuro. Eu deveria pesquisar antes de dizer, mas de todo o modo é possível que não faça futuro perifrástico.
    As outras formas como o futuro do pretérito são formadas com "ir" de todo o modo, mas não as vejo sofrer muita rejeição, só essa censura invisível que dá preferência às formas não-sintéticas.
     

    Oliveiratadeu

    Banned
    Português
    Não são? Eu nunca vi rejeição a eles, embora perceba que no registro formal se dê preferência à forma sintética. Também não entendo essa prepotência e rejeição à forma com "ir". Não é como se o português e as suas irmãs tivessem uma forma do futuro propriamente dito, como tinha o latim, o que temos é o infinitivo aglutinado ao verbo "haver" conjugado.
    comer + hei > comerei
    manger + ai > mangerai
    andar + he > andaré
    parlare + ho > parlerò

    Esse futuro com andare/ir/ir/aller aparentemente já acontecia em latim vulgar, porque aparece em quase todas as neolatinas, com a exceção, parece, do romeno e do romanche, este último é chute no escuro. Eu deveria pesquisar antes de dizer, mas de todo o modo é possível que não faça futuro perifrástico.
    As outras formas como o futuro do pretérito são formadas com "ir" de todo o modo, mas não as vejo sofrer muita rejeição, só essa censura invisível que dá preferência às formas não-sintéticas.
    E, no caso, do imperativo, que esqueci de pôr?
    Se forem aceites, digamos, como diferenciá-los dos outros tempos?

    Vamos fazer (façamos) natação, cara.
    Vamos fazer (faremos) natação, cara.
    Vamos fazer (fazemos) natação, cara.

    Parece que a linguagem fica só na intenção e na cabeça de quem fale, subjetiva a beça. Isso não torna mais difícil o idioma?
     

    englishmania

    Senior Member
    Português Europeu
    Uma alternativa a "vou fazer" é "hei de fazer", não? Às vezes em textos formais eu vejo isso, "hei de fazer".
    Não têm o mesmo sentido. "Hei de fazer" é uma intenção, uma ideia de algo que quero fazer no futuro mas sem certezas. Quando se diz "vou fazer" já há mais certeza, como se fosse uma decisão/plano.
     

    Oliveiratadeu

    Banned
    Português
    Não têm o mesmo sentido. "Hei de fazer" é uma intenção, uma ideia de algo que quero fazer no futuro mas sem certezas. Quando se diz "vou fazer" já há mais certeza, como se fosse uma decisão/plano.
    Mas a senhora de certo concorda que não existe diferença de futuro próximo e futuro longínquo: tudo que se faça nessa terrinha é incerto. Futuro é intenção sem peso e distinção de tempo.
    No caso da certeza da ação que ainda não ocorreu, não caberá melhor o presente do indicativo?
    Enfim, essas distinções de futuro creio que se manifestem por quem queira mostrar-se tolerante com outras formas sem abolir a que usa. Não será medo de que a forma composta vença totalmente?
     
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    englishmania

    Senior Member
    Português Europeu
    Mas a senhora de certo concorda que não existe diferença de futuro próximo e futuro longínquo: tudo que se faça nessa terrinha é incerto. Futuro é intenção sem peso e distinção de tempo.
    No caso da certeza da ação que ainda não ocorreu, não caberá melhor o presente do indicativo?
    Enfim, essas distinções de futuro creio que se manifestem por quem queira mostrar-se tolerante com outras formas sem abolir a que usa. Não será medo de que a forma composta vença totalmente?
    Para mim, é evidente que estas duas formas têm um valor de futuro diferente.

    Exemplos de futuro com “ir+infinitivo”, presente do indicativo e “haver de”:

    -Aonde vais?
    -Vou ao supermercado. Tenho de comprar água. E tu?
    -Vou buscar os meus filhos à escola.


    - Para a semana, tenho uma consulta.
    - Em que dia?
    - Na terça.
    - Eu vou fazer um exame na quinta.


    Não me parece possível dizer “hei de” com uma expressão de tempo exata. Associo “hei de” à ideia de incerteza tempora/“um dia”.

    - Vou-me inscrever num curso de mandarim. Começo na próxima semana.
    - Dizem que é difícil!
    - Sim, mas eu hei de aprender qualquer coisa!

    - Um dia ainda hei de ir ao Brasil.


    c) «Hei de comprar um carro.»
    d) «Vou comprar um carro.»
    Não nota diferença?
     
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    guihenning

    Senior Member
    Português do Brasil
    „Hei de“ não me é a construção mais prosaica do mundo, mas nunca a associo a uma forma propriamente de futuro e sim a uma vontade, a um forte desejo, até a uma promessa ou aspiração que acontecerão num futuro indeterminado.

    «Eu hei de vencer na vida!», «pois ainda hei de te provar o contrário», «mas um dia ainda hei de falar alemão fluente», «hei de fazê-lo feliz um dia!», etc

    No mesmo molde do que diz englishmania e todos os exemplos que encontrar dessa construção carregam esse sentido de indefinição e/ou vontade. Não é exatamente uma questão de opinião e sim que os valores de futuro são diferentes entre esta construção e o futuro simples, quer a forma sintética, quer a forma com “ir” como auxiliar.
     

    visconde

    Member
    Português do Brasil
    Discordo de guihenning e englishmania. O sentido de intenção supostamente atribuído a 'hei de' não vem da expressão ela mesma mas do contexto proposicional em que ela se encontra. Prova: a substituição 'hei de' pela forma sintética ou analítica do futuro preserva a noção de intenção:
    Eu hei de vencer na vida!​
    Vou vencer na vida!​
    Vencerei na vida!​
    pois ainda hei de te provar o contrário​
    pois ainda vou te provar o contrário​
    pois ainda te provarei o contrário​
    mas um dia ainda hei de falar alemão fluente​
    mas um dia ainda vou falar alemão fluente​
    mas um dia ainda falarei alemão fluente​
    hei de fazê-lo feliz um dia​
    vou fazê-lo feliz um dia​
    o farei feliz um dia.​

    E é perfeitamente possível usar 'hei de' sem qualquer noção de intenção e também para acontecimentos necessários.

    Essa estrela há de explodir um dia.​
    Há de chover em outubro.​
    Essa moda há de passar.​
    Hei de morrer um dia.​
     
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    Carfer

    Senior Member
    Portuguese - Portugal
    Discordo de guihenning e englishmania. O sentido de intenção supostamente atribuído a 'hei de' não vem da expressão ela mesma mas do contexto proposicional em que ela se encontra. Prova: a substituição 'hei de' pela forma sintética ou analítica do futuro preserva a noção de intenção:
    Eu hei de vencer na vida!​
    Vou vencer na vida!​
    Vencerei na vida!​
    pois ainda hei de te provar o contrário​
    pois ainda vou te provar o contrário​
    pois ainda te provarei o contrário​
    mas um dia ainda hei de falar alemão fluente​
    mas um dia ainda vou falar alemão fluente​
    mas um dia ainda falarei alemão fluente​
    hei de fazê-lo feliz um dia​
    vou fazê-lo feliz um dia​
    o farei feliz um dia.​

    E é perfeitamente possível usar 'hei de' sem qualquer noção de intenção e também para acontecimentos necessários.

    Essa estrela há de explodir um dia.​
    Há de chover em outubro.​
    Essa moda há de passar.​
    Hei de morrer um dia.​
    Com a última parte, concordo. 'Hei-de' nem sempre traduz uma intenção, pode efectivamente usar-se para significar uma necessidade ou até um dever ou obrigação, mas entre 'hei-de vencer na vida' e 'vou vencer na vida' vai a diferença entre o desejo ou a intenção e a certeza.

    Mas o senhor de certo concorda que não existe diferença de futuro próximo e futuro longínquo: tudo que se faça nessa terrinha é incerto. Futuro é intensão sem peso e distinção de tempo.
    Não há? O que vai acontecer dentro de dez minutos ou daqui a mil anos têm o mesmo peso e o mesmo grau de certeza?
     

    visconde

    Member
    Português do Brasil
    Não há? O que vai acontecer dentro de dez minutos ou daqui a mil anos têm o mesmo peso e o mesmo grau de certeza?
    Não é a distância no tempo o que confere o grau de certeza. É a natureza do acontecimento. Que daqui a mil anos o Sol estará brilhando é mais certo do que aquela folha naquele galho da árvore ali cair nos próximos dez minutos. Ancorar todas essas diferenças epistêmicas e metafísicas do futuro numa palavrinha ou locução é sobrecarregar a língua com um peso que ela não consegue sustentar.
    ]...] mas entre 'hei-de vencer na vida' e 'vou vencer na vida' vai a diferença entre o desejo ou a intenção e a certeza.
    'Vou vencer na vida' é uma profecia? Para mim é expressão de intenção ou desejo do mesmo jeito.
     
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    Tony100000

    Senior Member
    Portuguese
    Ir (no Presente) + verbo (Infinitivo) = Futuro Imediato
    Vou comer uma sopa

    Usar simplesmente o verbo ir no Presente também pode indicar um Futuro Imediato
    Vou à escola amanhã
    Ele vai à escola todos os dias
    (Neste caso, indica o Presente, um hábito)

    Verbo no Futuro = Futuro do Presente
    (Usado para falar de ações ou acontecimentos que provável ou certamente ocorrerão no futuro)
    Comerei uma sopa

    Presente do Indicativo de haver + de + Infinitivo do verbo
    (Sublinha a intenção do falante, uma decisão - Futuro Perifrástico)
    Hei de comer um sopa
     

    Oliveiratadeu

    Banned
    Português
    Para mim, é evidente que estas duas formas têm um valor de futuro diferente.

    Exemplos de futuro com “ir+infinitivo”, presente do indicativo e “haver de”:

    -Aonde vais?
    -Vou ao supermercado. Tenho de comprar água. E tu?
    -Vou buscar os meus filhos à escola.


    - Para a semana, tenho uma consulta.
    - Em que dia?
    - Na terça.
    - Eu vou fazer um exame na quinta.


    Não me parece possível dizer “hei de” com uma expressão de tempo exata. Associo “hei de” à ideia de incerteza tempora/“um dia”.

    - Vou-me inscrever num curso de mandarim. Começo na próxima semana.
    - Dizem que é difícil!
    - Sim, mas eu hei de aprender qualquer coisa!

    - Um dia ainda hei de ir ao Brasil.



    Não nota diferença?
    Obrigado pelas correções do texto.

    Formas de futuro:

    Amanhã comerei maça.
    Amanhã vou comer maça.
    Amanhã hei de comer maça.
    Amanhã como maça.

    A primeira e a terceira formas não são correntes.

    E a distinção entre futuro próximo e distante não existe na realidade nem no Brasil. Até podemos traçá-la entre a segunda e a quarta forma, mas não sei de certo se a última é tão usada.

    Não é a distância no tempo o que confere o grau de certeza. É a natureza do acontecimento. Que daqui a mil anos o Sol estará brilhando é mais certo do que aquela folha naquele galho da árvore ali cair nos próximos dez minutos. Ancorar todas essas diferenças epistêmicas e metafísicas do futuro numa palavrinha ou locução é sobrecarregar a língua com um peso que ela não consegue sustentar.
    'Vou vencer na vida' é uma profecia? Para mim é expressão de intenção ou desejo do mesmo jeito.

    Não coloco na palavra e sim na realidade. Se a palavra serve de instrumento à compreensão da realidade, não pode haver duas formas de futuro, porque na realidade não existem dois futuros. Pode haver futuro e presente como hábito, que parece futuro mas não é.
     

    visconde

    Member
    Português do Brasil
    Não coloco na palavra e sim na realidade. Se a palavra serve de instrumento à compreensão da realidade, não pode haver duas formas de futuro, porque na realidade não existem dois futuros. Pode haver futuro e presente como hábito, que parece futuro mas não é.
    Concordo. Temos o hábito de ler, na estrutura da língua, a estrutura da realidade. Nem sempre funciona. O mesmo vale para as distinções epistêmicas, os graus de certeza: não há correspondência unívoca entre graus de certeza e formas da língua. Essas coisas se determinam noutros planos.

    O sol vai nascer amanhã.
    O sol nascerá amanhã.
    O sol há de nascer amanhã.
    O sol nasce amanhã.

    É um mesmo evento que torna essas frases verdadeiras: o nascimento do sol amanhã. E é o mesmo grau de certeza atrás delas: alta probabilidade.
     

    englishmania

    Senior Member
    Português Europeu
    não pode haver duas formas de futuro, porque na realidade não existem dois futuros.
    Em inglês, há 3 formas de expressar o futuro. Não digo que seja igual em português, porque não é, mas não podemos negar que dizer "vou fazer" e "hei de fazer" não expressam o mesmo, pelo menos na maioria dos casos.

    E é perfeitamente possível usar 'hei de' sem qualquer noção de intenção e também para acontecimentos necessários.

    Essa estrela há de explodir um dia.
    Há de chover em outubro.
    Essa moda há de passar.
    Hei de morrer um dia.
    Para mim, aqui está presente a ideia de que algo acontecerá no futuro (ou é provável que aconteça), mas não se sabe quando. Daí eu ter dito que com "hei de " não é usual empregarem-se expressões de tempo exatas.

    O sentido de intenção supostamente atribuído a 'hei de' não vem da expressão ela mesma mas do contexto proposicional em que ela se encontra.
    E o contexto não é importante? Quando dizemos "Amanhã vou à biblioteca" ou "Na segunda-feira vou correr" expressamos algo que não poderíamos expressar com a forma "hei de". Não é comum dizermos "Na segunda-feira hei de correr"...

    Podemos dizer "Um dia hei de conseguir!" e "Um dia vou conseguir!". Na minha opinião, o facto de podermos usar "um dia" com várias formas de futuro não significa que "hei de" é/seja igual a "vou fazer", apenas significa que "vou fazer" é mais flexível e abrangente.
     
    Last edited:

    englishmania

    Senior Member
    Português Europeu
    (Do site ciberdúvidas)

    O complexo verbal formado por haver de + infinitivo pode, de facto, suscitar várias leituras.

    Tipicamente, expressa um valor temporal de futuridade relativamente ao momento da enunciação:
    (1) «Amanhã, ele há de telefonar ao treinador.»

    À leitura temporal, o verbo auxiliar haver pode ainda associar valores modais diversificados
    (i) a necessidade ou obrigação: «Ele há de pagar esta dívida»;
    (ii) o desejo: «Eu hei de ir a Paris»;
    (iii) o compromisso: «Logo que termine, hei de ir ter contigo»;
    (iv) o conselho: «Havias de estudar»;
    (v) a incerteza: «O livro há de ser bom»

    (...) com valor de obrigação 2) Tu hás de arrumar o teu quarto durante a tarde.

    (...) atribui-se a «haver de» um valor modal que marca uma intenção ou um vaticínio sobre uma situação ou acontecimentos futuros («hei de vencer»; «há de haver fome»).


    Note-se que haver como auxiliar numa perífrase verbal pode ser usado noutros tempos verbais, com novas significações: «seguido de de mais pres. do infinitivo de outro v., exprime futuridade promissiva com idéia de
    1) `desejar com intensidade´: haveremos de lá chegar; hás de pagar o mal que fizeste; há de haver dinheiro para nós ali
    2) `ter fatalmente de´: todos havemos de morrer
    3) `ser do propósito (de alguém)´: haveríamos de comer todas aquelas delícias; decidiu que haveria de ir; nunca hei de lá voltar
    c) se o v. está num tempo passado, o valor promissivo atenua-se, passando a expressar um dever ou uma possibilidade ou uma dúvida: por que havia ela de empanturrar-se de doces?; se tivesse estado entre nós antes, haveria de nos apoiar agora; haviam de ser umas onze horas; haviam de ali viver umas cinco pessoas
    (Dicionário Houaiss, 2001)
     

    visconde

    Member
    Português do Brasil
    O curioso a respeito desses futuros supostamente diferentes é que ninguém é corrigido por outros falantes por ter empregado uma forma do futuro em vez da outra:

    — Quando me aposentar, vou viajar pela África.
    — Desculpe, você quis dizer que viajará, não que vai viajar, pela África, não?
    — Não, não, você não entendeu, eu hei de viajar pela África quando me aposentar.

    Esse tipo de correção não ocorre. A distinção é vazia em português. O Tadeu tem razão.
     

    guihenning

    Senior Member
    Português do Brasil
    Tanto quanto sei só há dois futuros em português, o real e o subjuntivo. Porém, apenas com „haver de“ enxergo uma forte intenção ou vaticínio sem que o contexto seja absolutamente determinante, advérbios de tempo e o escambau. As outras formas podem ou não expressar a mesma coisa, mas apenas esta comporta ambas as possibilidades a depender da maneira como a fraseamos.
    Perdi o fio da meada quando se consideraram hipóteses de haver mais dum futuro na lusofonia que não seja o do subjuntivo. Aparentemente o uso é que dá a impressão de que há um futuro mais imediato do que o outro, mas a formas são absolutamente equivalentes, pelo menos a com o auxiliar „ir“ e a forma sintética do verbo principal.
    Ou não?
     
    Last edited:

    Oliveiratadeu

    Banned
    Português
    Tanto quanto sei só há dois futuros em português, o real e o subjuntivo. Porém, apenas com „haver de“ enxergo uma forte intenção ou vaticínio sem que o contexto seja absolutamente determinante, advérbios de tempo e o escambau. As outras formas podem ou não expressar a mesma coisa, mas apenas esta comporta ambas as possibilidades a depender da maneira como a fraseamos.
    Perdi o fio da meada quando se consideraram hipóteses de haver mais dum futuro na lusofonia que não seja o do subjuntivo. Aparentemente o uso é que dá a impressão de que há um futuro mais imediato do que o outro, mas a formas são absolutamente equivalentes, pelo menos a com o auxiliar „ir“ e a forma sintética do verbo principal.
    Ou não?

    Certamente.
     

    visconde

    Member
    Português do Brasil
    Tanto quanto sei só há dois futuros em português, o real e o subjuntivo.
    A rigor, três: do presente, do pretérito e do subjuntivo. Mas a confusão é esta mesma: há x maneiras diferentes de exprimir o futuro, logo há x tipos diferentes de futuro.

    Porém, apenas com „haver de“ enxergo uma forte intenção ou vaticínio sem que o contexto seja absolutamente determinante, advérbios de tempo e o escambau.
    Não. Você há de ter-se equivocado. Mesmo no caso de 'haver de', contexto, advérbios e escambau são absolutamente determinantes.
     

    Oliveiratadeu

    Banned
    Português
    Eis o exemplo em Tempo-será, de Manuel Bandeira:

    A Eternidade está longe
    (Menos longe que o estirão
    Que existe entre o meu desejo
    E a palma de minha mão).

    Um dia serei feliz?
    Sim, mas NÃO HÁ DE SER JÁ:
    A Eternidade está longe,
    Brinca de tempo-será.
     

    englishmania

    Senior Member
    Português Europeu
    Aparentemente o uso é que dá a impressão de que há um futuro mais imediato do que o outro, mas a formas são absolutamente equivalentes, pelo menos a com o auxiliar „ir“ e a forma sintética do verbo principal.
    Ou não?
    Parece-me que têm o mesmo sentido, mas o seu uso é bem diferente. Em Portugal, não se diz "Amanhã comprarei um telemóvel novo", coloquialmente, entre amigos. Tal soaria bastante estranho. O futuro do indicativo é usado em contextos mais formais, por exemplo, num discurso ou em literatura.
    No dia a dia, as pessoas dizem "Amanhã vou comprar um telemóvel novo".
     

    Carfer

    Senior Member
    Portuguese - Portugal
    'Vou vencer na vida' é uma profecia? Para mim é expressão de intenção ou desejo do mesmo jeito.
    Não, não é uma profecia, é a expressão de uma certeza subjectiva, de um convencimento, de um propósito firme. Se algum dia se concretizará, bem... isso ninguém pode garantir, mas, na cabeça do falante, é isso que ele pensa que acontecerá.
    Formas de futuro:

    Amanhã comerei maçã.
    Amanhã vou comer maçã.
    Amanhã hei de comer maçã.
    Amanhã como maçã.

    A primeira e a terceira formas não são correntes.
    Em Portugal, são.
     

    guihenning

    Senior Member
    Português do Brasil
    A rigor, três: do presente, do pretérito e do subjuntivo. Mas a confusão é esta mesma: há x maneiras diferentes de exprimir o futuro, logo há x tipos diferentes de futuro.


    Não. Você há de ter-se equivocado. Mesmo no caso de 'haver de', contexto, advérbios e escambau são absolutamente determinantes.
    Nem atentei ao futuro do pretérito porque nem me lembrava mais dessa nomenclatura. Condicional me parece mais cabível, mas isto é outro assunto.

    Então, eu não sei… Talvez por não me ser a construção mais prosaica eu queira lhe dar um sentido a mais, mas ainda assim… Penso que a intenção do falante seja reforçada quando escolhe "hei de ser feliz nesta vida!" a "vou ser feliz nesta vida!" e não só: a escolha duma forma pela outra por si só já indica, normalmente, que uma tem um valor que a outra não tem. Mas acho que talvez eu esteja procurando chifre em cabeça de cavalo.

    Formas de futuro:

    Amanhã comerei maça.
    Amanhã vou comer maça.
    Amanhã hei de comer maça.
    Amanhã como maça.

    A primeira e a terceira formas não são correntes.
    Claro que são:

    Amanhã faremos a seleção dos candidatos
    Amanhã começarão os jogos olímpicos
    Bancários entrarão em greve amanhã
    Vou é ir dormir, amanhã acordo cedo
    Hmm, não vou poder: amanhã viajo à noitinha

    É verdade que na oralidade o futuro sintético é bem menos usado que o perifrástico, mas ocorre.
     

    machadinho

    Senior Member
    Português do Brasil
    Olhastes o poema do Bandeira, senhores? A construção "haver de + infinitivo" é usada como sinônimo de "vou + infinitivo".
    É o contrário. 'Haver de chover' é mais básico do que 'vai chover'.

    Vai chover porque há de chover.​
    Choverá porque há de chover.​
    Chove amanhã porque há de chover.​

    Vai acontecer ou acontecerá porque é (naturalmente ou psicologicamente ou socialmente ou economicamente ou moralmente etc.) necessário que assim seja.

    Ver a etimologia de 'futuro': em latim, futurum é o neutro do particípio futuro de sum no nominativo: o que há de ser.
     
    Last edited:

    machadinho

    Senior Member
    Português do Brasil
    Então, eu não sei… Talvez por não me ser a construção mais prosaica eu queira lhe dar um sentido a mais, mas ainda assim… Penso que a intenção do falante seja reforçada quando escolhe "hei de ser feliz nesta vida!" a "vou ser feliz nesta vida!" e não só: a escolha duma forma pela outra por si só já indica, normalmente, que uma tem um valor que a outra não tem.
    Sim, uma tem o valor de necessidade; a outra não. Quanto ao reforço da intenção do falante, entendo, mas repare que tal só ocorre na primeira pessoa do singular. Coloque na segunda ou terceira, e o reforço se atenua.

    Eu hei de conseguir.​
    Ela há de conseguir.​
    No plural, então, nem se fala.

    O sentido dum verbo pode variar com a conjugação? Acho que não. O sentido deve permanecer o mesmo em conjugações diferentes. Ora, a necessidade permanece; o reforço da intenção não. Portanto a necessidade pertence, talvez, ao sentido do termo mas o reforço da intenção certamente não. O reforço da intenção é pragmático, não é semântico.

    Concordo que 'hei de ser feliz' seja diferente de 'vou ser feliz'. Só discordo da diferença.
     
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