Vogal epentética no português brasileiro

Alecm

Member
Português - Brasil
Uma característica da pronúncia do português brasileiro é o acréscimo de um "i" depois de consoantes mudas

Assim palavras como "advogado" não pronunciadas como "adivogado".

A minha pergunta é: esse fenômeno é relativamente recente?
 
  • Guigo

    Senior Member
    Português (Brasil)
    Depende de quão recente, @Alecm .

    Em 1931, Noel Rosa gravou "Picilone", onde já inseria a tal vogal epentética no Y (ípsilon).
    "Já reparei outro dia
    Que o teu nome, ó Yvone
    Na nova ortografia
    Já perdeu o picilone
    Yvone (Yvone)
    Yvone (Yvone)
    Eu ando roxo
    Pra te dizer um picilone."
     

    guihenning

    Senior Member
    Português do Brasil
    A minha pergunta é: esse fenômeno é relativamente recente?
    Depende do que se considera recente. Já desde o início do século XX notam-se vogais epentéticas em vários ambientes fonéticos que quase nunca ocorrem uniformemente e dependem da região, etc. Analisando textos mais antigos já se notavam alguns desvios na grafia que apontavam para a epêntese no Brasil.

    Só me permita fazer uma correção: não há consoantes mudas no português do Brasil e desde o Acordo também não mais no português europeu. Consoantes mudas são consoantes que se escreviam e não se articulavam. O "d" de "advogado" não é nem nunca foi mudo, pelo que sempre se proferiu e é assim que a ortoépia brasileira e a portuguesa preconizam que se faça. Por "consoantes mudas" talvez o que tenha querido dizer sejam grupos consonantais trazidos ao português por vira erudita ou por intermédio de outras línguas.
     
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